Queremos havaianas mais baratas, presidente
14 de novembro de 2006Já falei antes, mas estão cada vez mais ótemos os artigos do Reinaldo Azevedo nos últimos dias. Gostei muito de um deles, dizendo que função de oposição é se opor, o que pode soar tautológico, reiterante ou o óbvio que pulula nas chagas para qualquer um, mas, parece, foi esquecido pelas oposições. Diz ainda que é um dever que briguem pela redução de impostos, CPMF em primeiro lugar. Justíssimo. Em outro, pede que continuem cobrando pela apuração das lambanças que desde o ano passado pipocaram e ainda não foram explicadas. Cristalino. E que a função da bancada governista é apoiar o governo no que precisa ser feito na opinião do executivo, por mais impopular que seja. Mais claro, impossível. Foi esse o procedimento da bancada do governo nos anos do mandato de FHC.
E não adianta dizer que o PSDB não tem moral para pedir qualquer coisa. Isso é conversa de petista que diz “todo mundo faz, então somos todos iguais”. Já se passaram quatro anos desde que o PSDB saiu do governo federal. Quatro anos. Se, decorridos esse tempo (e calcule também os doze anos desde as primeiras privatizações, em 1995), o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público, as instituições encarregadas de fiscalizar os poderes republicanos não encontraram nada de desabonador contra o governo FHC, todos os que sejam legalistas, democratas e, vá lá, republicanos têm de concordar que não houve malfeito: se a Justiça não condenou, não há culpados. É isso é o que diz a lei e a Constituição. Pelo tribunal permanente dos petistas, até Dom Sebastião já foi condenado à prisão perpétua seguida de pena de morte. E ainda assim não pagou pelos seus crimes, ops, erros.
Pois eu quero, sim, que a oposição defenda a diminuição de impostos e pouco me importa que tenha sido essa mesma oposição que os tenha criado ou expandido, principalmente a CPMF: se não bastasse o fato de o Estado brasileiro ser incompetente - para dizer o mínimo - gerindo nossos impostos (seja qual for o grupo político no poder), imposto que sai da mão do governo serve para dinamizar a economia, aumentar a capacidade de poupança interna e diminuir os preços ao público, numa cadeia virtuosa que tem seus limites, mas que precisa ser implementada antes que o país morra asfixiado. Imposto menor significa pãozinho mais barato, leite mais barato, caderno escolar mais barato, sandálias havaianas mais baratas e um governo popular e preocupado com o povo não pode ser contra isso.
Se pensarmos que a Inconfidência Mineira e a Revolução Farroupilha nasceram de conflitos por impostos que não chegavam a VINTE por cento do PIB e que hoje temos uma carga tributária que está batendo nos QUARENTA por cento de tudo o que se produz no país, teremos uma medida do quão bovinos somos aceitando que o Estado brasileiro ganhe, sem retribuir com quase nada, praticamente a metade do que cada um de nós é capaz de produzir num ano.
E quero ver a bancada governista cumprindo a sua função de governar e defendendo o aumento da carga tributária que vem aí, por conta do aumento dos gastos públicos ocorridos este ano e os já orçados para 2007. Será ainda mais bonito de ver isso acontecendo num congresso que não pode mais votar secretamente qualquer tipo de assunto. Aposto que listas rechonchudas com os nomes dos parlamentares que votarem contra a redução de impostos viajarão por toda a Internet em segundos. Pelo menos poderei saber se meu deputado votou contra ou a favor.
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