Aos Gaúchos que ainda apoiam a causa Palestina

Por Láudano Sine Nauta Navis

Se você não lê em inglês ou não confia na tradução, peça para algum amigo libanês ou descendente que fale árabe dizer-lhe do que se trata. Esses filmes são feitos pela MEMRI, Medium East Media Research Institute, que se dedica a verificar o que está sendo dito na mídia do Oriente Médio e que não é muito conhecida aqui no país do Balaco-baco.

Hamas - On Martyrdom

Há um artigo de 2005 do Le Monde Diplomatique questionando a honestidade de tais vídeos. Não custa lembrar que o Le Monde Diplomatique é aquele jornal que apóia o Hugo Chavez, o Lula, o Fidel Castro e todo e qualquer ditador ou projeto de ditador que seja contra os Estados Unidos e tudo isso que está aí. Eles também acham, nesse jornal, que qualquer israelense, judeu ou homem livre do mundo que considere infame treinar crianças desde o berço para que se matem com um cinturão de bombas, matando todos mais que estiverem à volta, é um agente do Mossad. Como diria um francês: Ils ont un parti pris - eles escolheram de que lado estão - e este é o lado da barbárie.

Se o governo do Líbano estivesse REALMENTE interessado em terminar a guerra, teria forçado o Hesbolá a devolver os dois soldados israelenses seqüestrados. Proteger os seus cidadãos, essa é a função primordial de qualquer estado, e talvez a razão única para a existência de estados: algo que o Brasil faz mal, os países árabes que toleram homens-bomba fazem mal e Israel - entre alguns poucos outros - faz muito bem.

Não me interprete mal: Eu sou (ou era, sei lá) de esquerda, mas não é possível compactuar com o tipo de coisa como a mostrada no vídeo acima. Como também não é possível compactuar com o PERONISMO do Lula ou o maoísmo tardio da Heloísa Helena e do PSOL.

Se devemos todos - e devemos - respeitar a convenção de Genebra, que os dois lados a respeitem. Se o Hesbolá faz parte do governo do Líbano - e faz - então o problema é entre dois estados e não só entre um estado e uma organização terrorista. Se o Hesbolá, além dos homens-bomba, atira foguetes a esmo no território de Israel, e faz parte do governo libanês, como já dito, então qualquer estado constituído, em nome do bem-estar e segurança dos seus cidadãos, faria o mesmo que Israel está fazendo.

Se os gaúchos (e é para eles que estou escrevendo isso, principalmente para alguns dos meus familiares que eventualmente lêem esse blog e estão indignados com a “reação desproporcional de Israel”), que vivem num estado que foi mais ou menos conquistado à bala, e em que os conflitos de fronteira apesar de terem terminado há mais de cem anos ainda estão vivos na memória, estivessem, digamos, recebendo na cabeça diariamente foguetes do, por exemplo, Movimento Tupac Amaru, do Uruguay, e esse movimento fosse parte do governo uruguaio e reinvidicasse, suponhamos, a “devolução incondicional e irrestrita do território do Rio Grande do Sul, conforme os termos do Tratado de Tordesilhas de 1494″, tenho certeza de que todos os que estão aí, nessa bela e pacata cidade de Porto Alegre, nesse exato instante, se tornariam os mais fervorosos defensores da retaliação imediata desses atos terroristas provenientes de uma facção (está na moda a palavra, né?) do governo de um estado vizinho.

Nenhuma guerra é bonita de se ver. Eu sei que são as crianças as que mais sofrem em qualquer guerra. Eu sei que isso é horrível. Mas, me diga, e seja sincero e honesto depois de ter assistido ao vídeo acima: Há alguma negociação possível com esse Tupac Amaru Libanês? Você acredita mesmo que se houver um cessar fogo agora eles poderão, depois disso, sentar-se e negociar civilizadamente?

Eu sou pai, vocês sabem disso. Alguns de vocês também são. Agora, me digam e sejam honestos: em nome de qual causa vocês destinariam algum (ou todos, como em algumas famílias palestinas) dos seus filhos a morrer como uma bomba humana, matando todo e qualquer transeunte - militar ou não - que estiver ao seu redor? Vocês conseguem imaginar o Magro sendo treinado pra ser homem-bomba? Que tipo de loucura acomete um pai que faz isso? Em nome de quê? Por que Israel - a única democracia do Oriente Médio - deveria se preocupar com as crianças (os tais efeitos colaterais) de gente que manda seus próprios filhos morrer e matar civis de forma tão ultrajante e abjeta? Você se preocuparia com os filhos dos Tupac Amaru que estivessem reinvidicando o RS de volta e explodindo homens-bomba no Brique da Redenção aos domingos?

Aposto um dedo que tu ia estar cagando e andando pra eles, TCH. Y sigue el baile.

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2 comentários para “Aos Gaúchos que ainda apoiam a causa Palestina”

  1. Big Muff » Arquivos » Não ia me manifestar Diz:

    [...] Não concordo com absolutamente tudo e nem quis ver o vídeo para não me deprimir, mas esse post do Laúdano deve ser lido e bem refletido. Especialmente por aqueles conclamados no título do texto, indivíduos bastante comuns aqui n’O Estado da Resistência Cultural. [...]

  2. Filisteu » Blog Archive » Não esperava Diz:

    [...] Uau, o Láudano não é só bem mais belicoso do que eu no quesito Israel-Líbano, ele também é menos paciente com o governo libanês, menos caridoso com as vítimas civis libanesas e disposto a fazer o tipo de analogia (nesse caso, RS-Uruguai) que eu não me sinto confortável fazendo. Bem mais. Depois dessa, acho que serei forçado a me filiar ao PT e aprender a cantar Kumbaya. [...]