Arquivo de novembro de 2006

Uma semana divertida

30 de novembro de 2006

Mozart, compondo o Réquiem para o famoso mascarado.

Esta semana chuvosa ainda está pela metade e anda movimentada por aqui: depois de quase ser atropelado por um colibri na janela da cozinha na segunda-feira, fico sabendo que já chegou às livrarias e bancas de São Paulo e cidades de nota o ilustrado Péntiti!, de Milo Manara e Rudolph Angermüller, tradução minha para a Pixel, edição comemorativa aos 250 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart.

Ontem um conto meu foi escolhido para ser publicado no concurso literário comemorativo aos 40 anos da Unicamp. Well. O resto é só alegria. Mais novidades em breve.

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Links para uma semana divertida

29 de novembro de 2006

O ladrão mais bozó do mundo. BOB SAGGET!

Com trezentos anos de atraso, espanhóis finalmente invadem as ilhas britânicas.

A Itália também não entendeu a Internet.

O naufrágio das Artes Plásticas.

Porco Preto - em chamas - fala dos hábitos alimentares dos presidentes (estômagos fracos não devem clicar neste link).

Gedimar Passos, o araponga petista torturado pelo governo petista.

Afogamento e sufocação são capazes de extrair a verdade de um prisioneiro? Jon Stewart chama seu especialista em assuntos de inteligência para responder à pergunta.

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Jesus é o jardineiro e eu sou o barqueiro

23 de novembro de 2006

O inferno de Dante tinha um cantinho reservado para os coletores de impostos. Para os economistas também. Anteontem José Paulo Kupfer, talvez indignado com os excelentes artigos de Reinaldo Azevedo sobre a carga tributária e o papel da oposição no país, escreveu este artigo no Nomínimo e recebeu um comentário no blog Martelada, do Träsel.

Não sou economista, mas conheço número de economistas suficiente para saber que em uma reunião entre três deles você ouvirá três opiniões distintas e, geralmente, conflitantes. Talvez por isso não haja grande razão para considerar Ciência um ramo do conhecimento em que nunca se chegará a qualquer senso comum sobre quase qualquer assunto. Mas é bonito de se ver o que está escrito lá por Kupfer, e vai entre aspas abaixo:

“A economia se presta a manipulações dos mais variados quilates, menos pela dificuldade de entender seus fenômenos do que pelo fato de que muitos de seus conceitos não são intuitivos.”

Começa, de certa forma, corroborando o que disse acima: nem os economistas são capazes de chegar a um denominador comum sobre qualquer assunto. Muito menos economia. Mais adiante, diz:

“[...]O mesmo problema ocorre com o conceito de carga tributária. Este também não é intuitivo, e o fato de não sê-lo faz a festa dos ignorantes ou, mais grave, dos de má-fé.[...]“

Como bom economista, a razão sempre está do seu lado, e qualquer um que creia que 30% ou 38% do PIB de carga tributária - dependendo do critério que se use - é um acinte para o cidadão de um Estado que devolve pouquíssimo em serviços só pode ser um ignorante, um idiota ou um mal-intencionado. Ou os três, de preferência.

“[...]Muito simples, mas também muito fácil também de distorcer e atender a interesses nem sempre claros[...]“

Que interesses seriam esses, os tais “nem sempre claros”? A frase parece uma dessas pérolas vindas dos obscuros compartimentos cerebrais da esquerda boazinha que vê conspiração e interesses escusos em tudo que signifique menos participação do Leviatã estatal - que tanto amam - na vida cotidiana do cidadão. Pois eu digo quais são os interesses, se nenhum economista “mais bem informado” resolver fazê-lo:

Induzir crescimento econômico? Diminuir o cipoal burocrático que atravanca tudo no país? Retirar um pouco do poder do Estado para que as pessoas possam, num ambiente de liberdade econômica, criar oportunidades e empregos? Esses “interesses escusos” não parecem bastante bons per se?

Por fim, o artigo senta a lenha em todo mundo que paga imposto no Bananão:

“[...] Agora, imagine um corte drástico e linear nos impostos diretos e progressivos sobre a renda individual. Isso, num primeiro momento, aliviaria a vida de todos os que ganham o suficiente para não serem isentos de recolhimento do imposto de renda. Mas, é lógico, favoreceria proporcionalmente mais quem ganha mais. O resultado seria um colapso econômico, com estímulo à produção de bens supérfluos e a falência definitiva de serviços públicos tipo segurança, controle ambiental, pesquisas etc.[...]“

É preciso conceituar o que é um bem essencial e o que é um bem supérfluo aqui: um computador é supérfluo? Se você usá-lo apenas para ler blogs ou colunistas online e jogar paciência spider, sim. Ele não é um bem de capital, não reproduz capital, não dá dinheiro. É só um bem de consumo, dos mais rastaqüeras inclusive. Um telefone é um bem supérfluo? Sim, se você usá-lo apenas para conversar com a avó doente em Anta Gorda ou o seu psicólogo fanho em Brás de Pina. Um telefone celular é um bem supérfluo? Sim, a menos que você seja um cirurgião atarefadíssimo, celulares sempre são supérfluos. Bebidas alcoólicas são supérfluas? Não, é óbvio, qualquer civilização avançada e digna do nome permite o consumo responsável de bebidas alcoólicas. Mas, para certo tipo de economista, tudo que não seja pirão, fubá e macaxeira é supérfluo.

Brincadeiras à parte, o que o colunista omitiu (lembra de que ele falava de interesses nem sempre claros?) é o fato de que, por trás do consumo de qualquer “bem supérfluo”, esconde-se, geralmente, uma enorme cadeia produtiva que dá emprego a milhares de pessoas (eu tu, ele, nós, vós, eles), movimenta a tal roda da economia e proporciona os meios para que os indivíduos atinjam a tal felicidade material. E não é preciso ler nenhum teólogo neoliberal para saber disso: Mesmo um economista comunista como Leo Hubberman diz o mesmo.

Esses dias estava falando com um amigo economista radicado nos EUA que publicou um artigo sobre o nível de investimento chinês e o risco de quebradeira que corre o país dos chinas-pau, principalmente por causa do sistema bancário nebulosíssimo da People’s Republic of China. Ele se horrorizou com a informação de que há muitos anos o nível de investimento brasileiro não passa de 5% do PIB, sendo otimista (para números exatos, pergunte ao seu economista sem viés favorito). Outro amigo meu diz há anos, insistentemente, que os gaúchos sofrem de autismo social e político. Eu creio que o mal, infelizmente, se alastrou pelo resto do país. Mas - você pergunta - quais seriam os sintomas desse tal autismo, meu caro Rico Ferrari? Um bastante claro seria crer que o Rio de Janeiro é uma cidade turística e Nova Iorque não, por exemplo.

No caso do artigo analisado talvez a doença seja outra.

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Isso aqui, ô, ô

23 de novembro de 2006

Marcelo Firpo em movimento lírico, quase um Humoresque em Si Bemol:

O que roubaria, se tivesse conseguido? O troco do caixa, um pacote de cigarros, um pão de meio quilo e uma mortadela? Jamais saberemos. O certo é que não conseguiu e ficou lá, entalado e exposto à execração pública. O primeiro impulso é de rir, claro, mas logo a seguir vem a sensação de estar rindo de si mesmo.

Morar no estrangeiro deve ter esta vantagem, ao menos: quando acontece algo de errado por lá é chato mas não é terrivelmente constrangedor, porque afinal de contas não é o teu país. Tu lamenta, mas não chega a se envergonhar. Em reverso, quando acontece algo de bom no teu país e tu está longe deve ser meio desagradável.

No caso dos brasileiros, a segunda hipótese é cada vez mais remota.

O texto completo aqui.

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De onde se vê o mar

21 de novembro de 2006

Carro Luciana. A filha do dono.

Ontem foi feriado em São Paulo e na maior parte da região metropolitana e aproveitamos para fazer um SAFARI FOTOGRÁFICO aqui pertinho. Fomos conhecer Paranapiacaba que, segundo os informes de inteligência que nos chegaram é “o lugar de onde se vê o mar” em algum dialeto indígena. Dá para perceber nas fotos o tipo de mar que vimos.

Mas foi muito legal, principalmente por que havia poucos de nós, turistas, a companhia era divertidíssima e a cerveja é barata para padrões paulistanos, além de que há coisas a serem vistas, apesar do certo ar de abandono da cidadezinha. As fotos estão hospedadas na nova Galeria de Fotos da Letícia, que personalizei hoje cedo.

Outra coisa em que estive trabalhando esses dias e já está no ar, sem muito alarde, é o mecanismo de busca interno do Embora, que tem indexadas todas as páginas de todos os sites hospedados aqui. Uma busca por Edgar Allan Poe, por exemplo, gera dezoito resultados, a maioria deles na própria Biblioteca do Equívoco. Já uma busca por Literatura Latina dá em outros setenta e um resultados. Creio que agora, depois que publicar esse post, setenta e dois.

Ainda não deu tempo para personalizar o layout para cada site, e é por isso que os outros blogs - fora o Porco Preto, que gostou do sistema e acreditou na minha promessa de que até o fim do mês a pesquisa dele vai estar com o layout certo - ainda estão caindo direto na Biblioteca.

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