2006
Por Láudano Sine Nauta NavisUm dos muitos problemas do presidencialismo como é praticado no Brasil é o da, digamos, “solubilidade” do presidente. Quando o presidente é “solúvel” (assim o foram o ditador Geisel, o vice Itamar e o loquaz FHC), pode acontecer de tudo, mas o mandato chega intacto ao final sem maiores transtornos institucionais ou “emocionais” e o dito cujo passa a faixa pra frente até com alguma dignidade.
Pra quem já assistiu o filme de sujeitos como o presidente Figueiredo (”me esqueçam”) e Sarney (ofendido pelo sucessor na cerimônia de posse sob mais de 5000% de inflação ao ano), cujos governos acabaram - de fato - mais ou menos pela metade de seus mandatos, a crise atual não tem tanto de novidade e pode estar indicando que, como os dois últimos, o governo Lula acabou e se arrastará por meio de medidas medíocres, com economia, indicadores e paciência degringolando, até a próxima eleição em 2006.
Eu, que acreditava - não sei baseado em quê - na “solubilidade” do Sr. da Silva, espero que a crise institucional que a incompetência política (quem diria) do PT está gestando pelo menos sirva pra se pensar mais a sério em parlamentarismo. No último plebiscito, em que até monarquia se discutiu, meu voto fragorosamente derrotado foi por um parlamentarismo republicano. Mas se houvesse um voto para a Geléia Geral, no próximo, acho que escolheria esse. Vai ser dureza ter de esperar até 2006.
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