Quem terá sido o sábio do marketing que bolou a nova campanha do Email Protegido do Terra? Parabéns a ele, a campanha é muito boa. Ela funciona assim: Você, assinante, tenta entrar no seu email pelo webmail. Recebe uma tela muito semelhante à de login do webmail, com um contrato abaixo. Como todo mundo, você não lê todo o negócio que é comprido e cheio de artigos como uma constituição brasileira (deve ser uma mudança de regras de segurança ou alguma outra baboseira sobre comportamento em emails, foda-se - você, ananá, pensa).
Ao clicar ok, você recebe a maravilhosa notícia de que assinou o Email Protegido Terra e estará contribuindo com R$ 7,90 a mais com o bem estar do Terra e de seus funcionários.
Ok, você pensa, ok, boa essa, muito boa essa. Caí. Vamos lá cancelar.
Você acessa a central do assinante, procura acima e abaixo e não há a opção de cancelar o serviço recém-contratado. Já meio desconfortável você pensa: Onde está o zero oitocentos do Terra? O número que você tem - você é assinante dos serviços da empresa há mais de oito anos e foi funcionário da mesma antes de a Telefônica a ter comprado - e descobre que esse zero oitocentos não é mais válido. Ok, vamos procurar no site do Terra. Não há uma página no mesmo indicando qual o número, ou está escondida o suficiente a ponto de manter a informação secreta a todos. São 23:45 da noite. Você procura no google e encontra o número no site da Abusar, aquela associação de usuários de banda larga que presta um monte de serviços para ananás como eu e você.
Liga para o zero oitocentos, enfrenta algumas URAs (aquelas vozes automáticas que dizem pra escolher um número ou outro, dependendo da área com que quer falar) e, ao falar com um ser humano, funcionário terceirizado do suporte, descobre que, mesmo em roaming - sua conta é de Porto Alegre, sua cobrança em débito automático é feita num banco de Porto Alegre - não pode ser atendido pela pessoa do suporte - sempre muito atenciosa e mecânica, seguidora de processos - pois para São Paulo há um número específico de atendimento, número não zero oitocentos, ou toll free, no jargão das gentes corporativas.
Você pede para ser direcionado para o número, o atendente não pode fazer isso, etc (você sabe que pode, você trabalhou em suporte para call centers, você conhece telecom como se fosse uma segunda natureza sua, mas isso não importa, você é um cliente nesse momento, como a sua mãe - enfermeira no Mãe de Deus, que só usa o micro pra jogar paciência e falar com você no netmeeting - se ela estivesse na mesma situação - e esteve, ela também assinante dos serviços da mesma empresa, tentando cancelar o mesmo - inútil - serviço).
Você liga para o número paulistano do suporte. Enfrenta a URA e seus menus e descobre, ao final de 3 minutos e cinqüenta e dois segundos (cuidadosamente cronometrados) que o atendimento ao seu tipo de demanda se dá das 8:00 às 20:30, nesse número.
Resultado: Você decide cancelar sua conta de email, de acesso e tudo o mais, na primeira hora da manhã seguinte, mesmo sabendo o transtorno que esse tipo de decisão ocasiona.
Decide mandar uma carta registrada ao seu banco cancelando o débito automático e pedir pelos métodos indicados pela empresa o cancelamento unilateral de sua conta, registrando publicamente a reclamação, para que não lhe venham infernizar a vida pelos caminhos conhecidos dos setores de fidelização. Você torce que funcione e calcula o quanto de incomodação jurídica pode vir a ter se realmente não realizarem seu desligamento dos serviços ainda essa semana e decide que vale a pena se incomodar, mesmo que seja por apenas R$ 7,90 mensais.
Você se sente consternado por viver num país em que, mesmo que até as catracas do prédinho da João Manoel saibam que esse tipo de prática é imbecil e destinada apenas a faturar umas migalhas a mais no final do mês, causando mal-estar entre os tais “clientes fidelizados”, outros idiotas de marketing em outras empresas - e na citada - persistirão nela. E ninguém será demitido ou processado pelo ministério público por isso (talvez os reclamantes, claro, por ‘denegrirem’ a imagem das empresas citadas).
Update: Depois de muito trabalho e cliques em links minúsculos, através de - contadas - oito telas - descobri que há como cancelar online, mas o cancelamento implica na perda das quatro contas de email adicionais que, até então, estavam incluídas no meu pacote de R$19,90 mensais. Beleza, por essa grana mensal (R$ 28,00, que passam a me cobrar) eu posso manter um domínio próprio, com bastantes mais contas de email que as oferecidas pelo plano do Terra. E num datacenter em que o Symetrix funcione. Lo haré.
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