Arquivo da categoria 'Paternidade'

Como se vuelve siempre al amor

13 de março de 2008

Internet em cyber café é algo absolutamente bizarro e irritante. Vou ficar uns dias sem atualizar isto aqui, a menos que ache algo melhor para conectar no meio tempo. Semana que vem um jovem (”Pai, eu quero ir pro Canadá”) começa a aprender inglês. Vamos ver como me saio como professor particular. Dicas serão bem-vindas. Heh.

Sobre o post anterior: o incidente diplomático já foi resolvido, parece que foi um “remove” acidental e eu peço desculpas pela delicadeza das palavras abaixo. E, pros cidadãos de um certo município gaúcho que não gostaram da brincadeira, como dizia o pai do Diogo Mainardi:  $%# no $% da periferia. E um abração. De urso polar.

Ah, o título vem de um Piazzolla favorito da casa.

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Mais nonsense internético

11 de janeiro de 2007

O Brasil é realmente um grande país: Agora foi o Barrichello que resolveu ser síndico de condomínio. Hoje de manhã, conversando com a Letícia, chegamos à (ok, manjada e fácil) conclusão de que não adianta culpar apenas as autoridades por esse tipo de decisão ANANÁ. É impressionante como os brasileiros em geral e as “celebridades” em particular do país são desprovidos de 1) Senso de humor; 2) Noção do ridículo; 3) Classe.

Berrar que a Internet já tem mais de DEZ ANOS no Brasil e que as pessoas já deveriam ter entendido como funciona seria zombar da inteligência dos amigos que me lêem. Mas o que fazer? Não é possível que a maioria pessoas no país acredite que a única maneira de resolver uma pendenga é CALAR o “oponente”. Parece uma coisa meio assim: “Ditadura é ruim se é contra os meus. Se é a favor, maravilha”.

Ainda bem que o Magro já sabe: “Se deixarem, o Lula vira ditador que nem o Chavez, né pai? Não deviam deixar gente que saiu da cadeia, como o Hitler, o Chavez e o Lula virar presidente” - disse o guri - oito anos - no meio duma partida de xadrez, sem mais nem menos, enquanto falávamos da Batalha da Inglaterra e Spitfires.

Update: Träsel sentando o sarrafo. Solon, no fim das contas um otimista, crê que se houver um descalabro maior, talvez os legisladores “possam fazer algo em relação a isso“. Cisco lamenta o ocorrido no seu blog sobre esportes.

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Café-da-manhã

10 de janeiro de 2007

- Pai, amanhã, antes de eu ir embora, vamos comer pastel de feira?

- Combinado, Magro.

- Tem pastel de feira na Inglaterra?

(Silêncio).

- Tem outras coisas, Magro.

- Tá.

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Fernanda Lima, Lídia Brondi, Nádia Lippi, Carla Marins

1 de setembro de 2006

Ontem foi aniversário do Magro, oito anos. Conversamos um pouco pelo telefone, me contou da festa na escola, que quebrou de novo o nariz - desta vez numa partida de futebol - que fez dois gols nessa partida, que adorou uma carteira que uma amiga mandou da Suíça. Lá pelas tantas, não sei de onde surgiu a conversa, ele falou alguma coisa da Fernanda Lima, que ele acompanhava todo dia na novela das sete quando estava aqui, no verão. Eu nem sabia quem era a Fernanda Lima, até ter de ver uma ou duas vezes a tal novela dos caubóis com ele. Lembro de ele ter perguntado: Pai, tu catracava ela? Eu catracava, ele disse, mesmo que tapasse os olhos cada vez que a Fernanda Lima ia beijar o mocinho da história.

Outro dia estava falando alguma bobagem com outro moleque daqui, mais ou menos da mesma idade do Magro, e lembrei da Fernanda Lima: E a Fernanda Lima, perguntei. E o guri abriu um sorriso cúmplice: “A Fernanda Lima é da hora”. E pensei com os meus botões que ela era a Lídia Brondi, a Nádia Lippi, a Carla Marins da geração do Magro.

E, sim, eu também catracaria, Magro.

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Rua deserta

27 de junho de 2006

Duas cenas de duas copas do mundo:

Dois mil e dois. Copa da Coréia e Japão, no jogo contra a Bélgica, cedo da manhã, eu em São Paulo, fim do primeiro tempo, jogo zero a zero. Não sei porque lembro disto, mas esse era o placar. Tinha de me deslocar para Congonhas, da Vila Mariana, para pegar um vôo para o Rio, um curso. Na época ainda morava em Porto Alegre. As ruas estão completamente desertas, o táxi voa. Chego atrasado para o check-in, “seu vôo fechou há dois minutos, senhor”, me desespero, mas, antes de eu começar a argumentar, alguém surge atrás da moça que me atendia, me dá um bom-dia gentil e diz para despacharem minha bagagem, “o vôo está um pouco atrasado, não tem problema, Márcia”. Agradeço, sigo para o “embarque imediato no portão X” e chego ao saguão de espera onde duas TVs irradiando o jogo estavam rodeadas por pouca gente. Reparo nas pessoas, todos engravatados, senhoras de tailleur, blasés, todo mundo indo ao Rio a trabalho, como eu, bem na hora do jogo do Brasil.

Anunciam o embarque no alto-falante, subimos no ônibus que nos levará ao avião, do outro lado do terminal de passageiros. Dentro do ônibus, um rádio sintonizado no jogo. Eu não entendi direito o que aconteceu, mas a jogada foi descrita rapidamente naquele dialeto de narrador de futebol e terminou com um GOL. No mesmo instante, o ônibus, ainda parado, gente subindo, afundou com o peso da massa de engravatados e senhoras de salto alto pulando em uníssono, digamos assim, para comemorar o gol de Rivaldo. O jogo terminou um pouquinho antes de chegarmos ao Rio, e no vôo ainda nos serviram um champanhe (antes das nove da manhã) para comemorar o segundo gol (este eu não lembro de quem foi) que garantiu o avanço do Brasil na copa. Ou algo assim. Chego ao Rio, tiro a jaqueta de couro, faz um calor inacreditável em contraste com a manhã fria de São Paulo. Lembro de uma cena do Alô Amigos da Walt Disney e, no saguão do Santos Dummont, um Zé Carioca inflável é a primeira coisa que vejo numa loja de suvenires.

Dois mil e seis. Aproveito a diminuição do movimento normal e vou para Porto Alegre rever a família e o Magro. Ele está simplesmente eletrizado com futebol em geral e com essa copa, como qualquer guri saudável entre seis e doze anos. Chego à tarde, no sábado depois do início da copa, e ele fica comigo quase todos os dias até a última sexta. Entre a rotina de levá-lo e buscá-lo na escola todos os dias, pequenas partidas de futebol e treinamentos táticos em campinhos nos parques da cidade ou na garagem da minha mãe quando chovia ou se já estava tarde. Ele está empolgado com a escolinha de futebol, faz gols, sabe driblar, passar bem a bola e chutar em gol. E isso não é papo de pai coruja, mas deixa pra lá. No dia do jogo contra o Japão, saímos logo depois do almoço para bater uma bola, umas duas horas antes da partida. Empolgados, perdemos o horário no parque quase vazio, como também ocorrera nos outros dias dias de jogo: quando eu disse que passava das quatro e meia e o jogo começara, ele ainda quis bater um pouco de bola antes de seguirmos. Acho que o fato de termos um gramado (de futebol sete, vá lá, mas gramado) inteirinho só pra nós influenciou a decisão do moleque. O caminho de volta para casa foi trilhado rapidamente, pois agora ele queria saber quanto estava o jogo. Passamos na frente de uma mercearia e perguntamos o placar. Um a zero pro Japão, nós dois incrédulos. Dobramos a esquina da casa da minha mãe, a ruazinha num silêncio impenetrável e, segundos depois, a explosão geral - gente saindo às janelas dos prédios para berrar ou agitar bandeiras, comemorações mil. Vejo nos olhos do magro o espanto e a sensação de cumplicidade de testemunhar aquele estouro de manada, foguetes, histeria coletiva na rua deserta.

Entramos em casa, ligamos a televisão da sala (minha mãe assistia ao jogo no quarto), perguntamos a ela quem está jogando melhor. Ele me olha e me dá um abraço. “Pai, vamos fazer um lanche?”

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