Depois de uma sessão Julio Medem
Por Láudano Sine Nauta NavisE lá vamos nós, todos, convictos das próprias idéias, dia após dia, morrendo sem saber, nos espantando de banalidades e deixando o sublime passar como se fosse outra banalidade. E vamos rompendo o silêncio com nossas vozes esganiçadas, no fracasso de preencher o tempo entre uma tarefa e outra.
Eu me sinto feliz entre meus livros, meus filmes, meus computadores, mas sobretudo entre algumas - tão poucas - pessoas. E sempre me pergunto se há algo de errado nisso? gostar verdadeiramente de poucas pessoas e acreditar que quase todos os outros fazem parte do cenário. Me dizem que é errado, mas não consigo ver onde está esse meu erro. Até porque a maioria dos que me censuram sofrem das mais conspurcadas e banais vaidades, amam ao próximo pra figurar bem nas manchetes, são humanistas por obrigação.
O exílio é tão reconfortante quanto uma tarde ensolarada de primavera, zum-zum de insetos em desespero reprodutivo, é quase tão bom quanto o sorriso de um filho que recém aprendeu a se equilibrar numa bicicleta.
O exílio é tão bom que nem é bom falar dele.
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