Arquivo de outubro de 2003

Knoppix

26 de outubro de 2003

Dizer isso provavelmente é chover no molhado, mas o Knoppix 3.3 é a melhor maneira de se instalar um Linux até o presente momento. Knoppix não é uma “distribuição” de Linux, e sim uma maneira de rodar ou instalar o Debian, a melhor (slackies, mandrakies e chapéus vermelhos, vão lamber sabão, ok?) distribuição Linux já feita e em permanente evolução. Com o Knoppix, apenas um CD, você pode rodar Linux sem ter de instalar. Ele configura tudo na máquina e, em 98% dos casos, roda diretamente do CD sem precisar de qualquer ajuste, transformando seu PC numa estação de trabalho UNIX em menos de um minuto, com direito a software de primeira linha às pampas, incluindo um clone do MS Office, um programa semelhante ao Photoshop, etc, etc.

Na versão mais recente há (já havia, mas foi melhorada) a opção de instalar no HD, e é aí que a coisa fica simplesmente FENOMENAL. Em menos de 30 minutos, sem dores de cabeça e perdas, você pode ter na mesma máquina o windows (qualquer versão) e uma instalação bastante completa de um Debian, em que tudo, desde multimídia até compartilhamento de Internet está funcionando a partir do boot. De uma simplicidade tão atroz que não sei como não se está propagandeando isso aos quatro ventos pela Internet.

Pra instalar o Knoppix, é recomendável pelo menos um Pentium 3 ou Athlon a partir de 750Mhz, 192 Mb RAM, 5 a 6 Gb de disco livre, particionado, e uma aceleradora gráfica vagabunda qualquer. Sei de um amigo que rodava num Notebook uma versão anterior do Knoppix sem problemas.

Na minha configuração, Athlon 1.6, 392Mb de RAM, clone vagabundo de Riva TNT2 32Mb, drive de CD 32x (CD-RW), 100Gb de HD em 20+80, com 7 Gb particionados no disco de 20 para o Knoppix, levei exatos 22 minutos, do boot até o final da instalação e ingresso no novo sistema, sem nenhum dano ao que havia na máquina.

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E, por falar em saudade

25 de outubro de 2003

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SPAM

25 de outubro de 2003

Parece que está na moda falar de SPAM por esses dias no Brasil, principalmente porque nos últimos seis meses aumentou muito o número dessas merdas na caixa de correio de todo mundo. Falando sobre isso com a Distie, me ocorreu que há uma maneira (utópica) de precipitar algo (uma reação furiosa de provedores, por exemplo) ou, pelo menos minimizar o fenômeno: Quase todo os endereços de email que os spammers têm foram conseguidos por robôs, ou seja, programas que vasculham a internet procurando por qualquercoisa@seilah.com. Ou seja: se cada página na Internet ou de blog, por exemplo, tiver 100, 200, 300 endereços de domínios válidos, mas cujos usuários não existam, as próximas listas de “50 milhões de emails por R$ 69,90″ teriam um número bastante relevante, talvez bem mais da metade, de endereços inválidos e inúteis, o que tornaria mais penosa - por consumir mais recursos - e menos “produtiva” a vida dos spammers. Ou seja: Se, pra cada um endereço válido os robôs encontrassem 100, 200 nulos, em breve coletar endereços pela Web deixaria de ser proveitoso. Exemplos? Aposto como em alguns meses esse endereço: policarpo.quaresma@al.rs.gov.br estará em vários CDs vendidos para Spammers. Ó, mas Policarpo Quaresma não pode ter um endereço na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul! Que surpresa, não?

É muito provável que a idéia não seja nem original e que já estejam fazendo isso por aí, mas eu terei muito prazer em saber que um email para Isidore.Ducasse@Montevideo.gub.uy foi pra lugar nenhum. Vamos robôs, peguem esse aqui também: michelmontaigne@saintbarthelemy.fr . E mais esse aqui: Mario.Quintana@heaven.org .

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Pensamento solto

24 de outubro de 2003

Nada é mais constrangedor que sofrer o assédio de uma colega (de trabalho, faculdade, curso, etc) que está procurando sua “alma gêmea” ou em quem tenha batido o alarme do “relógio biológico”. Reprodução in-vitro, meninas, informem-se sobre isso.

[/chauvinismo]

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Quando o inverno chega pelo Rio Guaíba

22 de outubro de 2003

Um homem que perdeu o rumo, uma casa materna derrubada, um museu que o fogo comeu e a chuva caindo fina e fria. Dia de enterro de alguma coisa qualquer? E o silêncio de antes de tempestade, não há mais crianças barulhando na calçada e mesmo a calçada já não tem qualquer utilidade - não há passantes, não há mais gente em qualquer lugar. Alguém fala de deus, alguém pergunta, o que teremos pro almoço?, uma gota d’água fica pulando de folha em folha procurando o chão.

É o primeiro frio do inverno roçando a pele, é o primeiro dia de algo que todo mundo almeja, hoje estou viva e o mundo parece de luto, pensa a menina. E é tão grande esse mundo, meu deus, quem terá ânimo para andar por todos esses caminhos?

As árvores estão com frio, tremendo com o vento. Deus, sentado no seu trono onipotente cofia a barba e acerta o relógio de areia. A umidade amplia a rachadura na fachada do solar - a umidade tem mais tempo e paciência que qualquer outra coisa nesse mundo. A umidade já existia antes de qualquer deus.

Há na umidade do dia uma cor de paredes rachando: da Patagônia, uma imensa massa de nuvens avança com a lentidão de um rebanho. O vento sul vem tocando as nuvens como um pastor. Época de migração, nem as nuvens nem os biguás suportam mais o Sul.

O inverno é maníaco depressivo, o inverno vai matar a todos nós, menina, começando pelos biguás.

E o velhote diz à menina: o Sul já matou toda minha família, minha criança, e quer me matar também, mas eu vou desafiá-lo para um duelo, creia em mim.

A menina pergunta a um senhor de sobretudo: papai, por que o Sul quer matar as pessoas?

E as pessoas voltam às ruas. Uma multidão de guarda-chuvas avança com os mesmos passos incertos dos flamingos nos charcos: quem não cuida onde pisa escorrega e quebra os ossos na pedra molhada. Há um homem em frente a uma banca de revistas orando. O inverno não fala nosso idioma, menina.

A questão, menina, é onde começa o Sul. E ela diz, o Sul começa em mim. Levo o Sul comigo aonde quer que eu vá.

Impasse. O Sul é uma entidade prática. Para ele, impasses se resolvem com borrascas e vento. Um dia houve pedras no litoral sul, mas o inverno transformou tudo em areia. Um dia houve índios, mas ele os matou a todos.

A multidão de guarda-chuvas avança sobre as pedras úmidas. Os flamingos pulam poças d’água cheias de folhas caídas. Os cachorros da rua estão escondidos sob os carros estacionados para que o Sul não os veja. O Sul não gosta de cães, crianças, mendigos e velhotes.

E a chuva amaina, há um arco-íris que nasce no meio do Guaíba e estende os braços até o mar, barrando o Sul. Vamos dormir, mamãe? E a tarde rotunda e pesada continua caindo do céu, a umidade rachando as paredes, adiando a pressa febril dos formigueiros adormecidos. Eu não quero que o Sul leve você, mamãe, eu não vou deixar o Sul te levar, eu prometo.

Na Patagônia, enregelado, o inverno espera que o arco-íris se distraia. O inverno é o sujeito mais paciente do mundo, até mais que a umidade.

Porto Alegre, inverno de 2000

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