Arquivo de outubro de 2006

Resumo da Ópera

24 de outubro de 2006

Gabriel Brust, da Nova Corja, resume o imbroglio:

“Desisto. Passei as últimas três semanas me confrontando com o dilema: votar em Lula ou não? Uma dúvida que, certamente, deve estar sendo compartilhada por muitos eleitores que se consideram de esquerda, que sempre votaram na esquerda e que sempre rechaçaram o tipo de política representada pelo PSDB e, principalmente, pelo PFL. [...]

[...] Reeleger um governo em que quatro dos principais ministros caíram por corrupção é, no mínimo, burrice. Digo mais: é um ato inconseqüente. Talvez criminoso. Reeleger Lula é concordar com as práticas corruptas, com essa forma de fazer política que não é recomendável a país nenhum. Há poucos meses conversei com a ex-deputada espanhola Pilar Rahola, uma esquerdista diferenciada, que propõe uma revolução no pensamento da esquerda de todo o mundo. “Há uma parte da esquerda traindo a liberdade“, foi a principal frase de Rahola. Mas o momento da conversa que mais me intrigou foi quando ela me devolveu uma pergunta, dizendo que não tinha a resposta. Perguntei sobre a corrupção no Brasil, sobre a impunidade. Rahola me respondeu, com um honesto tom de incredulidade: ‘não sei o que ocorre no Brasil. Não sei como um governo corrupto consegue se manter sem sofrer as conseqüências. Há algo de errado em uma democracia assim’ [...]‘

[...]A desculpa de que ‘os fins justificam os meios‘ adotada pela militância petista dá medo. Um estudo breve sobre a história das atrocidades do mundo mostra que essa desculpa costuma estar por trás de atos criminosos. [...]

Dava para resumir mais ou menos assim: Ser de esquerda não obriga ninguém a apoiar um governo que desrespeita o código penal. O artigo todo é preciso e fulcral.

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EMOBRÁS - Documentários

17 de outubro de 2006

Documentários.

Enrolado com outras coisas, fui adiando a estréia do blog sobre documentários que eu e a Lelê estamos aprontando há horas. Ainda estou acertando os detalhes, mas já tem alguns - poucos - artigos por lá. Cerca de sessenta artigos estão prontos, no rascunho, só esperando eu checar os detalhes e fichas técnicas e terminar de internacionalizar o template, que é baseado num template da Letícia e quase igual a este do Sine Nauta Navis.

Documentários? é. Sabe aqueles documentários com um narrador em off distante, cheio de bichinhos a quinhentos metros de distância e bocejando, tipo os da Colônia Transtel? Pois é, não é nada disso. Os documentários, mesmo os para TV, estão cada vez melhores, mais inteligentes e instigantes, melhores que muitos dos filmes de ficção que se vê por aí, e é desses que vamos falar. Falar, criticar, louvar, torcer o nariz ou escarnecer. Confere lá.

Update: Eu não falei, né? Antes que me cobrem, shame on me: a idéia da fonte e o layout inicial para o logo é da master ninja madame-souzá, dona dos colírios Residence e Pillowbook. Agora tá falado.

Update 2: Aproveitando a mão, dei uma atualizada na Biblioteca do Equívoco. Dá uma espiada lá também.

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Outro poema em Transact SQL

13 de outubro de 2006

SELECT distinct(*) FROM table_woman where IsTRUE(she_is_cool) AND IsTRUE(she_is_hot);

(1 row returned)

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A pergunta que não quer calar

12 de outubro de 2006

Reinaldo Azevedo, cada vez melhor, enuncia a pergunta que não quer calar.

“Não é que o povo, como se vê, não saiba distinguir a inteligência da burrice, a corrupção da honestidade. Ele sabe. Mas, por desídia das elites, considera que a inteligência e a honestidade podem não ser seus melhores aliados. Nessa hora, é claro que estamos, como país, dando uma piscadela para o caos. Voltarei a esse tema outras vezes. Por que diabos este país tem mais medo da inteligência do que da corrupção?”

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Pesquisas de opinião

2 de outubro de 2006

Está cheio de gente indignada com as pesquisas de opinião por aí. Não vejo o porquê, sinceramente. As reações bocós às pesquisas variam entre coisas como o Paulo Santana, da Zero Hora, dizendo que o Rigotto - que era líder das pesquisas no RS - perdeu por causa das pesquisas (!) a outros, mais bozós ainda, querendo proibir tudo, como é de praxe nas ocasiões em que um “erro” salta aos olhos.

Qual o problema com as pesquisas? Por acaso os eleitores são gado jungido por malvados indutores de opinião? Sabemos que não. Todo mundo tem suas razões para votar neste ou naquele candidato, neste ou naquele partido e a maioria delas talvez tenha a ver com o bolso do próprio eleitor, no fim das contas e uns poucos casos por outros tipos de afinidades. Se alguém muda o voto por que seu candidato não está bem nas pesquisas, provavelmente é uma minoria que não tem peso no cômputo geral (e talvez fosse bom fazer uma pesquisa sobre isso).

Eu acho engraçada essa mania de crer que as pessoas são influenciáveis como se ainda vivêssemos sob o voto de cabresto dos tempos da República Velha. E que nenhum jornalista tenha, ainda, levantado a hipótese de que as pessoas entrevistadas por institutos de pesquisa possam, simplesmente, omitir seus votos no “não sei / indeciso / brancos / nulos”, por não confiarem em gente que lhes pergunte “em quem você vai votar?”. Ah, é, isso jamais aconteceria, as pesquisas são científicas. São tão científicas como todas as pesquisa no Mondoestudo, garanto.

No RS, provavelmente esse foi o caso.

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