Arquivo de abril de 2006

Mamãe, eu colei na caligrafia

11 de abril de 2006

Eu tentei, eu juro, mas não deu pra mostrar minha caligrafia DE VERDADE. Mas tá aqui o desafio da nena:

O que ela não contou no desafio é que a frase acima contém TODOS os caracteres possíveis na língua portuguesa. Acentos, cedilhas, tremas, letras banidas. Ãfã.

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Por que me Afrânio do Brasil

10 de abril de 2006

Seis semanas foi o tempo que demorou a licitação para decidir qual o pool de empresas seria o responsável pela rede wireless que cobrirá toda a cidade de São Francisco, na Califórnia, já no início do ano que vem. Seis semanas. SEIS SEMANAS. Um mês e meio ou 45 dias, conforme a contagem. Eu saí pela casa, há pouco, repetindo, SEIS SEMANAS, SEIS SEMANAS, para espanto da minha mulher (que não costuma se espantar com minhas estranhezas). Há quanto tempo se está decidindo qual será o padrão para TV digital? Quatro, seis, oito anos? Quanto tempo levou para se decidir o modelo de acesso à Internet no Brasil, nos anos 90?

Nesse tempo, dava para ter inventado dois ou três padrões de TV Digital diferentes: Em quatro anos os americanos ganharam uma guerra contra o exército mais poderoso do mundo. Esse mesmo exército que tinha sido equipado e treinado em seis anos, mais ou menos. Seis anos é o que o Google levou para se tornar uma das maiores empresas do mundo. A usina de Volta Redonda levou menos de seis anos pra ser construída. Seis meses foi o tempo que levou para se decidir por sua construção. Seis anos é o tempo que levava na década de 80 pra que um novo modelo de automóvel saísse da prancheta para as ruas, hoje é menos. Seis anos atrás não havia redes wireless. Dois anos foi o tempo que levou a monstruosa briga de padrões entre formatos de DVDs graváveis. E o Brasil leva seis anos para decidir uma coisa rolha como um padrão de TV. Sim, rolha fixa, que não sai do lugar: Não salva o mundo. Não triplica o PIB. Não cura o câncer. Só atrasa um pouco mais a vida de todo mundo.

Não é de surpreender se, quando a decisão sobre o padrão da TV Digital brasileira finalmente for tomada, todo o mundo civilizado estiver vendo TV pela web e emissoras de TV por broadcast sejam coisas tão importantes quanto agulhas de toca-discos ou motores carburados. Do BBB, das enrugadas da novela das oito, quem escapou ou não da cassação, pra qual seita esse ou aquele candidato dá a b* e da dancinha da deputanta, disso o país inteiro sabe. Um lugar cansativo.

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A casa dos deuses

8 de abril de 2006

Está no ar o The Residence Of The Gods, o blog sobre lindezas literárias de madame Sallaberry, vulga Madame Souzá. A promessa é de muitos livros antigos, fontes, histórias fantásticas e bom humor, coisa que madame tem de sobra. O nome do blog é uma piada interna (sim, eu adoro estragar essas coisas) com uma senhora que chamou uma conhecida loja de Pinheiros de Casa dos Deuses. Madame Sallaberry, revoltada, resolveu contra-atacar jogando seus incunábulos sobre a incauta.

Esse também é o primeiro blog do Embora, um brinquedo meu e da alemoa que estará no ar pelos próximos três anos, pelo menos, salvo se algum acontecimento envolvendo artefatos nucleares sinistrar nosso provedor e todos os outros em um raio de, digamos, oito mil quilômetros. Divirtam-se e coloquem o The Residence of The Gods em seus leitores de RSS pra não perder a festa.

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Mais uma Itaipava, garçom

7 de abril de 2006

- Você viu? a Velhig provavelmente vai fechar.

- Grande bosta.

- Como assim? Uma empresa que tem história. Uma empresa com raízes. Milhares de funcionários. O governo devia fazer algo.

- Uma empresa cheia de dívidas. O governo devia era cobrar o devido (e pagar algo a ela, se estivesse devendo). Se fosse a Xixa-Xuz falindo, ninguém daria bola. Até iam dizer “melhor, assim diminui o consumo de cigarro”. E a Xixa Xuz tem muito mais história e muito mais gente depende dela que a Velhig.

- Cacete, meu, você tá sempre arrumando argumentos estapafúrdios.

- Estapafúrdio é dar foros de tragédia ao fato de que uma empresa com dívidas e mal gerida por dez anos geralmente quebra. Ou deveria quebrar.

- E você não pensa nos milhares de pessoas que vão ficar desempregadas?

- Eu penso é que ninguém falou ainda quem vai substituir a Velhig nas linhas internacionais. Isso é que devia preocupar os bozós. Mas, com certeza já está decidido por alguém lá em Brasília e, com certeza, será a pior das empresas que restar.

- Isso é verdade. Já devem ter decidido.

- Além do mais, emprego é o que não falta: Se um sujeito que é piloto de avião não consegue emprego numa outra compania aérea, que vá voar teco-teco para algum táxi-aéreo. Ou ser motorista de caminhão, ora bolas. Tá no mesmo campo semântico. Droga, acabou a cerveja de novo.

- E as aeromoças, garçonetes? Come on.

- É. Garçonetes ou donas de butique. Não imagino uma função mais apropriada pra uma aeromoça bem voada que o de dona de butique.

- O garçom tá dizendo que não tem mais Itaipava. Só tem Bulêmia e Vicinal.

- Vamos pra outro bar, então. Essas cervejas da Amblog são intragáveis.

- Vamos pra Vila, então. Tem mais mulher. Esses botecos aqui estão uma merda ultimamente. Ah, e me empresta uma grana, tô quebrado.

- Pede pro governo te emprestar, vagabundo.

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O problema

6 de abril de 2006

- O problema são os argumentos vicinais.

- Hum?

- Você lê os palpiteiros brasileiros e seus argumentos são a mais extensa ponte ligando Cachoeiro do Itapemerim a, sei lá, Xanxerê, no triângulo do X.

- Triângulo do X?

- É, Xaxim, Xanxerê e Chapecó.

- Chapecó não se escreve com X.

- É disso que estou falando, entendeu? O problema são os argumentos vicinais.

- Garçom, traz mais uma Itaipava.

- E bem gelada que a última estava meio vicinal.

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