Arquivo da categoria 'Política'

A futura Guerra das Baratas

5 de março de 2008

A futura Guerra das Baratas

Se a América do Sul fosse um (sub) continente normal em que sangue de gente e não sangue de barata corresse nas veias dos seus habitantes, colombianos e equatorianos já estariam engalfinhados bombardeando-se, fuzilando-se, arrancando uns aos outros os membros a machete.

É preciso dar o benefício da dúvida e a razão aos colombianos: Abrigar uma força hostil a um Estado constituído - ainda mais a um Estado de fato e direito - é um ato de guerra e ponto. Ou seja, equatorianos (e quem mais esteja hospedando comandos das FARC com tanta mordomia e direito a pijama e Wi-Fi na selva) declararam a seu modo tosco*, guerra à Colômbia.

A retaliação colombiana também é um ato de guerra, se o governo do Equador quiser ver assim. Guerras absurdamente sangrentas começaram por muito menos, I mean.

Se o War Nerd escrever algo a respeito do “quase entreveiro”, o mais divertido da coluna será caçar os adjetivos que ele usará para descrever os sangues-de-barata da América do Sul. Uma velha, sobre a Colômbia, já foi de engolir a dentadura.

Enquanto isso, os diplomatas se empanturram de canapés na OEA e protelam qualquer decisão. Talvez seja até melhor assim.

Uribe, Chavez e Correa num abraço grupal
03.mar.2008/Guillermo Legaria/Efe

*Nada na América Hispânica é mais tosco que o castelhano falado pelos equatorianos. Paraguaios e venezuelanos em briga de foice no escuro pelo segundo lugar. Palabra de boy scout.

Veja os preços de: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras.

O Embargo a Cuba

21 de fevereiro de 2008

O ano de 1982 não foi um ano especialmente marcante para muita gente, creio, mas para mim foi a primeira vez em que li a palavra EMBARGO num livro. Em 82 completei duas mãos cheias de anos, o que, aparentemente, já me valia o status de gente entre os adultos, ou assim eu pensava. Foi também o ano em que meus avós paternos voltaram de São Paulo para Porto Alegre e voltaram a morar na frente da minha casa. Meu avô era uma espécie de Henri Salvador pra mim, um sujeito que conhecera a trabalho os EUA, o México, a Itália e a Argentina, tudo antes da Segunda Guerra Mundial, quando viajar de avião aos EUA ainda levava quase três dias e de navio, mais de mês. Também tinha uma biblioteca cheia de livros maravilhosos em seis idiomas diferentes, sabia falar cinco deles menos o Latim, era engraçado, piadista, tinha um prazer imenso em consertar meus brinquedos e ensinar coisas de seu metier. Só não sabia tocar piano, mas, enfim, ninguém é perfeito.

“Vô, você sabe o que quer dizer EMBARGO?”.

O ano de 1982 também foi um ano mais ou menos agitado geopoliticamente e, na prática, o fim de uma era. Falava-se o tempo todo em bombas atômicas, Copa do Mundo da Espanha (e todo mundo acreditava piamente que aquela cambada de pernas-de-pau ganharia o caneco), em como Margareth Tatcher ia arruinar a Inglaterra (hohohoho) e em como a ditadura militar acabaria até o fim daquele ano, diretas-já, Dante de Oliveira, essas coisas. Foi também o ano em que a crise do petróleo de 1979 finalmente bateu às portas de todo mundo. O Natal de 1981 - o melhor Natal pra muita gente da minha geração até hoje - foi o último antes da grande derrocada da economia brasileira que veio em 1982, foi o ano em que demos o calote na dívida externa e o país, para todos os efeitos, quebrou.

“Embargo, então, é uma espécie de castigo, de cheirar canto, só que dum país maior pra outro menor, é isso?”

Foi o ano dos decretos 2045 e 2064 e do Delfim explicando na televisão que era necessário diminuir o salário de todo mundo (menos o dele, presumo), foi o ano das primeiras eleições diretas para governador desde o início da ditadura e o ano em que o MDB (já PMDB) perdeu o governo do estado para a ARENA (já PDS). Foi também o primeiro ano em que percebi que as moedinhas que eu guardava valiam menos de mês para mês. Foi em 82, também, que minha mãe perdeu o emprego num jornal local e passou uns três meses com cara de muito preocupada, procurando outro emprego. Mas calma, não vá embora ainda: Essa fábula tem começo meio e fim e creio que um punchline aceitável. Talvez até moral da História, se calhar.

“Mas a gente só vai de castigo se fizer coisa errada, né vô?”

Em 82 minha tia que trabalhava no Correio do Povo (que quebrou pouco tempo depois) trouxe um livro novinho pra casa. Chamava-se A Ilha, de um tal Fernando Morais. É um livro famoso, que quase todo mundo que lê no Brasil já leu ou ouviu falar. Se for uma pessoa de esquerda, então, é quase certo. A maioria das pessoas de esquerda que já conheci nunca leu ou ouviu falar de Thoreau, Tocqueville, Hayek, Schopenhauer, Ayn Rand, Hobbes, Hume, Francis Bacon ou Montaigne. Mas todas elas ou leram ou tinham vontade de ler A Ilha. Pois foi em 1982 que eu li A Ilha.

“E o que A Ilha fez de errado, vô?”

Eu sei, eu sei, talvez você também tenha lido, mas aqui vai um resumo do que lembro da leitura: A Ilha contava a história de uma terra maravilhosa, cheia de praias maravilhosas e pessoas maravilhosas governada por um sujeito sábio e corajoso, que tinha ganhado uma guerra contra o pior ditador do planeta. Pior até que os milicos do Brasil, veja só. Mesmo sendo um país pequenino, A Ilha era tão surpreendente que conseguia - num monte de coisas importantes (ou que pareciam) - ser tão boa quanto os maiores países do mundo.

“Quando o senhor souber, vô, o senhor me diz?”

Eu li em alguma crônica mela-cueca (como essa) por aí que quase todo garoto quer ser quando crescer: motorista de ônibus, piloto de avião, presidente da República, nessa ordem. Quando li A Ilha, decidi que não queria mais ser piloto e também queria ser presidente e fazer do Brasil um país tão ou mais surpreendente, espetacular, próspero e feliz quanto A Ilha. Mas tinha um problema: o presidente da Ilha já estava no poder, lá no longínquo ano de 1982, há 24 anos. Para um guri de dez é a própria eternidade, não? E, afinal, a gente não estava brigando contra a ditadura pra poder escolher um presidente a cada 4 ou 5 anos?

“Mas o presidente da Ilha também é um ditador, né, vô?”

O tempo passou, eu cresci, meu avô nunca respondeu o porquê do embargo à Ilha e eu resolvi descobrir por minha conta o motivo pelo qual aquele paraíso terrestre permanecia de castigo. Podemos resumir mais ou menos assim: Nos anos 60, houve uma varíola que se espalhou como err… varíola?… por toda América Latina - nacionalização de empresas estrangeiras. Alguém de um país estrangeiro qualquer investia seu dinheiro em infraestrutura ou atividades produtivas em qualquer país latino-americano. Criava empregos, exportava (e trazia divisas pros países) ou auxiliava na criação de divisas (infraestrutura) e, claro, enviava seus lucros para o país de origem, para o seu respectivo dono. Nenhum país latino-americano jamais foi forçado a aceitar esse investimento estrangeiro. Geralmente, eram muito bem recebidos, como foi a fábrica da Volkswagen no Brasil na época do Juscelino, por exemplo - fábrica que está até hoje no país, entre muitas outras.

Pois a varíola de que falava foi a da nacionalização de bens, fábricas, empresas, terras de estrangeiros. Creio que todos os países da América Latina foram infectados pelo vírus nessa época. Muito mais tarde descobri que esse vírus é o principal responsável pela existência d’A Ilha como ela é hoje e o motivo pelo qual o Brasil é um país que até é remediado, mas podia ser muito melhor. Os países nacionalizavam essas empresas ou terras em mãos de estrangeiros pagando o preço de mercado ou algum preço previamente acordado entre as partes. É claro que os investidores estrangeiros não gostavam, quem quer perder uma fonte de renda?, mas ninguém saía de mãos abanando do negócio. Quer dizer, foi assim em quase todos os lugares onde ocorreram nacionalizações: Menos n’A Ilha.

O embargo americano a Cuba, datado de 7 de fevereiro de 1962, ocorreu porque as expropriações de terras, imóveis urbanos e outros ativos físicos de cidadãos e empresas norte-americanas (estadunidense de c* é rola) nunca foram pagas. De novo: Cuba nunca pagou as nacionalizações que promoveu de empresas e propriedades de estrangeiros. Nunca. É como se a Bolívia quisesse nacionalizar, digamos, a fábrica local da Petrobrás e não quisesse pagar. Já pensou que absurdo? OOOOPS.

Essa informação sobre os motivos do embargo a Cuba é pública, não leva muito tempo para achar. Se quiser, comece sua própria pesquisa por aqui. Você vai até descobrir que o tal embargo é de mentirinha, que só se aplica, nos últimos anos, a compras a prazo (afinal, quem vai dar crédito a um notório caloteiro que, além de tudo, está quebrado?).

Não adianta chorar, Jabor: O “odioso” embargo a Cuba foi a melhor desculpa que o seu amigo (”eu estive em Cuba , e é verdade, sim!“) sempre usou pra manter seus canaviais intactos, seus 11 MILHÕES de ESCRAVOS, seus intelectuais basbaques e esquerdistas de “nações amigas” embasbacados. “O Davi contra Golias”. E, para não esquecer: o nojento, imundo e asqueroso Fidel matou mais SERES HUMANOS que o asqueroso e nojento Pinochet (Pinochet tinha pinta de quem tomava banho).

“Tem certeza, vô, que A Ilha está de castigo por nada? Que injustiça! Como são maus esses americanos!”.

Veja os preços de: DVD, MP3, LCD, Plasma, HDTV, Home Theater.

Cuba tem a melhor saúde das Américas? Quem disse?

20 de fevereiro de 2008

Alguns meses atrás vi uma entrevista de Garry Kasparov ao comediante Bill Maher. Maher consegue proezas como ser um ícone da esquerda americana mais radical e ainda assim ser engraçado ou ser amigo pessoal da Ann Coulter, ícone da direita mais tradicional dos EUA. Kasparov, o russo campeão mundial de xadrez nos anos 80, era então candidato à presidência da Rússia, contra Vladimir Putin.

Pois bem. Num ponto qualquer da entrevista, Maher afirma que Putin tem “um alto nível de popularidade e pititi e pototó“, no que é imediatamente interrompido por Kasparov: “How do you know?” ou, em bom português, “Como você pode ter certeza disso?”. E prossegue: “Como você pode acreditar nos números fornecidos por um Estado policial? Nas mesmas condições que temos na Rússia, posso apostar que Bush e Cheney teriam os mesmos níveis de popularidade nos EUA que Putin tem lá“.

Pois ontem o octagenário Fidel Castro abdicou ao trono da ilha em favor de seu SEPTUAGENÁRIO meio-irmão caçula. E o que disse a imprensa brasileira? Vejamos algumas manifestações:

Merval Pereira acha que a transição deve ser lenta e gradual (se estivéssemos no século 19, seria o equivalente à resistência do parlamento brasileiro à abolição da escravatura, não? Ou, como diria um parlamentar da época: “Deve ser lenta e gradual para não jogar o país e o império na anarquia e no caos“) .

Miriam Leitão (uma das vidraças preferidas da esquerda maoísta brasileira tempos atrás) acha que o “Desafio de Cuba será manter conquistas de Fidel nas áreas de saúde e educação”. Sério. Sério. É, as conquistas cubanas. Vai chupar manga verde, Leitão.

Já Arnaldo Jabor diz: Fidel Castro foi um sonho que acabou. Eram uns garotos bonitos [...] eram intelectuais armados [...] Fidel Castro era um sonho jovem.” Ora, vá se foder, Jabor. Os guerrilheiros cubanos eram tão “sonho jovem” quanto a UNITA ou Idi Amin Dada. Com resultados semelhantes.

O patético do Brasil é que os colunistas acima são considerados “de direita” pela esquerda local. Direita? Miriam Leitão? Arnaldo Jabor? Merval Pereira? Qualé? Eles parecem dirigentes de um grêmio estudantil aparelhado pelo PC do B. Pelo menos quando o assunto é Cuba. Jornalistas e formadores de opinião capazes de acreditar em estatísticas e no palavrório de um Estado policial é algo que possivelmente só exista no Brasil.

Essa babação de ovo, esse medinho de dar nomes aos bois fica mais patente e patético quando vindo de gente que (com razão) sempre desceu a lenha no Pinochet, mas trata Fidel como se fosse um avôzinho com Alzheimer. Fidel matou mais dissidentes que Pinochet. Fidel matou e torturou mais dissidentes que Pinochet. De novo, para fixar: Fidel Castro matou e torturou mais dissidentes que Pinochet, além de ter destruído a economia de seu país, ao contrário do filho da puta chileno. Parem de tratar Fidel Castro como um vovô panquinha que agora está doentinho e Cuba como um Piauí que melhorou de vida com o socialismo, ou seus leitores e ouvintes em breve acreditarão que os bocós são vocês. Ou coisa pior.

Voltando ao Kasparov: Em outra passagem da entrevista, Maher diz “Há algo na alma do povo russo que ama a figura do homem forte“, no que é interrompido pelo enxadrista: “Calma aí, isso é um completo nonsense refutado pela História. Olhe, por exemplo, as duas Coréias: A do Norte é, basicamente, apenas um gigantesco campo de concentração e a do Sul, uma florescente democracia com economia de mercado. E são absolutamente o mesmo povo. Há outros exemplos, Taiwan e China, Alemanha Ocidental e Oriental vinte anos atrás. Eu não acredito que haja qualquer coisa como ‘uma alma nacional‘ que faça um país ou povo mais receptivo à democracia que outro.”

Se os cubanos não forem feitos de papelão, se lhes sobrou alguma dignidade depois de 50 anos de ditadura, derrubarão, na primeira oportunidade, esse regime “de sonho” - tão rápido quanto os romenos penduraram Ceausescu ou os italianos Mussolini. E, se aceitarem a continuação da ditadura quando a oportunidade de terminar o pesadelo de Sierra Maestra aparecer, aí sim poderemos falar de uma “alma cubana”.

As passagens do vídeo citadas no post estão a partir de 2:40.

(E, como era de se esperar, Kasparov teve de desistir da candidatura por “problemas de prazos” com a Justiça Eleitoral russa.)

Veja os preços de: DVD, MP3, LCD, Plasma, HDTV, Home Theater.

Revolução nas ruas

16 de dezembro de 2007

Na maior parte da costa leste dos EUA as temperaturas estão abaixo de zero, mas a temperatura política está em ponto de fervura, com toda a grande imprensa americana e candidatos republicanos de olho no DINHEIRÔMETRO no site de Ron Paul: hoje é dia da Boston Tea Party, a nova Money Bomb organizada pelos simpatizantes de Ron Paul que começou nesta madrugada, por volta das 3 da manhã, hora de Brasília. Alcançou já às 1:10 (horário de Boston) a meta de arrecadar 12 milhões de dólares para o último trimestre de 2007.

As doações continuam e projeções e apostas variam de 2 milhões a 10 milhões de dólares. Meu chute: 6,5 milhões, até o final do dia na costa leste (3:00 da manhã de amanhã, em Brasília). Até o momento, 11 da manhã em Boston, cerca de 2 milhões de dólares já foram doados.

Muita gente está chamando a campanha do Dr. Paul de “revolução”, como se se formasse um consenso em torno de alguém como, por exemplo, o Jefferson Peres (um político aparentemente sério, mas sem muito carisma) e as pessoas saíssem às ruas assim que tomassem conhecimento da plataforma e da história pregressa do sujeito - por isso o “Google Ron Paul” (informe-se sobre Ron Paul). Uma campanha totalmente feita pela internet e muito, mas MUITO maior do que a do democrata Howard Dean em 2004.

A imprensa brasileira ainda não tomou conhecimento do assunto: A única nota que achei nos últimos dias sobre o tema está no blog do Sérgio Dávila (correspondente da Folha em Washington) com um texto meio que reproduzindo as idéias de matérias da imprensa americana de seis meses atrás.

Ao contrário da imprensa brasileira (sempre tão de ishqueirrda) e do New York Times, outros jornais como o Washington Post e o Los Angeles Times já começaram a levar o assunto a sério e a considerar as chances de Ron Paul nas primárias de New Hampshire bastante reais.

A propósito, o documentário sobre a CAMPANHA (não sobre o candidato) Ron Paul, na PBS (espécie de TVE americana) foi ao ar dia 14/12. E o dirigível - também conseguido por doações - já está no ar dizendo “Google Ron Paul”.

UPDATE: Ao final do dia, o resultado foi de 6 milhões de dólares. No trimestre, 18 milhões, mais que qualquer outro dos candidatos do partido republicano e um recorde, o anterior, de 5 milhões, era de John Kerry em 2004.

teste

Veja os preços de: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras.

Adeus CPMF

13 de dezembro de 2007

É incrível, mas essa vitória é inteiramente do DEM. O PSDB, como sempre, foi a reboque - com o Serra criando alguma de suas costumeiras confusões de bastidores. Quero saber o que dirão os gênios amanhã, a enxurrada de reclamações de “sabotagem” ao governo e essa patacoada toda, como se a oposição não estivesse lá pra fazer isso mesmo, se opor. Obrigado, senadores, obrigado DEM.

Já tem otário dizendo que isso é um absurdo, blá-blá-blá: Cala a boca, otário, você acaba de ganhar 600 reais que o governo te tirava sem te dizer onde ia gastar. Vê se usa esse dinheiro pra comprar alguns livros. E arruma algum tempo pra lê-los.

E o PT que vá aprendendo a gastar o dinheiro público, pois o próximo imposto estúpido e mal gasto que tem de terminar é o Imposto de Renda.

Update: Pena que não aproveitaram para acabar com a DRU junto. Tenho quase certeza que os 18 votos contra essa outra excrescência também são do DEM.

Veja os preços de: DVD, MP3, LCD, Plasma, HDTV, Home Theater.