Arquivo de janeiro de 2003

Concretinices

21 de janeiro de 2003

E o Ruy, de volta, desancando com toda sua classe o nosso querido Haroldão, autor da Ilíada, segundo o site da Livraria Cortez. Coisas que me intrigam nessa vida é gente como os irmãos Campos que são coerentemente fiéis a sua picaretice desde o início de suas carreiras terem ainda, passados quarenta anos, editora e público. Ah, o Brasil é brasilicamente patafísico. O país do ludopédio. Edenicamente endêmico. Preciso fazer um curso de javanês por correspondência. E das minhas anidropodotecas.

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Ok, ok

21 de janeiro de 2003

Como sempre, a dona Daniela matando a gente de rir. Eu sei que todo mundo vai acabar comentando e postando nos seus blogues e tal, mas aqui vai a minha versão de trecho de romance do George Beloved. Enfim. Faça o seu também.

Versão 1
Do ódio de Salim pela morena Glória

Coronel Tibúrcio tentava desviar os olhos de Glória, mas era difícil não reparar na maneira filha-da-puta com que a moça preparava o pepino assado. Enquanto Glória acariciava a morcilha, o coronel só conseguia pensar em ter a Vulva da cabrita em sua boca. Salim fingia não perceber o chateamento do homem mais poderoso da cidade. Desafiar o dono da Fazenda Estância do Cerro do Peido? Só com muita justeza e proteção de Exú Tranca-Ruas, melhor aquietar a cabeça e manter aquele ódio guardado junto com a espada.

- Você tá achando que eu sou cabeça chata, bichim?

A voz de Glória quebrou o silêncio tenso do ambiente. Mas por pouco tempo. Ela sabia que não teria respostas. Não era sua voz, mas seu par de coxas que chamava a atenção daqueles dois. Ela não valia mais do que um telefone. Melhor esquecer. Melhor nem sacanear. Voltou a acariciar a morcilha.

Versão 2
De quando Exú Tranca-Ruas novamente escutou Glória

A lavoura de cacau pedia trégua. A fazenda Estância do Cerro do Peido já não agüentava mais tanta devastação e pedia clemência da vassoura de bruxa. Da mesma forma que a cidade inteira pedia alguma solução. Enquanto coronel Tibúrcio especulava na capital alguma forma lucrativa de negociar a venda da sua propriedade, Glória apelava para que Exú Tranca-Ruas mandasse embora aquela maldição. Com os homens sem dinheiro, ela e suas cabritas não tinham futuro. O chateamento estava sendo substituido pelo desânimo. As carolas seriam as únicas felizes, porque só elas dão valor para a tristeza.
Até o paciente Salim foi visto chutando um telefone e gritando para a poeira que se levantava na frente da venda:

- Você tá achando que eu sou cabeça chata, bichim?

O cabra tinha enlouquecido. Não havia mais o cheiro de pepino assado saindo das janelas. A praga extinguiu também a possibilidade de possuir morcilha nas despensas. Não havia lugar nem mais para o ódio. Foi assim até o dia em que viram Glória sacanear. Era o sinal. Sempre que Exú Tranca-Ruas a ouvia, isso se repetia. Dito e feito. Em um mês a praga abandonava a cidade, a fazenda Estância do Cerro do Peido e os pesadelos de Glória, que - depois de ser ouvida -, resolveu toda noite em total chateamento, dançar e exibir sua filha-da-puta Vulva na frente da igreja, sem ligar para a oculta ameaça de uma espada.

Versão 3

Da primeira vez que a vulva de Glória encontrou as mãos de Salim

Salim não agüentava mais as provocações de Glória. A mulher do Coronel Tibúrcio todo dia arrumava uma desculpa para aparecer no armarinho. Sempre com a saia curta e o chateamento menor ainda. Falava do marasmo de viver na fazenda Estância do Cerro do Peido, dos suores noturnos, do ódio estancado em seu coração. O turco tentava mudar de assunto.

- Você tá achando que eu sou cabeça chata, bichim?

Mas quem disse que adiantava? A mulher sempre arrumava um jeito de voltar ao ataque. Usava técnicas de baixeza inomináveis. Chegou até a preparar um prato de pepino assado (inegável afrodisíaco), ainda caprichado na morcilha, só para Salim não ter como negar o agrado.
Orientado pela negra Juventina, o dono da armarinho resolveu fazer um despacho para Exú Tranca-Ruas, na tentativa de se livrar da fazendeira e da perspectiva de ser atravessado por uma espada. Até sacanear o turco fez, para ver se passava por louco e espantava a insistente. Mas ela tinha o corpo fechado para despacho e aberto para teimosia. Num dia de calor retado, Glória entrou no armarinho com a desculpa de comprar um telefone. Salim não tinha telefone à venda. Nem como resistir à vulva de Glória exposta daquela forma filha-da-puta. Danou-se.

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Como são lindas as flores…

19 de janeiro de 2003

Eu sempre tive verdadeiro horror a plantas dentro de casa. Minha casa na infância era uma filial do jardim botânico - um apartamento de dois cômodos com mais gente que o recomendável - e tomado de todo tipo de espécies de plantas, que minha avó cuidava quase com devoção. Depois que me tornei o “dono” das casas em que morei, o máximo que tive foi uma ou outra medíocre violeta na janela da cozinha, e continuo achando execrável o costume de se ter essas porcarias verdes (avermelhadas, pintadas de amarelo, etc) dentro de casa. Lembrei dessas coisas procurando informações sobre a figueira verdadeira, que é uma planta européia, ao contrário da figueira nativa (foto de um bonzai da mesma), e que, segundo lembro, é tóxica ou de sua seiva se produz um veneno, algo assim. Nessa procura, esbarrei com essa página, mantida pela Fiocruz e tive algumas surpresas, encontrando plantas da minha casa de infância.

Aqui há mais informações sobre essas lindas flores e plantinhas que um monte de gente tem dentro de casa. Aqui, uma relação de plantas perigosas para quem tem gatos e os sintomas que apresentam bichanos intoxicados por elas.

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Vaga de calor

16 de janeiro de 2003

Este verão está parecido com o de A Vaga de Calor do Urbano Tavares Rodrigues. É impressionante como Porto Alegre é despreparada tanto para o frio quanto para o calor. São nove e quinze da noite e a temperatura ainda ronda os 30. Excelente clima para prática de esportes como o judô ou luta greco-romana, por exemplo. Com exemplares de boa qualidade do sexo oposto, claro.

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Mudança de Planos

16 de janeiro de 2003

Já não vou mais nesta sexta, mas no dia 31 de janeiro, passagem comprada e tudo. Retomando a programação normal deste vlógue. Quem estava esperando alguma encomenda, espere mais duas semanas. Fórum, dentista, linux, oculista, burocratas e chinelagens me esperam pelo resto desse janeiro, que, como a maioria dos meus janeiros desde 1972, tá vóda bragarai. Se eu fosse o Lula, aboliria o janeiro do calendário. Mês inútil, grudento, preguiçoso e xarope. Podia abolir o fevereiro junto, que não ia fazer muita diferença.

A essas alturas do campeonato, só acredito que vou chegar ao meu destino na hora que o avião aterrisar.

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