Resumo da ópera

Foram duas semanas de comida horrível nos cafés da manhã, por falta de opção, e de grandes passeios após as 5 da tarde e nos fins-de-semana. De tudo o que vi, Boston foi o que havia de mais legal, até pelo fato de eu ser um sujeito urbano, no fim das contas. Lamentei não ter podido tirar mais fotos (metade delas não saiu, por defeito e falta de bateria da puta da Aiptek) ou ter levado o magro ao Museum of Science, de Boston. Não que o Museu da Ciência de lá seja extremamente mais interessante que o da PUC, em Porto Alegre, mas a diferença de foco até pode fazer o passeio interessante. As fotos que tirei ao lado de pedaços de um Univac e de um PDP-8 valeram a pequena viagem, pra dizer o mínimo. No mais, a Nova Inglaterra é uma Alphaville povoada de SUVs e motocicletas pra gordos. Gastamos mais de dois tanques de gasolina por estradas ok, com alguns buracos aqui e ali, ao contrário do imaginado por alguns amigos que já estiveram por lá, encontramos filiais das lojas que todos desejam visitar, conversamos com gente de todo o planeta, até mesmo americanos, demos um passeio engraçadíssimo pelas praias de Rhode Island com a americana mais cara-de-pau do mundo (thank you, Debbie, you’re great), recebemos o rescaldo dos furacões da Flórida em forma de chuvaradas bem semelhantes às que se vê em Porto Alegre ou Montevideo nos outonos, enfim.

Descobri que se faz bons Shiraz na Austrália e que o vinho da Califórnia continua sendo uma zurrapa, que até os americanos sabem o quanto custa uma garrafa de Almaviva (78 dólares mais sete por cento de impostos), que nos bairros latinos há PANADERIAS onde se faz pão de verdade (francês! francês!), que a quase totalidade da carne que se come por lá tem gosto de carne de gado playmobil. Tive a oportunidade de praticar francês algumas vezes, numa delas com uma tiazinha muito simpática, dona da loja de playmobils (que vão fazer a felicidade natalina dos petis de Porto Alegre) que, ao contrário de todo mundo, achou que meu sotaque era francês, ao contrário do russo habitual, e sampou um bienvenu aux États-Unis, na terceira frase.

Conheci algumas pessoas bacanas na empresa, um sujeito que conhece Silicon Graphics o suficiente pra gastar o seu latim por meia hora comigo sobre o como é lamentável a SGI ter ido pro brejo tão bestamente, uma mina da California que era a cara (e o resto) da Giselle Bündchen, mas com mais bündchen, e que era apaixonada por aquilo que ela pensa ser o Brasil, etc. O sebinho em South Kingston era maravilhoso, a Barnes & Nobble meio “barroca” demais, não encontrei uma cópia em qualquer meio do The Master Of Ballantrae do Stevenson, que estava em todos os catálogos e em nenhuma prateleira. Deixei pra trás, em Boston, uma cópia encadernada em couro das obras completas de Thoreau pra alguma outra oportunidade e estou meio arrependido. Comprei quase vinte quilos de livros de arte MARAVILHOSOS e de quadrinhos do Bill Waterson, tudo por menos de 60 dólares, depois de alguns dias de pesquisa. E teve o Walton (boa noite, John Boy), que fez sucesso no check-out de segurança, rumo ao aeroporto de Washington, Dulles. Ver uma rena de pelúcia cantando “Jingle Bell Rock” enquanto atravessava o aparelho de raio-x foi uma das cenas mais engraçadas da viagem.

Mas espero que a próxima, se houver, seja na Europa, if you got what I mean.


Walton, aclimatando-se aos trópicos em cima da geladeira.


Allan Poe, ao lado de Walton, dizendo America, never more

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