Que eu adoro São Paulo não é novidade pra quem lê isto aqui há algum tempo ou pra algum amigo mais chegado. Mesmo com os supostos defeitos, etc. Mas uma das instituições mais irritantes da cidade, e isso é uma unanimidade entre o pessoal do Sul aqui residente, são os (O) supermercados. Os supermercados, que parecem muitos, na verdade, são só um: afora o Carrefour e o Big, que são uniformemente ruins em todo o Brasil, quase tudo por aqui é da família Diniz, dona da cadeia Pão de Açúcar. É impressionante como tudo é mais caro, não há variedade - achar um vinho ou um pacote de chá decentes num Pão de Açúcar, ou cadeia comprada pela família Diniz à sua escolha, é uma impossibilidade, até os vinhos nacionais são os piores, sem falar na zurrapa importada a preço de vinho razoável - o atendimento é péssimo (você, de Porto Alegre, que reclama do atendimento de um Big da vida, sinta-se muito bem atendido), os preços são surreais e aumentam de semana a semana. É quase uma unanimidade entre a colônia gaudéria que, só pode ser isso, o Zaffari e o Pão de Açúcar fizeram um acordo de cavalheiros: Você não entra aqui e eu não entro lá. Só pode ser isso. Se o Zaffari abrisse umas cinco lojas aqui, o Pão de Açúcar, com seu atendimento indiano, sortimento africano e gentileza norte-americana, não duraria muito.
Pelo menos São Paulo tem a noite, a Livraria Cultura de verdade (não aquele arremedo que puseram no Bourbon) e os sebos.
Só sei que, desde anteontem, quando, fazendo as contas, minhas compras estavam 62% mais caras do que em fevereiro, não vou mais ao Pão de Açúcar. Grandes merdas, mas enfim, meu dinheiro não vai pra esses filhos da puta. O chinês da esquina - que “só” aumentou em 15% as coisas, desde fevereiro, merece muito mais. E atende melhor. E tlóca os éles pelos éles.
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