Mamãe, eu não aceito críticas

Porque sei que sou um escritor medíocre (e nem conheço a fundamental regra dos porquês), não aceito críticas à minha literatura. Assim é: quanto pior o autor, mais vaidoso, feroz e irascível a qualquer crítica.

Na verdade, minha literatura (aspinhas com os dedos - sim, eu não vou dar créditos a quem não os costuma devolver, miércoles) está convenientemente guardada nas gavetas, desde há já vinte anos. Vinte anos vamos acumulando papéis, eu e as minhas gavetas, porque (olha só, outro porque errado - e mais outro, no parênteses) eu não conseguiria suportar o peso titânico da Verdade Inabalável (mais aspinhas).

Porque (você está contando os erros gramaticais com os doze dedos, aposto) a Verdade (aspinhas) é essa mesma (qual será a concordância correta aqui? Gosh): Pôr um livro na roda (putz, que expressão suburbana essa) publicar algo para o deleite, desfrute e escrutínio de outrem é isso. Se você é incapaz de conviver com críticas, faça como eu: não publique. Arteterapia também é importante. Se você acha insuportável que algum crítico, por mais venal ou analfabeto que ele seja, considere algum outro escritor, contemporâneo seu, melhor que você, economize os linotipos e as rotativas que imprimiriam seus livros e dedique-se a outra atividade. Ler é um ótimo substituto. Dizem que abraçar as árvores poupadas do abate, também.

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