Arquivo de dezembro de 2007

Uma novidade e tanto

7 de dezembro de 2007

Banner da campanha do Republicano Ron Paul

Acho que ninguém no jornalismo brasileiro falou ainda do assunto e na blogorréia brasileira apenas o André Kenji abordou o tema com mais atenção e propriedade. Previsão: Em breve o Pedro Doria ou o Reinaldo Azevedo (e, com eles, a Veja e o Estadão) começam a falar disso enquanto o resto da imprensa leva mais dois ou três meses até descobrir a “surpresa da eleição americana” (afinal, melhor é falar de CPMF, Renan, aquecimento global e plásticas de atrizes decadentes). Pois vamos a ele:

Há um importante movimento grass roots (”vindo do povão”, digamos assim), baseado principalmente na internet, de apoio ao candidato Ron Paul, do partido republicano, acontecendo nos EUA. Esse movimento organizou no 5 de novembro passado um dia de arrecadação de fundos para a campanha de Ron Paul e conseguiu num só dia angariar mais de 4 milhões de dólares de cerca de 35 mil pequenos doadores, a maior arrecadação num só dia para um candidato através da internet, e suficiente, até o momento, para dar fôlego à campanha nos primeiros estados onde ocorrerão as primárias republicanas. Cinco de novembro é o Guy Fawkes Day, tema do filme V de Vingança e um episódio da História da Inglaterra.

Desde que lançou sua campanha no começo desse ano, Ron Paul era considerado um sujeito sem maiores chances na disputa pela indicação à candidatura pelo partido Republicano, um UNDERDOG. Eleito deputado pelo Texas por dez vezes (os mandatos são de dois anos por lá), foi um dos poucos republicanos a votar contra a guerra no Iraque (por considerar que só o Congresso Americano, conforme a constituição do país, pode declarar guerras, não o presidente), sempre votou pela diminuição do Estado, contra aumento de impostos, etc. Costuma se apresentar - antes dos debates e em suas palestras - como o campeão, o El Cid da Constituição dos Estados Unidos. Foi candidato independente libertário, apesar de sempre ter sido republicano, e é uma figura simpática e afável, mas firme, além de um obstetra que fez mais de 3 mil partos, ex-militar com folha de serviços no Vietnã, bom pai de família (seja lá o que isso signifique), casado há 50 anos com a mesma mulher, essas coisas que os americanos apreciam num candidato.

Pois… depois do sucesso da campanha de 5 de novembro - remember, remember, the fifth of november - seus apoiadores lançaram uma campanha que coincidirá com o dia em que se comemora a Boston Tea Party, 16 de dezembro, o evento que é informalmente considerado o iniciador da revolução americana e o início da guerra de independência do país.

E por que isso interessaria a um brasileiro? Em primeiro lugar, se as idéias - nem tanto a candidatura - do Dr. Paul prosperarem - e elas são absolutamente “revolucionárias” para os padrões da política norte-americana dos últimos 50 anos - o resultado prático será o fim do “imperialismo” (ou o assim percebido) dos Estados Unidos. A principal proposta de Ron Paul é exatamente a de fechar, com o devido tempo, todas as bases americanas no exterior e trazer todos os soldados (na Europa, na Coréia do Sul, nas Ilhas Maurício) do país de volta. “Não temos de ser a polícia do mundo” é o que ele mais diz em seus pronunciamentos. Entre as outras de nota são:

  • Reequilibrar o orçamento e trazer o valor do dólar aos patamares anteriores ao governo Bush. Como? Fechando bases no exterior, cortando gastos, etc. “Parar de imprimir dinheiro sem lastro. Parar de ser financiado pelo exterior”.
  • Terminar com boa parte da burocracia americana, incluindo os equivalentes brasileiros aos ministérios da Educação, CIA (”é um poder paralelo dentro do Estado, incompatível com um regime democrático, inconstitucional e só presente em estados autoritários), boa parte do FBI não dedicada ao combate a crimes federais tipificados, o departamento de Comércio (”para acabar com subsídios que encarecem a vida do cidadão comum”), entre muitos outros.
  • Fim do FED, o banco central dos EUA. Isto, você leu bem.
  • Volta gradual a algum tipo de padrão monetário como o padrão ouro.
  • Fim do equivalente à Receita Federal brasileira e do Imposto de Renda. Sim.
  • Baixar a carga tributária (com o corte de gastos, diminuição do Estado, etc) dos atuais 40% do PIB para algo ao redor de 15%. Como era antes da Grande Depressão.
  • Fim gradual (ou redução a patamares mínimos) do Welfare State. Com tempo para que aqueles que não precisam realmente dos programas achem o que fazer. Com data para acabar.

Se ele vai conseguir ser candidato? Neste instante sua candidatura está crescendo como uma bola de neve e Ron Paul já é o líder em algumas pesquisas para as prévias em alguns estados. Talvez ele vença as primárias em Massachusetts New Hampshire. Os americanos com quem tenho falado falam de uma revolução - que está se espalhando como rastilho de pólvora, de porta em porta e de boca em boca. Se são representativos? Sei lá, mas o espaço em horário nobre nos noticiários (CNN, FOX, ABC, MSNBC e regionais) já vem sendo ocupado pelas idéias de Ron Paul há alguns dias. Sim, e quem leu o acima e conhece Ayn Rand também se deu conta de que o programa dele é exatamente esse. Se Ron Paul passar das primárias do Partido Republicano (ou for candidato independente, como Libertário), provavelmente essa será a primeira eleição americana que eu acompanharei com atenção. E a imprensa brasileira também devia. Até para não ser pega de “surpresa”. Será engraçado ver como os comunistas de plantão das redações explicarão qual é a ideologia do candidato.

Bônus track: Para quem quer entender quais são as idéias, a palestra de Ron Paul para os funcionários do Google (em inglês, claro):

Veja os preços de: DVD, MP3, LCD, Plasma, HDTV, Home Theater.

Onde toda a imprensa erra a mão

4 de dezembro de 2007

Onde toda a imprensa brasileira erra a mão com Hugo Chavez, a situação na Venezuela e a respeito de outras ditaduras:

“The right of a nation to determine its own form of government does not include the right to establish a slave society (that is, to legalize the enslavement of some men by others). There is no such thing as “the right to enslave.”

[...]

It does not matter, in this context, whether a nation was enslaved by force, like Soviet Russia, or by vote, like Nazi Germany. Individual rights are not subject to a public vote; a majority has no right to vote away the rights of a minority.”

Ou, em português:

“O direito de uma nação de determinar sua própria forma de governo não inclui o direito de estabelecer uma sociedade escravizada (isto é, de legalizar a escravização de alguns homens por outros). Não existe isto de “direito de escravizar”.

[...]

Não importa, nesse contexto, que tal nação seja escravizada por meio da força, como na União Soviética, ou pelo voto, como na Alemanha nazista. Direitos individuais não são sujeitos a referendos públicos; a maioria não tem o direito de revogar pelo voto os direitos de qualquer minoria”.

[Ayn Rand]

Veja os preços de: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras.

Pedras morro acima

3 de dezembro de 2007

Nunca soube enfrentar uma situação de luto de uma maneira saudável. Quando Darwin perdeu sua filha, perdeu toda a fé num deus benevolente. Para um ateu, nem isso é possível. Um blog, vida online, vida social, crianças indo para a escola, reuniões pedagógicas, viagens e comemorações, tudo parece supérfluo à luz de certas coisas. E certamente é.

Dito isto, volto a rolar pedras morro acima, como sempre.

Veja os preços de: games, PS2, PS3, Nintendo, Wii, iPod, Livro.