Arquivo de fevereiro de 2003

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14 de fevereiro de 2003

Filisteus (bons motivos pra se ser um deles), Crianças Enjeitadas, Igualdade (ou O Dia em Que Beaumarchais Conheceu a Vaia) e Uma Manhã no Campus da Puc. Não nessa ordem. E, claro, Mario Quintana, Giovanni Papini e Juan Carlos Onetti em 1930.

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Estranho

14 de fevereiro de 2003

Mudei completamente de vida umas três ou quatro vezes, em períodos de mais ou menos três anos, no decorrer de minha vida adulta. Esse é o último dia da “minha vida mais recente”. Amanhã, tudo novo, num “país” novo. De novo. Sábado vou tomar uma cerveja gelada em algum boteco da rua Augusta, só pra ter certeza de que cheguei são e salvo. E a vida vai continuar, apesar da geografia. Para os leitores desse vlógue, só volto a atualizar o dito cujo em alguns dias. Agradecemos a compreensão. Desejem-me sorte, uísque Quick de morango ou mulheres caminhadas de quinze quilômetros, precisarei de pelo menos um dos três.

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Nem podia ser diferente.

12 de fevereiro de 2003

Which OS are You?

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[/piada interna]

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Presente de aniversário

9 de fevereiro de 2003

Hoje foi meu aniversário e ontem resolvi me dar um presente legal - meio por acaso. Numa nova livraria da cidade, que visitei com a Distie após trocar uns livros no Beco dos Livros, encontrei uma liquidação de livros de uma biblioteca de colégio tradicional aqui de Porto Alegre. Edições da Pleïade, Gallimard e outras maravilhas por seis reais por cabeça. Comprei exatos 25 livros, chorei por desconto e ganhei. Apenas um dos volumes, um Martial bilíngüe Latim-Francês, sai por 294 reais na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo. Foi o único lugar no país onde achei livros dessa coleção em bom estado, além desta livraria de ontem. Completei uma coleção de História da Arte, também em francês, de que eu só tinha um volume. Encontrei uma “História da Igreja Católica” de 1864, em quatro volumes encadernados em couro e excelente estado.

Os livros foram arrematados pelo dono da livraria também por acaso, pois os estavam enviando para o papeleiro (!). Não me perguntem nem o nome da livraria nem o do colégio que estava mandando tais coisas para o lixo. Há coisas nesse mundo que é melhor não comentar. Tsc. Nem postar.

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Utilidade Pública

7 de fevereiro de 2003

O comentário está na coluna do Luís Fernando Veríssimo de ontem. Se você se interessa por assuntos como: Que fim terá o seu emprego caso os norte-americanos consigam nos empurrar a ALCA, clique aqui, leia até o fim e pressione seu deputado a agir em relação ao assunto conforme a conclusão a que você chegar. A entrevista está no Estadão do domingo passado (02/02) e foi dada por Lori Wallach, diretora de comércio global da organização não-governamental americana Public Citizen. O Major Policarpo Quaresma e o Escrivão Isaías Caminha, penhorados, agradecem. Alguns trechos, abaixo:

Lori - Exatamente como no Nafta, o capítulo sobre investimentos representa a maior parte do acordo. E o principal alvo é o Brasil. Porque a maioria dos outros países já cederam tudo, por exigência do FMI. Já abriram o uso da terra, a água, etc., para os investidores estrangeiros. E não têm política industrial. O Brasil ainda tem leis sobre limites mínimos de componentes nacionais em produtos industriais, ou que exigem transferência de tecnologia como condição para investimentos - os mesmos instrumentos que os EUA usaram contra a Europa na virada do século passado para se desenvolver; que o Japão usou contra os EUA nos anos 60 para se desenvolver; que a Coréia e os Tigres Asiáticos usaram contra os EUA, o Japão e a Europa. O Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento onde essas políticas não foram eliminados pelo FMI. Portanto, a Alca, sob o modelo do Nafta, é uma forma de os EUA manterem o Brasil como reserva de mão-de-obra e de recursos naturais baratos, não um concorrente verdadeiro das indústrias americanas.

Estado - A sra. dizia que há duas possibilidades de o Brasil se dar bem na negociação da Alca.

Lori - Uma delas é não fazer acordo. É uma opção melhor, para o Brasil, do que seguir o modelo do Nafta. A outra é fazer um acordo diferente. Eu trabalho em Washington e converso o tempo todo com os congressistas, e minha percepção política me diz que a única maneira de o Brasil adquirir poder de negociação para obter um acordo diferente é deixar claro que não haverá acordo nenhum. Porque, se os EUA pensarem que o Brasil no fim das contas vai se render, não farão concessão alguma. Se os EUA sentirem a possibilidade de não haver Alca alguma, há uma chance - não estou dizendo que será fácil - de algo diferente. Porque a única coisa que os EUA realmente querem é o Brasil.

Esse é o segredo que todo mundo sabe em Washington. Os EUA já têm acordos bilaterais com o Chile, com a República Dominicana, há o Acordo de Livre Comércio da América Central, etc. E os EUA acham que essa é uma boa estratégia para seduzir o Brasil. O representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, procura usar de psicologia, achando que o Brasil vai ficar preocupado porque o Chile já tem um acordo. A realidade é que o empresariado americano não liga a mínima para nenhum outro país. Na verdade, eles pensam que o governo americano está perdendo tempo. Eles perguntam: “Quem se importa com o Chile, El Salvador, Panamá? Olhe para o Brasil!”

Estado - Zoellick disse que a alternativa à Alca, para o Brasil, seria fazer comércio com a Antártida. O Brasil não deve se preocupar com isso?

Lori - Zoellick pensa que o Brasil não percebe que é o único país no qual os EUA estão interessados. Nos EUA, há um ditado: paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras não vão me ferir. Carne bovina e soja vão tirar Bush da Casa Branca, mas os pingüins não vão ferir vocês. Como Zoellick não pode fazer concessões sobre carne e soja, ele tem que fazer caretas para o Brasil. Mas é muito engraçado que os EUA digam ao Brasil: “Você devia se preocupar, você vai ficar com os pingüins e nós, com o Chile ou o Panamá”.

Provavelmente, os pingüins são melhores. Seria muito interessante se o Brasil obrigasse os EUA a mostrar as cartas que têm, dizendo: preferimos os pingüins a um acordo injusto.

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