Qué te puedo decir?

Por Láudano Sine Nauta Navis

“Qué te puedo decir?” - ela me perguntava, enrolada no lençol, sobre a cama. Eu fumava, já sentado perto da escrivaninha, ainda sem me vestir.

“Qué te puedo decir?” - insistiu, talvez exigindo uma resposta, mesmo sabendo que a resposta seria nenhuma.

“Nada, não diga nada” - eu disse por fim. Fiquei olhando os rolos de fumaça do cigarro e pensei que aquilo era uma cena de romance policial barato.

“Que te puedo decir” - ela repetiu, com uma voz quase extinta. Olhei para ela, já não olhava pra mim, para nada. Fiquei espiando seu perfil de nariz arrebitado e sobrancelhas grossas e duvidando de que alguma vez ela tivesse estado ali, comigo. “Ela é triste demais, é isso”, eu disse alto.

“Qué pasa?” - ela disse, acordando do transe.

“Nada eu estava em outro lugar, pensando em outras coisas”.

“Yo también. Pero te quiero. Mucho. Más que a nadie en toda mi vida.”

Ainda tomamos um banho juntos, deixei-a em casa. Nunca mais nos vimos.

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