Arquivo de março de 2005

Chocolate con Leche

30 de março de 2005

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Onanismo

29 de março de 2005

Apenas um onanista conspícuo seria capaz de descobrir esta. O rapaz é uma parada.

Fora de brincadeira: o assunto é bom e a rapaziada no insanus está dando uma lenha legal no mesmo. Mande você também um email para a Istoé reclamando do problema.

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A propósito

29 de março de 2005

Parece que agora virou moda fazer churrasco na sexta-feira santa em Porto Alegre.

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Toca Raul, Paulo Coelho

29 de março de 2005

Quinze dias em outro lugar, daí pra Porto Alegre para o churrasco da Sexta-Feira Santa, mais dois dias com a família, um pileque fenomenal (não sei o porquê, mas Porto Alegre me dá uma bruta vontade de ficar bêbado) e depois voltar pra rotina, decidido a usar menos e menos vírgulas, sempre que possível.

O rescaldo das épocas no liquidificador sempre é bom: bombons de tequila, chocolate Carlos V, alguns sorrisos e boas gargalhadas, olhares não sociológicos.

O título do post é uma referência cifrada a um culto pagão.

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Primavera

20 de março de 2005

Amanhã é o início da primavera no hemisfério norte e aqui, além dos festejos nas pirâmides do Sol e da Lua, toda a cidade do México está em festa e a segunda, 21, é feriado nacional. O impressionante, nesse início de primavera, é a quantidade de jacarandás floridos nas principais avenidas da cidade (já ouvi gente dizer que só em Porto Alegre existe jacarandá). No Paseo de la Reforma, são centenas.

Hora de ir arrumando as malas pra voltar pra amada, salve, salve. E a metáfora “Montevideo com elefantíase” continua fazendo sentido, depois desses dias todos. Outro dia eu (não) desenvolvo mais sobre o assunto. Sei que, se alguém me contasse a quantidade de coisas que me aconteceram (e que podem continuar acontecendo, vá saber), eu não acreditaria. Uma das viagens mais divertidas que fiz até hoje na vida - e não tem nada a ver com alguma qualidade intrínseca da cidade. Mesmo que, das 9:00 às 18:30, eu estivesse cumprindo minhas obrigações trabalhistas, etc. Quinze, trinta.

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Talvez

17 de março de 2005

Das muitas razões pelas quais, talvez, seja bom viver, uma delas são as coincidências. Aí está você esquerdista, integralista, darwinista, neocon (p* no c* dos neocons) ou simplesmente um sujeito sem maiores partidos, vivendo sua vidinha, pagando o condomínio, a luz, a água em dia (ou, se você for integralista, quase sempre deixando os mesmos para seus pais pagarem), e uma criança, cuja mãe entra em licença por este motivo, nasce em algum lugar distante.

Procuram alguém para substituí-la e escalam a você, que de uma sexta-feira até a outra quarta, entre a notícia e compra de passagens e o desembarque, está numa grande cidade a dez horas de vôo de distância de sua casa, instalado num hotel simples numa região turística, quase um Jardins ou Ipanema, uma Cidade Baixa, talvez. Você conhece o idioma do lugar, talvez genericamente, e é capaz de se locomover moto proprio, onde quer que queira. Decide tomar um café - você, pelo menos, considera-se civilizado à moda antiga e despreza gente que se entupa de comida rápida em lanchonetes que fedem a detergente, seja de quais partidos forem - num dos muitos cafés ao ar livre da cidade e conhece, talvez por acidente, duas sino-canadenses do Quebec, perdidas com o idioma. Oferece-se como intérprete, troca impressões sobre o lugar onde estão, falam amenidades e bobagens engraçadas até que alguém, talvez de outra mesa o confunde (pela barba, talvez) com um sujeito mais ou menos conhecido no país, um escritor da nova geração, para ser mais preciso.

Elucidado o equívoco, você se apresenta também como escritor (vanitas vanitatis), o que vale um “que coincidência”, prontamente respondido com um sorriso sincero de sua parte. A mi me encantan las coincidencias. As pessoas que o confundiram com o outro escritor sentam-se à sua mesa e em minutos, você passa de um sujeito só num café a um escritor estrangeiro com quatro novos amigos, dois do país e duas estrangeiras. Combinam um passeio com as canadenses, estudantes de arqueologia, que precisam ir ao hotel e você sai com os dois novos amigos, uma publicitária e um “periodista” para conhecer outros bares e outros lugares da cidade.

Quando sentam num café animado, no bairro boêmio, alguém cumprimenta seu amigo periodista e toma lugar na mesa. Em segundos você descobre que esse alguém é um dos roteiristas de um dos filmes que você mais gostou nos últimos tempos. Começam a falar de literatura, das coincidências, de cinema e tecnologia, recomendam-lhe uma série de escritores locais (que você toma nota, para verificar depois) da nova geração. Mostram-se conhecedores da cultura de seu país (muito mais que você da deles) e lhe pedem recomendações de novos escritores, pois, veja só, todos na mesa também lêem em português e têm curiosidade sobre o país de onde você vem. Você recomenda alguns dos jovens que crê são os mais representativos da atual safra de escritores do país, além de outros autores que julga bacanas.

Concordam que, talvez, Emir Kusturica e Julio Medem sejam os melhores cineastas vivos, lamentam a dificuldade de intercâmbio de bens culturais entre os dois países e outras amenidades. Você bebe até duas esquinas antes da indelicadeza e volta pro hotel, com a sensação de que talvez esteja dentro de um liquidificador nos últimos dias e que isso é bom. Talvez.

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Primeiras impressões

14 de março de 2005

Já o quarto dia na cidade do México, no meu posto de trabalho em frente a avenida Ejercito Nacional, num décimo andar de escritório. Cheguei na quinta passada, via Varig, sem grandes expectativas além das de trabalhar como um mouro e, eventualmente, fazer alguns passeios mais ou menos bacanas na cidade.

Enquanto o avião sobrevoava a cidade, minutos antes do pouso, 3500m, a primeira “surpresa”: Uma pirâmide azteca, rodeada por um bairro que lembrava muito uma favela vista do alto. Mais tarde comentei com os colegas de trabalho e nenhum deles soube dizer qual seria. De qualquer maneira, seja lá o que tenha visto, era muito grande em comparação às casinhas minúsculas que a circundavam.

Ao descer no aeroporto, assim que me vi livre da imigração, encontrei um perfume de flor de corticeira, intenso, familiar, no primeiro saguão. Não sei se em algum outro lugar do Brasil além da região da Campanha no RS as corticeiras florescem vermelhas e perfumadas quase até a náusea, então não sei se esta é uma imagem olfativa mais ou menos compreensível. O fato é que este foi o perfume que me recepcionou na chegada, esse sim uma surpresa que me remeteu a cavalgadas em manhãs geladas na beira do riacho que contornava a fazenda no fim do mundo em que trabalhei no início dos anos 90. Isso ao desembarcar numa cidade com 22 milhões de almas. Weird.

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Deus dá cremogema a quem tem dentes de sabre

8 de março de 2005

Quantos eu já conheci que queriam ir pra lá? Pra mim sempre me pareceu destino de maconheiro americano. Se der pra pegar um autógrafo com El Chivo, já valeu.

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