Paulo Francis on Herman Melville
Por Láudano Sine Nauta NavisAchei no meu disco rígido umas coisas clipadas do site Paulo Francis, o contundente crítico cultural.
Quando se lê “Moby Dick”, de Herman Melville, é a obsessão do capitão do baleeiro, Ahab, perneta, feroz, bíblico, implacável, contra a baleia branca, “Moby Dick”, que nos agarra a imaginação. A inexorabilidade trágica do destino de Ahab é a essência do romance.
Em Billy Budd, noveleta, um jovem bonito, inocente, amigável, servindo na marinha de guerra inglesa, é amado por toda a tripulação, os oficiais inclusos, que veêm em Billy uma espécie de Adão, antes da queda. Menos Claggart, que o odeia, como Ahab a baleia. Claggart provoca Billy a tal ponto que este o mata. É julgado pelos oficiais. É condenado e executado. A história se passa no fim do século XVIII, quando a marinha inglesa era o único obstáculo a que Napoleão Bonaparte conquistasse a Europa. Já tinha sofrido um motim sério, em 1798, suprimido a bala. O capitão sabe que Claggart não prestava e Billy é intrinsecamente inocente, mas tem de mandar matá-lo, por Realpolitik. Billy o perdoa.
“Billy Budd” só foi publicado em 1924. Melville viveu de 1819 a 1891. Teve um breve sucesso com “Typee”, seu primeiro romance passado nas Ilhas dos Mares do Sul. Depois, começou a ser verificado pelos críticos. A recepção a “Mobby Dick” é um exemplo insuperado de insensibilidade crítica. Melville morreu em desespero.
Começou a interessar a gente de toda parte quando Albert Camus escreveu sobre “Mobby Dick”. Harold Beaver, no “TLS”, não cita sequer Camus. Atribui a ressurreição de Melville a Benjamim Britten, que escreveu uma ópera sobre “Billy Dick”, W. H. Auden e E. M. Forster, que se interessaram pelo conteúdo homoerótico da obra de Melville. Pfui. Leiam os livros.
E fiquei pensando que o meu Melville preferido é Benito Cereno, mas não lembro mais do argumento do livro. Hum, há algo de errado com minha memória e não é maconha.
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