- Você viu? a Velhig provavelmente vai fechar.
- Grande bosta.
- Como assim? Uma empresa que tem história. Uma empresa com raízes. Milhares de funcionários. O governo devia fazer algo.
- Uma empresa cheia de dívidas. O governo devia era cobrar o devido (e pagar algo a ela, se estivesse devendo). Se fosse a Xixa-Xuz falindo, ninguém daria bola. Até iam dizer “melhor, assim diminui o consumo de cigarro”. E a Xixa Xuz tem muito mais história e muito mais gente depende dela que a Velhig.
- Cacete, meu, você tá sempre arrumando argumentos estapafúrdios.
- Estapafúrdio é dar foros de tragédia ao fato de que uma empresa com dívidas e mal gerida por dez anos geralmente quebra. Ou deveria quebrar.
- E você não pensa nos milhares de pessoas que vão ficar desempregadas?
- Eu penso é que ninguém falou ainda quem vai substituir a Velhig nas linhas internacionais. Isso é que devia preocupar os bozós. Mas, com certeza já está decidido por alguém lá em Brasília e, com certeza, será a pior das empresas que restar.
- Isso é verdade. Já devem ter decidido.
- Além do mais, emprego é o que não falta: Se um sujeito que é piloto de avião não consegue emprego numa outra compania aérea, que vá voar teco-teco para algum táxi-aéreo. Ou ser motorista de caminhão, ora bolas. Tá no mesmo campo semântico. Droga, acabou a cerveja de novo.
- E as aeromoças, garçonetes? Come on.
- É. Garçonetes ou donas de butique. Não imagino uma função mais apropriada pra uma aeromoça bem voada que o de dona de butique.
- O garçom tá dizendo que não tem mais Itaipava. Só tem Bulêmia e Vicinal.
- Vamos pra outro bar, então. Essas cervejas da Amblog são intragáveis.
- Vamos pra Vila, então. Tem mais mulher. Esses botecos aqui estão uma merda ultimamente. Ah, e me empresta uma grana, tô quebrado.
- Pede pro governo te emprestar, vagabundo.
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