Mais um Jihad

Por Láudano Sine Nauta Navis

Minha mãe chegou há alguns dias pra ficar uma semana e a TV aqui de casa, sempre desligada em outras ocasiões, voltou a mostrar todo o dia o Jornal Nacional. Ontem ou anteontem, provavelmente uma das cenas mais engraçadas na TV nos últimos anos, no Jornal Nacional, protagonizadas pelo governador do Paraná e nosso sereníssimo e esbelto líder.

Hoje, depois do lanche com torradas (mishto queintch) e suco (de maracujá pro magro e pra alemoa, de cevada pra mim e pra minha velha), mais Jornal Nacional. Percebe-se que a Globo voltou a investir em jornalismo, correspondentes internacionais e estas coisas. Interessante.

Mas a cena do dia foi o quiprocó das charges, com gente na Síria ou em outro buraco desses onde as pessoas não usam desodorante e não se cumprimentam com a mão esquerda, queimando umas embaixadas (só pra exercitar). Num take, mostram uma turba muçulmana fazendo uma grande fogueira. O magro se adianta:

- Pai, eles tão queimando livros! Que bando de filhos-da-p! Eles são católicos?

Silêncio constrangedor na sala. “Não, magro, são muçulmanos”, eu digo por fim.

- Que bando de filhos-da-p. - ele repete, com o mesmo ódio infantil que eu senti pelos milicos quando explodiu a bomba no Rio Centro (que, se não tivesse sido um gol-contra dos milicos, teria matado centenas de pessoas num show).

Em trinta ou quarenta anos a geração dele vai estar tomando conta do mundo e nós todos velhinhos ou mortos. Será uma velhice movimentada, podescrer.

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