Como sempre, a dona Daniela matando a gente de rir. Eu sei que todo mundo vai acabar comentando e postando nos seus blogues e tal, mas aqui vai a minha versão de trecho de romance do George Beloved. Enfim. Faça o seu também.
Versão 1
Do ódio de Salim pela morena Glória
Coronel Tibúrcio tentava desviar os olhos de Glória, mas era difícil não reparar na maneira filha-da-puta com que a moça preparava o pepino assado. Enquanto Glória acariciava a morcilha, o coronel só conseguia pensar em ter a Vulva da cabrita em sua boca. Salim fingia não perceber o chateamento do homem mais poderoso da cidade. Desafiar o dono da Fazenda Estância do Cerro do Peido? Só com muita justeza e proteção de Exú Tranca-Ruas, melhor aquietar a cabeça e manter aquele ódio guardado junto com a espada.
- Você tá achando que eu sou cabeça chata, bichim?
A voz de Glória quebrou o silêncio tenso do ambiente. Mas por pouco tempo. Ela sabia que não teria respostas. Não era sua voz, mas seu par de coxas que chamava a atenção daqueles dois. Ela não valia mais do que um telefone. Melhor esquecer. Melhor nem sacanear. Voltou a acariciar a morcilha.
Versão 2
De quando Exú Tranca-Ruas novamente escutou Glória
A lavoura de cacau pedia trégua. A fazenda Estância do Cerro do Peido já não agüentava mais tanta devastação e pedia clemência da vassoura de bruxa. Da mesma forma que a cidade inteira pedia alguma solução. Enquanto coronel Tibúrcio especulava na capital alguma forma lucrativa de negociar a venda da sua propriedade, Glória apelava para que Exú Tranca-Ruas mandasse embora aquela maldição. Com os homens sem dinheiro, ela e suas cabritas não tinham futuro. O chateamento estava sendo substituido pelo desânimo. As carolas seriam as únicas felizes, porque só elas dão valor para a tristeza.
Até o paciente Salim foi visto chutando um telefone e gritando para a poeira que se levantava na frente da venda:
- Você tá achando que eu sou cabeça chata, bichim?
O cabra tinha enlouquecido. Não havia mais o cheiro de pepino assado saindo das janelas. A praga extinguiu também a possibilidade de possuir morcilha nas despensas. Não havia lugar nem mais para o ódio. Foi assim até o dia em que viram Glória sacanear. Era o sinal. Sempre que Exú Tranca-Ruas a ouvia, isso se repetia. Dito e feito. Em um mês a praga abandonava a cidade, a fazenda Estância do Cerro do Peido e os pesadelos de Glória, que - depois de ser ouvida -, resolveu toda noite em total chateamento, dançar e exibir sua filha-da-puta Vulva na frente da igreja, sem ligar para a oculta ameaça de uma espada.
Versão 3
Da primeira vez que a vulva de Glória encontrou as mãos de Salim
Salim não agüentava mais as provocações de Glória. A mulher do Coronel Tibúrcio todo dia arrumava uma desculpa para aparecer no armarinho. Sempre com a saia curta e o chateamento menor ainda. Falava do marasmo de viver na fazenda Estância do Cerro do Peido, dos suores noturnos, do ódio estancado em seu coração. O turco tentava mudar de assunto.
- Você tá achando que eu sou cabeça chata, bichim?
Mas quem disse que adiantava? A mulher sempre arrumava um jeito de voltar ao ataque. Usava técnicas de baixeza inomináveis. Chegou até a preparar um prato de pepino assado (inegável afrodisíaco), ainda caprichado na morcilha, só para Salim não ter como negar o agrado.
Orientado pela negra Juventina, o dono da armarinho resolveu fazer um despacho para Exú Tranca-Ruas, na tentativa de se livrar da fazendeira e da perspectiva de ser atravessado por uma espada. Até sacanear o turco fez, para ver se passava por louco e espantava a insistente. Mas ela tinha o corpo fechado para despacho e aberto para teimosia. Num dia de calor retado, Glória entrou no armarinho com a desculpa de comprar um telefone. Salim não tinha telefone à venda. Nem como resistir à vulva de Glória exposta daquela forma filha-da-puta. Danou-se.
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