Outubro

Por Láudano Sine Nauta Navis

Outubro e novembro são os dois melhores meses do ano, pra mim. No Sul, a chegada da primavera, a feira do livro, a estação das pitangas. Aniversários de amigos, de parentes. Em São Paulo, a Mostra e exposições.

Domingo fomos ver “A vida é um milagre” do Kusturica, o cara que, desde Les Temps des Gitans, tem feito o mesmo filme. Este, em especial, tem uma estrutura narrativa muito semelhante à do “Gato Preto, Gata Branca”, e abundam as fixações do diretor que são as delícias de outros filmes dele. No sábado, Whisky, uruguayo, um filme cheio do humor típico dos montevideanos e rodado entre Tres Cruces, Ciudad Vieja e Piriapolis, em locações chinelas, que quase não condizem com o que há de legal na cidade, mas enfim: Foi bom passar duas horas nas ruas de Montevideo, mesmo que dentro do cinema.

Há poucas pessoas vivas no mundo que eu venero. Contando nos dedos, mal encheriam a mão esquerda. Três deles são diretores de cinema: Julio Medem, Emir Kusturica, Nikita Mikhalkov. Cada um deles tem sua maneira de fazer poesia sem ser enfadonho (pá mi gusto), prolixo ou pedante. Todos excelem naquilo que é a função primordial do cinema ou qualquer outra “arte narrativa”: contam bem histórias. Todos são mestres na difícil arte de retratar, através da narrativa, o amor, esse sentimento que, segundo o Ruy Goiaba, tem nome de paçoquinha. Teatro e cinema são fingimento (ó, tautologia), mentiras bonitas como uma história de um vovô bom de prosa. Há que se tirar o chapéu àqueles que conseguem fazer, através de um roteiro bem amarrado e bem dirigido, com que acreditemos que aquela mocinha bonita está apaixonada de verdade pelo zémané protagonista. Eles quase sempre conseguem.

Isso só pra dizer que, sim, eu me apaixonei perdidamente pela Sabahha. Mas só enquanto durou o filme, ok? Ah, outubro. Que pena que ele termina tão rápido.

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