Arquivo de outubro de 2003

Uivo na madrugada

6 de outubro de 2003

Voz de Murieta

Me gusta oír tu voz que corre pura
como la voz del agua en movimiento
y ahora sólo tú y la noche oscura.

Dame un beso, mi amor, estoy contento.
Beso a mi tierra cuando a ti te beso.

Voz de Teresa

Volveremos a nuestra patria dura alguna vez?

Voz de Murieta

El oro es el regreso.

Pra quem gosta, a íntegra do diálogo está aqui (faz parte de La Barcarola, e o poema completo é maior que o trecho selecionado no link).

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Fim-de-semana

6 de outubro de 2003

Foi um fim-de-semana movimentado: no sábado faxina de manhã cedo, uma pequena viagem de ônibus Vila Madalena - Parque Dom Pedro II via Lapa (é, pegamos o ônibus pro sentido errado, foi mais ou menos como ir do Centro Velho à Floresta via Partenon), seis horas ininterruptas de uma monstruosa PERNADA pelas lojas do centro olhando todas as porcarias possíveis e imagináveis até encontrar ele. Dez anos de paciente espera e lá estava ele: o CHAPÉU. Clássico, pra usar com sobretudo escuro ou gabardine clara, aba 6, pacientemente guardado pelo Sr. Abdala durante todos esses anos. Ele, aquele que nem em Montevideo eu tinha achado. Obrigado, São Paulo. De noite, pato e cascatas de rolinho primavera no chinês da Ana Rosa, risos altos e bons amigos novos.

Domingão, mais pernada, dessa vez não erramos o ônibus, pernada de Pinheiros perto do Largo da Batata até em casa, perto do Metrô Madalena, com direito a parada pra empanadas e boêmia com gosto de Prinz.

E, de pensar que no próximo ano por causa do trabalho posso estar em qualquer lugar do mundo, até mesmo em Sampa, até mesmo em Porto Alegre, até mesmo em Buenos Aires, Montevideo, Bogotá, Cidade do México, Port of Spain, só dependendo de pra onde ventar o vento, só isso vale mais que qualquer coisa.

Ando tão adolescente que até Engenheiros do Avaí (Hawaii de cu é rola) voltei a ouvir: Ontem à noite eu conheci uma guria que eu já conhecia de outros carnavais. Com outras fantasias ela apareceu, parecia tão sozinha. Parecia que era minha aquela solidão… No início era um precipício (um corpo que caía). Depois virou um vício foi tão difícil acordar no outro dia. Ela apareceu, parecia tão sozinha, parecia que era minha aquela solidão…

Até quinze de dezembro vou terminar uns textos que estou escrevendo e ver o que se pode fazer deles. Vou precisar de beta-leitores pra eles, se alguém estiver interessado em ser um leitor murrinha de um sujeito murrinha que escreve pra teatro e que leva em consideração a opinião de outrem, mande um email, quando estiverem prontos envio.

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Falta do que fazer

5 de outubro de 2003

Duas cameritas em um só PC. É, a gente não tem nada pra fazer na vida, mesmo.

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Santa Tricotea

4 de outubro de 2003

Procurando pela letra de La Tricotea de Alonso Perez de Alba, bati com essa página e aqui vai a resposta a uma amiga que me disse que Juan del Encina não compunha música:

Juan del Encina

Más conocido por su aportación al mundo de la literatura, como poeta y como dramaturgo, es igualmente genial en su faceta de músico. No se conocía en toda Europa persona donde la simbiosis entre poesía y música fuera tan perfecta, desde Machaut.

Nació en Salamanca en 1468, hijo de zapatero pero no remendón, ya que procuró estudios a todos sus hijos. Juan se licenció en derecho en la Universidad de su ciudad natal e hizo las órdenes menores, pero no parece que tuviera prisa por ordenarse sacerdote. Tal vez por ello no duró mucho en su primer trabajo como capellán de coro de la catedral de Salamanca, lo cual en realidad fue una suerte para la lírica española.

Encontró trabajo en el palacio de la familia Alba, en Alba de Tormes, donde se ocupó de la organización y dirección de los espectáculos dramáticos y de las audiciones musicales para los duques y su corte. De esa época datan la mayoría de sus canciones, villancicos y romances, así como sus entremeses y autos sacramentales por los que es hoy en día conocido, por eso digo que fue una suerte que lo cesaran como capellan en Salamanca, aunque ¿quien sabe cuán magnificas hubieran sido los himnos que no compuso, las misas, los motetes?

Luego lo encontramos en Roma, donde el papa Alejandro VI, español, lo recibe con grandes halagos y le concede algunas prebendas y beneficios eclesiásticos, para él y su familia. En 1519 se ordena finalmente sacerdote, después de sufrir una crisis espiritual, que le hace renegar de su pasada vida cortesana, estableciéndose como Prior de la catedral de León, donde tardará 11 años en hallarlo la muerte. Fallece por tanto en 1530.

Su producción siendo mayoritariamente profana, comprende sesenta y una canciones (música y texto), entre las que cultivó las tres formas menores de la época, romance, villancico y canción.

Algunos de sus más bellos villancicos son de temática religiosa, entre ellos ¿A quien debo yo llamar?. Algunos tienen fuerte sabor popular, es el caso de Hoy comamos y bebamos, del que puedes escuchar un fragmento; otros son de temática más elevada, como ejemplo Soy contento y vos servida o Pues que jamás olvidaros, que podeis escuchar en versión MP3 o Midi , todas sin embargo guardan una impronta común, un sello de fabrica que tiene la sencillez como divisa, un perfecto acoplamiento de la frase literaria a la musical, que casi siempre finaliza con un melisma… Por lo que respecta al aspecto vertical de sus canciones es de destacar la ausencia casi total de complicaciones contrapuntísticas, siendo su textura buscadamente homófona, en beneficio sin duda de la claridad del mensaje poético.

É claro que não achei a letra da Tricotea, mas ela vem. E agora é hora de ir ao chinês, comer um pato laqueado com os amigos e ouvir a dona da bodega dizendo que “pato muito bom, flesquinho, muito bom, eu adóla”.

Atualização da uma da manhã:

É, achei La Tricotea. Enfim. Melhor não tivesse achado.

La tricotea

La tricotea,
Sa Martin la vea.
Abres un poc al agua y senalea.
La bota senbru tuleta,
La señal d’un chapiré.
Ge que te gus per mundo spesa.
La botilla plena,
Dama, qui maina,
Cerrali la vena,
Orli, cerli, trun, madama,
Cerlicer, cerrarliben,
Botr’ami contrari ben.
Niqui, niquidon, formagidon, formagidon.
Yo so monarchea de grande nobrea.
Dama, por amor,
Dama, bel se vea,
Dama, yo la vea.

Tradução disto? ni idea. Encontrei essa tradução francesa que não está fazendo muito sentido. Eu tinha quase certeza que saporra não era castelhano.

Martin béni que ce soit trois ;
Ou plus
Et donne-moi un six.
Le fond se balance,
Maudits soient les bigots.
Vas où tu veux
Amène de quoi te rassasier.
Bonne dame, ça coule toujours,
Il faut fermer le robinet.
A la une, à la deux, à la trois,
Arrêtez, ma bonne dame, vous allez le renverser.
Votre ami se sent lésé
Mignon, mignon, fromage, Seigneur Fromage.
Je suis le roi, d’une noble lignée.
Bonne dame, je vous prie,
Bonne dame, montrez-le
Bonne dame, laissez-moi le voir

[/viadagem século XV]

Ah, sim, o pato estava bom, apesar de não ser laqueado. “No, pato flesquinho, feito agóla, no, pato flesquinho, pato laqueado, no”. E a quantidade de chineses falando sem parar em mandarim (”Eu de Tchina Con-tchi-nen-tal, comunista. Blasil país muito bom, quên-tchi, muita fluta.”) dava a impressão de um mercadinho nalgum vilarejo de interior. Ainda vou descobrir o que diabos eles estavam jogando aos berros e tão animados. De certo algum tipo de bingo popular em Xangai e arredores. Acho que um deles, mais animado, gritou “mél-dá” em português, numa das jogadas. E, tenho certeza, algum daqueles cartazes em mandarim espalhados pela bodega deve ser uma receita de láudano pra curar resfriado. Sou um homem de fé.

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Vivimos inmersos sin sentir el país

4 de outubro de 2003

” Vivimos inmersos sin sentir el país,
Nuestras palabras se esfuman a diez pasos,
Donde sólo basta un charlatán a medias
Recordarán al montañés del Kremlin.
Sus gruesos dedos son grasos, cual gusanos,
Y sus palabras, pesadas, son ciertas,
Las cucarachas se mofan de sus ojos
Con sus tentáculos resplandecientes.
Lo rodea una chusma de jefes catrines,
Juega y se sirve de gente mediocre.
Quién silba, quién maúlla, quién gimotea,
Sólo él puede golpear y empujar,
Como un capataz da una orden tras otra
Ya sea en la ingle, en la frente,
en las cejas, en los ojos.
Él puede matar y a la vez ser dulce,
Es un georgiano de gran corazón. “

Ossip Mandelstam

Não sei porque, mas isso me soa atual. Ou não, que bobagem.

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Manuscrit Trouvé à Saragosse

1 de outubro de 2003

Este é um dos livros mais interessantes que já li, bravamente editado pela Brasiliense nos anos 80, numa tradução decente, com o título brasileiro de Manuscrito Encontrado em Saragoça. É um dos livros que está em Porto Alegre, empacotado em algum caixote, à mercê das traças, esperando que eu me comova, sinta saudades e arrume algum meio de transporte que o traga para conhecer a capitar. Estou procurando o original - Jan Potocki era polonês, mas o livro foi escrito em francês - pela Internet, mas não encontro, só uma versão polonesa (!) chamada Rekopis zlaneziony w Saragossie. Uma das coisas que mais me enche o saco na vida é não saber ler em pelo menos uns duzentos idiomas e não ter o tempo hábil pra conseguir chegar nem perto disso. Se você considerar, como considero, um idioma como uma prisão, um potreiro em que cada um de nós é encarcerado desde criança, conhecer outros potreiros pode ser divertido. Como um presidiário que tivesse a oportunidade de ser preso em Alcatraz, Sing-sing, Presidente Bernardes e na Caixa-Forte. Pelo menos muda-se de ares. O Manuscrito Encontrado em Saragoça fala um pouco disso, mas com outras metáforas.

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