Fuxan os Ventos
Por Láudano Sine Nauta NavisFuçando em alguns arquivos que baixei por aí, reencontrei o disco do Fuxan os Ventos, um conjunto de músicos da Galícia que grava música tradicional de lá. A Galícia, se alguém não sabe, é uma região no Noroeste da Espanha e ao norte de Portugal e onde houve, recentemente o vazamento do petroleiro Prestige e onde se encontra o tal Caminho de Santiago que é o sonho de quase todo goiaba místico.
Abaixo, uma das letras, (mal)traduzida por mim.
Don Martim
Famosas são as guerras,
Entre França e Aragão.
Pobre de mim que sou velho,
guerras para mim não são!
Maldita sejas, mulher
que não me deixaste filho homem!
Então fala dona Virulana
cheia de si:
- Não a maldiga, pai,
não lhe jogue maldição.
Dê-me as armas e o cavalo,
serei seu filho varão.
- Tens os cabelos longos,
não os esconderás, não.
- Meterei-os na armadura,
atados com um cordão.
- Tens os olhos mimosos,
não os esconderás, não.
- Eu os baixarei à terra
quando passe algum varão.
- Tens os seios crescidos,
não os encobrirás, não.
- Dê-me um colete de aço,
me servirá de gibão (1).
- Tens as mãos muito branquinhas,
não as encobrirás, não.
- Dê-me suas luvas de ferro,
Terei as mãos de soldado.
- Tens os pés muito pequenos,
não os encobrirás não.
- Dê-me suas botas de ferro,
encherei-as de algodão.
(a letra original está aqui)
É “impressionante” como o acento, o sotaque dos galegos é uma “mescla” de português do Brasil com castelhano, enquanto o vocabulário é muitíssimo semelhante ao do português atual. Galegos, para os espanhóis, são mais ou menos o que os belgas para são para os franceses.
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1 de fevereiro de 2008 às 15:50
Amigo (a) aconteceu também comigo. Ao procurar músicas folclóricas infantis deparei-me com essa riqueza ou melhor, delÃcia da GalÃcia. Agradeço as infimações históricas e pretendo fazer alguma aproximação com o nosso gauchês. Aguardo contatos.
4 de agosto de 2008 às 13:35
Caros amigos, como galego fico agradecido de que no Brasil haja pessoal a se preocupar pola música do meus país. Mas gostaria de fazer um pequeno comentário quanto à língua da Galiza e o lusofonia:
olhem, a língua falada hoje na Galiza por aprox. um 60% dos galegos e galegas e aliás própria do país, o galego, nom é mais que o vocês falam e escrevem. O problema lingüístico na Galiza é complexo e precisaria de muito tempo para explicar. Apenas dizer que no galego há duas grafias para escrever o galego (português da Gz), a espanhola e a histórica ou reintegracionista (dentro desta estão os de máximos e os de mínimos).
A língua comum a toda a lusofonia nasceu na Galiza, mas com os acontecimentos políticos na história mudou-se-lhe o nome internacionalmente e ficou assim umha fenda que ainda hoje é complicado ultrapassar.
É por isso -e por muito mais- que o que vc deixou cá nom foi umha traduçom, mas umha transcriçom da norma chamada de ILG (Instituto da Lingua Galega), quer dizer, da norma espanhola ao português (ou galego reintegracionista de máximos se se quer).
Apenas um exmplo de grafias na Galiza para o galego (português da Galiza):
http://www.agal-gz.org/
http://www.vieiros.com/
Saudações.