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Desenhos animados e animes

16 de março de 2007

Para quem não viu, tem atualizações no Cartoons: Naruto, um anime baseado num mangá que já vendeu 50 milhões de cópias e é tipo “O novo Cavaleiros do Zodíaco”, o “novo Dragon Ball”, e um post sobre o Don Drácula, desenho que sete vírgula trinta e três (7,33) entre dez meninas amavam nos anos 80, por causa da Sangria e do Vampiro que só se dava mal. Ãnfã.

Se eu acho que vender 50 milhões de algo é sinônimo de qualidade? Na verdade essa é uma não questão: Independente da qualidade dos desenhos, dos roteiros, dos diálogos ou das produções, animes são os desenhos animados preferidos pela esmagadora maioria das crianças e adolescentes hoje. Para se ter uma idéia do fanatismo da molecada por animes e mangás, a página do Naruto Project, um fã-site (muito bem) feito por meninos e meninas de 13 a 20 anos é uma das dez páginas web mais visitadas do país, com mais de dois milhões de visitas de usuários únicos por mês. O volume de visitas é tão grande (média de cento e vinte mil por dia) que um link na capa do Naruto Project dizendo “visite isto, é muito legal” é capaz de derrubar 95 por cento dos servidores de sites brasileiros, por excesso de tráfego. Tem muito jornal grande e portal que sonha com números desses no Brasil, hehe. Os mesmos jornais e portais que nunca escreveram uma linha sobre o site - que eu saiba.

E, sem nenhum apoio material, apenas por amor aos desenhos animados e animes, há toda uma ’subcultura’ de legendagem, edição e distribuição de desenhos animados que não foram ainda lançados no país. Há um público enorme, fiel, fanático e completamente ignorado pela grande mídia, pelas empresas, pelos próprios pais. Um Uruguay, uma Suíça, uma Noruega de gente que quase não tem de quem comprar, onde assistir, como comentar, onde ler notícias além da própria Internet. Ainda bem que ela existe, inclusive. O Brasil vive num capitalismo acanhado, com medo do risco, em que empreendedores e capitalistas (são coisas diferentes) não têm a menor noção do país em que vivem e da miríade de oportunidades que o próprio país oferece. Enfim.

Por que estou falando disso? Por que o Magro é fanático por animes e me dá um trabalho danado conseguir coisas boas pra ele, ora bolas. :^)

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2046

19 de janeiro de 2006

(Cena de 2046, de Wong Kar Wai) Will you love me?

Se você viu Lost in Translation e gostou, amou, foi o filme da sua vida, não veja este. Sério. Não será um filme pra você. Você talvez não o entenda, provavelmente vai se decepcionar, amaldiçoará o diretor, a mãe dele, desejará coisas feias que não se deseja pra ninguém. Ah, sim, você chamará o cineasta de FRANCÊS, rangendo os dentes e espumando de raivinha. Não, não vá.

Ok, eu avisei.

Ao contrário do filme anterior de Wong Kar Wai, lindo, lindo e, talvez, um pouco confuso, este é lindo, lindo e lindo e ponto. Como no outro, um filme sobre o amor, ou, sobre, principalmente, o quão sutil é o tal sentimento que tem nome de paçoquinha. É a história de um sujeito híbrido de Don Juan com Casanova (segundo Mario Cuomo, em Elogio del Libertino, Don Juan é o sujeito que odeia todas as mulheres e, por isso, quer comer todas elas enquanto Casanova é o sujeito que ama a todas as mulheres e, por isso, quer comer todas elas), jornalista - e há tempos não se via no cinema um jornalista com alguma qualidade -, chinês, bem-humorado e levemente canalha, uma combinação que a mulherada parece gostar - pelo menos no filme.

A trilha sonora é uma viagem particular, começando por meia dúzia de notas de “Não Matarás” de Zbigniew Preisner, passando por excertos muito bem pinçados de óperas de Bellini, boleros clássicos e uma ou outra canção americana dentro do clima da época - o filme se passa nos anos 60. Mas falar de técnica quando se fala sobre uma peça dessas é quase tão mesquinho quanto dissecar um tigre em uma mesa de laboratório em busca dos sinais de sua elegância.

Em algum momento, numa cena importante, um personagem diz “todas as memórias são úmidas” e é impossível não ser remetido a alguma situação em que se tenha secado as lágrimas quietinho, lembrando de alguém, seja lá quem for. Em outra passagem, o personagem principal se queixa para nós - ele é o narrador em off - que o amor é uma questão de timing e essa frase, sem maiores pretensões, parece conter a chave para a compreensão do cosmos. Dá vontade de acender um cigarro em pleno cinema.

Li por aí uma crítica sobre o quão confuso é o filme e o quão canalha é o personagem principal. Confuso? Tenho quase certeza que a confusão estava em algum lugar entre a tela e a poltrona da pré-estréia para jornalistas.

Se não for para outra coisa, seu monstro canalha e insensível, é um bom filme pra levar a namorada e mostrar pra ela que, apesar de durão - you, tough guy - você não é um sujeito sem coração. Mas, por favor, não chore, pra não estragar o personagem. Minha nota para o filme é: Muitas estrelinhas e um tiquete permanente na Arca de Noé. Se o mundo afundar na própria caca e eu for o escolhido pra salvar o que restou dele, esse tem um lugar de honra.

Será Hong Kong o próximo Farol de Alexandria?

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