Arquivo de setembro de 2003

Meu amigo Casanova

30 de setembro de 2003

Domingo, antes do La Ville Louvre, achei num sebo de encalhes da Augusta uma tradução do Arthur Schnitzler, ainda no plástico, novinha em folha, de 1988 - época em que a Companhia das Letras ainda se “arriscava” com essas coisas. O Retorno de Casanova, tradução de Günther H. Wetzel, 115 páginas. Parece bom, até o momento, mas suspeito que a tradução está meio truncada. Acho que em homenagem ao Zweig, ao Dorst, ao Montanha Mágica Mann e aos dois Arthur, Schopenhauer e o Schnitzler, voltarei às classes de alemão. É só achar um curso no bairro e vamos ver.

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Canção matutina

30 de setembro de 2003

“Garota eu vou pra Guatemala, viver a vida em Tegucigalpa, lá eu sou amigo do Sultão de Antigua, lá vou afundar navios ingleses até ficar velhinho.”

Eu sonhei que estava cantando algo assim hoje, com a mesma melodia daquela do Lulu Santos. Meu deus, estou precisando de ajuda profissional. Sultão de Antígua é pra matar. Na próxima, vou apelar pra ajuda do Dr. Jackson Five e seus auxiliares acústicos da Motown.

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Insuspeito talento literário

30 de setembro de 2003

É triste ter de esperar chegar aos trinta e um anos pra perceber que, por mais que você se esforce, reescreva, refaça, conviva por meses ou anos, nenhuma descrição sua de uma mulher vai chegar aos pés das que uma mulher é capaz de fazer de outra com 300 milissegundos de observação, de cima a baixo.

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Policarpo feliz

30 de setembro de 2003

Vasculhando a Internet atrás de livros, notas, qualquer coisa do Tankred Dorst, encontro entre muitos outros, umas traduções espanholas de um cara de que nunca tinha lido muito (nada, pra ser sincero, além da biografia de Fernão de Magalhães e algum outro livro meio chato, na adolescência, que não recordo mais qual fosse): Stefan Zweig, o mesmo que viveu no Brasil e se matou a 22 de fevereiro 1942, no auge da 2ª Guerra, quando parecia que Hitler não ia mesmo soltar a rapadura.

Estou lendo no computador, maravilhado, o livro resultante de uma conferência pronunciada por ele em Buenos Aires: O Mistério da Criação Artística, que começa mais ou menos assim:

De todos los misterios del universo, ninguno más profundo que el de la creación. Nuestro espíritu humano es capaz de comprender cualquier desarrollo o transformación de la materia. Pero cada vez que surge algo que antes no había existido - cuando nace un niño o, de la noche a la mañana, germina una plantita entre grumos de tierra - nos vence la sensación de que ha acontecido algo sobrenatural, de que ha estado obrando una fuerza sobrehumana, divina. Y nuestro respeto llega a su máximo, casi diría, se torna religioso, cuando aquello que aparece de repente no es cosa perecedera. Cuando no se desvanece como una flor, ni fallece como el hombre, sino que tiene fuerza para sobrevivir a nuestra propia época y a todos los tiempos por venir - la fuerza de durar eternamente, como el cielo, la tierra y el mar, el sol, la luna y las estrellas, que no son creaciones del hombre, sino de Dios.

A veces nos es dado asistir a ese milagro, y nos es dado en una esfera sola: en la del arte. Les consta a todos que año tras año se escriben y publican diez mil, veinte mil, cincuenta mil libros, se pintan cientos de miles de cuadros y se componen cientos de miles de compases de música. Pero esa producción inmensa de libros, cuadros y música no nos impresiona mayormente. Nos resulta tan natural que los autores escriban libros, como que luego los encuadernen y los libreros, por último, los vendan. Es éste un proceso de producción regular como el hornear pan, el hacer zapatos y el tejer medias. El milagro sólo comienza para nosotros cuando un libro único entre esos diez mil, veinte mil, cincuenta mil, cien mil, cuando uno solo de esos cuadros incontables sobrevive, gracias a su entelequia, a nuestro tiempo y a muchos tiempos más. En este caso, y sólo en éste, nos apercibimos, llenos de veneración profunda, de que el milagro de la creación vuelve a cumplirse aún en nuestro mundo.

A seguir, encontro “Brasil, País del Futuro”, que fez o Policarpo Quaresma sorrir lendo o conteúdo do diretório do filipino dono do arquivo.

Conforme for, comprarei a obra completa, num elegante sebinho em Porto Alegre em que só o Mojo, a Casillera e a refinadíssima torcida do Madureira® já devem ter entrado.

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La Ville Louvre

29 de setembro de 2003

Fui ver, com a Distie, o filme título do post. Bonito, etc, mas soporífero como o Arca Russa. Gostei, apesar de estar quase dormindo perto do fim do filme. Depois, na hora do um chopis e dois pastél, uma das cenas mais patéticas dos últimos anos. Melhor nem comentar. Como dizia Casanova, um cavalheiro nunca tem boa memória pra certas coisas.

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