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Amigo Búlgaro e Honorável Empurrador

25 de junho de 2008

O equivalente brasileiro ao “black friend” é o amigo búlgaro. Todo mundo que usa a Internet tem um, é só perguntar. Mesmo que tenha nascido, sei lá, na Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia ou Azerbaijão, ele sempre será o amigo búlgaro.

Prolegômenos à parte, é só para dizer que minha amiga búlgara mandou esse link que comprova a existência de uma das mais nobres profissões do mundo (sim, tio Berlitz, eu nunca duvidei do senhor), a de Honorável Empurrador. Clique aqui para ver.

E você? Também tem um amigo búlgaro?

Update: “Os japoneses são polidos até mesmo em seus metrôs, tão abarrotados que utilizam empregados especialmente para empurrar as pessoas para dentro do trem e outros para desembaraçá-las quando chegam a uma estação e ajudá-las a saltar do trem. Os que empurram as pessoas são chamados oshiya-san (’honorável empurrador’) e os que as puxam para fora, hagitoriya-san (’honorável puxador’)”.

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Cuba tem a melhor saúde das Américas? Quem disse?

20 de fevereiro de 2008

Alguns meses atrás vi uma entrevista de Garry Kasparov ao comediante Bill Maher. Maher consegue proezas como ser um ícone da esquerda americana mais radical e ainda assim ser engraçado ou ser amigo pessoal da Ann Coulter, ícone da direita mais tradicional dos EUA. Kasparov, o russo campeão mundial de xadrez nos anos 80, era então candidato à presidência da Rússia, contra Vladimir Putin.

Pois bem. Num ponto qualquer da entrevista, Maher afirma que Putin tem “um alto nível de popularidade e pititi e pototó“, no que é imediatamente interrompido por Kasparov: “How do you know?” ou, em bom português, “Como você pode ter certeza disso?”. E prossegue: “Como você pode acreditar nos números fornecidos por um Estado policial? Nas mesmas condições que temos na Rússia, posso apostar que Bush e Cheney teriam os mesmos níveis de popularidade nos EUA que Putin tem lá“.

Pois ontem o octagenário Fidel Castro abdicou ao trono da ilha em favor de seu SEPTUAGENÁRIO meio-irmão caçula. E o que disse a imprensa brasileira? Vejamos algumas manifestações:

Merval Pereira acha que a transição deve ser lenta e gradual (se estivéssemos no século 19, seria o equivalente à resistência do parlamento brasileiro à abolição da escravatura, não? Ou, como diria um parlamentar da época: “Deve ser lenta e gradual para não jogar o país e o império na anarquia e no caos“) .

Miriam Leitão (uma das vidraças preferidas da esquerda maoísta brasileira tempos atrás) acha que o “Desafio de Cuba será manter conquistas de Fidel nas áreas de saúde e educação”. Sério. Sério. É, as conquistas cubanas. Vai chupar manga verde, Leitão.

Já Arnaldo Jabor diz: Fidel Castro foi um sonho que acabou. Eram uns garotos bonitos [...] eram intelectuais armados [...] Fidel Castro era um sonho jovem.” Ora, vá se foder, Jabor. Os guerrilheiros cubanos eram tão “sonho jovem” quanto a UNITA ou Idi Amin Dada. Com resultados semelhantes.

O patético do Brasil é que os colunistas acima são considerados “de direita” pela esquerda local. Direita? Miriam Leitão? Arnaldo Jabor? Merval Pereira? Qualé? Eles parecem dirigentes de um grêmio estudantil aparelhado pelo PC do B. Pelo menos quando o assunto é Cuba. Jornalistas e formadores de opinião capazes de acreditar em estatísticas e no palavrório de um Estado policial é algo que possivelmente só exista no Brasil.

Essa babação de ovo, esse medinho de dar nomes aos bois fica mais patente e patético quando vindo de gente que (com razão) sempre desceu a lenha no Pinochet, mas trata Fidel como se fosse um avôzinho com Alzheimer. Fidel matou mais dissidentes que Pinochet. Fidel matou e torturou mais dissidentes que Pinochet. De novo, para fixar: Fidel Castro matou e torturou mais dissidentes que Pinochet, além de ter destruído a economia de seu país, ao contrário do filho da puta chileno. Parem de tratar Fidel Castro como um vovô panquinha que agora está doentinho e Cuba como um Piauí que melhorou de vida com o socialismo, ou seus leitores e ouvintes em breve acreditarão que os bocós são vocês. Ou coisa pior.

Voltando ao Kasparov: Em outra passagem da entrevista, Maher diz “Há algo na alma do povo russo que ama a figura do homem forte“, no que é interrompido pelo enxadrista: “Calma aí, isso é um completo nonsense refutado pela História. Olhe, por exemplo, as duas Coréias: A do Norte é, basicamente, apenas um gigantesco campo de concentração e a do Sul, uma florescente democracia com economia de mercado. E são absolutamente o mesmo povo. Há outros exemplos, Taiwan e China, Alemanha Ocidental e Oriental vinte anos atrás. Eu não acredito que haja qualquer coisa como ‘uma alma nacional‘ que faça um país ou povo mais receptivo à democracia que outro.”

Se os cubanos não forem feitos de papelão, se lhes sobrou alguma dignidade depois de 50 anos de ditadura, derrubarão, na primeira oportunidade, esse regime “de sonho” - tão rápido quanto os romenos penduraram Ceausescu ou os italianos Mussolini. E, se aceitarem a continuação da ditadura quando a oportunidade de terminar o pesadelo de Sierra Maestra aparecer, aí sim poderemos falar de uma “alma cubana”.

As passagens do vídeo citadas no post estão a partir de 2:40.

(E, como era de se esperar, Kasparov teve de desistir da candidatura por “problemas de prazos” com a Justiça Eleitoral russa.)

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Balão do Dr. Paul

7 de dezembro de 2007

Se são malucos ou não, só deus sabe: O fato é que os WINGNUTS apoiadores do Ron Paul viraram o assunto esta semana, o vídeo acima da CNN é de hoje à noite. Trata-se de um balão dirigível com os dizeres: “Who is Ron Paul? Google Ron Paul” (”Quem é Ron Paul? Procure por Ron Paul no Google”). O projeto está sendo financiado por “populares” e já arrecadou em torno de 220 mil dólares, uma bela grana até nos EUA. Se tudo der certo, o ZEPPELLIN partirá da Carolina do Norte, dia 10, com destino a Boston para participar da Boston Tea Party em favor de Ron Paul. As doações dão direito a horas de vôo no dito cujo, segundo tabela no próprio site.

O site oficial (apenas americanos ou estrangeiros com direito a voto podem fazer doações). E aqui, os detalhes técnicos e fotos do balão.

Update: O sujeito que apanhou do Jon Stewart está excitadíssimo com Ron Paul.

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Uma novidade e tanto

7 de dezembro de 2007

Banner da campanha do Republicano Ron Paul

Acho que ninguém no jornalismo brasileiro falou ainda do assunto e na blogorréia brasileira apenas o André Kenji abordou o tema com mais atenção e propriedade. Previsão: Em breve o Pedro Doria ou o Reinaldo Azevedo (e, com eles, a Veja e o Estadão) começam a falar disso enquanto o resto da imprensa leva mais dois ou três meses até descobrir a “surpresa da eleição americana” (afinal, melhor é falar de CPMF, Renan, aquecimento global e plásticas de atrizes decadentes). Pois vamos a ele:

Há um importante movimento grass roots (”vindo do povão”, digamos assim), baseado principalmente na internet, de apoio ao candidato Ron Paul, do partido republicano, acontecendo nos EUA. Esse movimento organizou no 5 de novembro passado um dia de arrecadação de fundos para a campanha de Ron Paul e conseguiu num só dia angariar mais de 4 milhões de dólares de cerca de 35 mil pequenos doadores, a maior arrecadação num só dia para um candidato através da internet, e suficiente, até o momento, para dar fôlego à campanha nos primeiros estados onde ocorrerão as primárias republicanas. Cinco de novembro é o Guy Fawkes Day, tema do filme V de Vingança e um episódio da História da Inglaterra.

Desde que lançou sua campanha no começo desse ano, Ron Paul era considerado um sujeito sem maiores chances na disputa pela indicação à candidatura pelo partido Republicano, um UNDERDOG. Eleito deputado pelo Texas por dez vezes (os mandatos são de dois anos por lá), foi um dos poucos republicanos a votar contra a guerra no Iraque (por considerar que só o Congresso Americano, conforme a constituição do país, pode declarar guerras, não o presidente), sempre votou pela diminuição do Estado, contra aumento de impostos, etc. Costuma se apresentar - antes dos debates e em suas palestras - como o campeão, o El Cid da Constituição dos Estados Unidos. Foi candidato independente libertário, apesar de sempre ter sido republicano, e é uma figura simpática e afável, mas firme, além de um obstetra que fez mais de 3 mil partos, ex-militar com folha de serviços no Vietnã, bom pai de família (seja lá o que isso signifique), casado há 50 anos com a mesma mulher, essas coisas que os americanos apreciam num candidato.

Pois… depois do sucesso da campanha de 5 de novembro - remember, remember, the fifth of november - seus apoiadores lançaram uma campanha que coincidirá com o dia em que se comemora a Boston Tea Party, 16 de dezembro, o evento que é informalmente considerado o iniciador da revolução americana e o início da guerra de independência do país.

E por que isso interessaria a um brasileiro? Em primeiro lugar, se as idéias - nem tanto a candidatura - do Dr. Paul prosperarem - e elas são absolutamente “revolucionárias” para os padrões da política norte-americana dos últimos 50 anos - o resultado prático será o fim do “imperialismo” (ou o assim percebido) dos Estados Unidos. A principal proposta de Ron Paul é exatamente a de fechar, com o devido tempo, todas as bases americanas no exterior e trazer todos os soldados (na Europa, na Coréia do Sul, nas Ilhas Maurício) do país de volta. “Não temos de ser a polícia do mundo” é o que ele mais diz em seus pronunciamentos. Entre as outras de nota são:

  • Reequilibrar o orçamento e trazer o valor do dólar aos patamares anteriores ao governo Bush. Como? Fechando bases no exterior, cortando gastos, etc. “Parar de imprimir dinheiro sem lastro. Parar de ser financiado pelo exterior”.
  • Terminar com boa parte da burocracia americana, incluindo os equivalentes brasileiros aos ministérios da Educação, CIA (”é um poder paralelo dentro do Estado, incompatível com um regime democrático, inconstitucional e só presente em estados autoritários), boa parte do FBI não dedicada ao combate a crimes federais tipificados, o departamento de Comércio (”para acabar com subsídios que encarecem a vida do cidadão comum”), entre muitos outros.
  • Fim do FED, o banco central dos EUA. Isto, você leu bem.
  • Volta gradual a algum tipo de padrão monetário como o padrão ouro.
  • Fim do equivalente à Receita Federal brasileira e do Imposto de Renda. Sim.
  • Baixar a carga tributária (com o corte de gastos, diminuição do Estado, etc) dos atuais 40% do PIB para algo ao redor de 15%. Como era antes da Grande Depressão.
  • Fim gradual (ou redução a patamares mínimos) do Welfare State. Com tempo para que aqueles que não precisam realmente dos programas achem o que fazer. Com data para acabar.

Se ele vai conseguir ser candidato? Neste instante sua candidatura está crescendo como uma bola de neve e Ron Paul já é o líder em algumas pesquisas para as prévias em alguns estados. Talvez ele vença as primárias em Massachusetts New Hampshire. Os americanos com quem tenho falado falam de uma revolução - que está se espalhando como rastilho de pólvora, de porta em porta e de boca em boca. Se são representativos? Sei lá, mas o espaço em horário nobre nos noticiários (CNN, FOX, ABC, MSNBC e regionais) já vem sendo ocupado pelas idéias de Ron Paul há alguns dias. Sim, e quem leu o acima e conhece Ayn Rand também se deu conta de que o programa dele é exatamente esse. Se Ron Paul passar das primárias do Partido Republicano (ou for candidato independente, como Libertário), provavelmente essa será a primeira eleição americana que eu acompanharei com atenção. E a imprensa brasileira também devia. Até para não ser pega de “surpresa”. Será engraçado ver como os comunistas de plantão das redações explicarão qual é a ideologia do candidato.

Bônus track: Para quem quer entender quais são as idéias, a palestra de Ron Paul para os funcionários do Google (em inglês, claro):

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Até quando? - Documentário da RTP

24 de agosto de 2007

A reportagem que as TVs brasileiras jamais farão. Seguem destacados os diálogos mais reveladores de cada trecho. Se não tiver paciência para ver todos, veja pelo menos o segundo e último pedaços.

“Fidel já os conquistou por um preço que o reitor desta universidade não está autorizado a revelar”.

Cuba ‘ Hasta Cuando? ‘ Reportagem RTP part1

“O mesmo regime que educa e cura estrangeiros, paga entre 16 e 32 dois reais por mês para o seu povo”. “O salário de uma enfermeira cubana é de 24 reais por mês”. “E dá para viver com isso?”. “Não chega para sobreviver, mas temos de sobreviver (responde sorrindo)”. “E como se sobrevive então?” “Ahn… como? Planejando, pensando, quebrando a cabeça… temos de seguir em frente por que é só o que temos… É só o que nos dão”.

Cuba ‘ Hasta Cuando? ‘ Reportagem RTP part2

“Se eu lhe disser toda a verdade sabe pra onde vou?” “Você não tem liberdade de expressão?” “Olha, eu sou uma mãe de família, tenho dois filhos, não posso responder livremente sobre tudo o que você está me perguntando”.

Cuba ‘ Hasta Cuando? ‘ Reportagem RTP part3

“A lei e o governo proibiram a vida. Tudo é crime: Fazer queijo, vender peixe, torrar café ou vendê-lo”.

Cuba ‘ Hasta Cuando? ‘ Reportagem RTP part4

“Você não gosta de estar aqui por estar longe de sua família?” “Entre outras coisas”. “Sobre as quais você não pode falar?”. “Claro”. “Rael prefere silenciar as mil palavras que lhe vão na alma. Trinta e dois anos de vida foram o suficiente para perceber que a falta de liberdade em Cuba tem um preço que não pode pagar”.

Cuba ‘ Hasta Cuando? ‘ Reportagem RTP part5

A RTP é a rede de TVs públicas de Portugal, uma espécie de Fundação Padre Anchieta sem jornalista “isento”, mas filiado a partidos políticos (e com pretensões políticas).

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