Arquivo de dezembro de 2002

Scliar redescoberto

26 de dezembro de 2002

Quem já teve o prazer de ler O Exército de Um Homem Só, A Guerra no Bom Fim, A Orelha de Van Gogh, O Centauro no Jardim, entre outros, sabe que o Moacyr Scliar é muito mais que o colunista meio sem graça de um jornal local do Rio Grande do Sul e colaborador bissexto da FSP e tem uma obra extensa que é invejável em se tratando de escritores brasileiros. Pois o Scliar, por essas ironias da vida, acaba de ser redescoberto pelo mercado americano (e talvez pelo brasileiro, enfim), por uma barriga descomunal do prêmio Booker Prize e uma descomunal cara-de-pau ou coincidência do autor premiado este ano. Confira a história aqui. O que pouca gente sabe, talvez, é que o Scliar é um dos mais traduzidos e conhecidos escritores brasileiros lá fora, só atrás do Paul Rabbit e do George Beloved.

Cheguei nessa história - que já conhecia de outras fontes, enfim - seguindo um link da Cecília Giannetti, do sempre legal Notas Gonzo.

Update: Bissexto sou eu que, de assinante, virei leitor eventual da Folha de São Paulo. Segundo a Alexandra, Moacyr Scliar é colunista nas segundas-feiras na FSP. Feito o reparo, “precisão” jornalística preservada, atmosfera limpa. Valê-o.

Update 2: Pra ficar bem claro: Eu nem fazia idéia do que era o tal prêmio Booker Prize esse e estou pouco me lixando pra escritores premiados. Prêmio bom é o em dinheiro, de preferência bastante e no meu bolso. O post acima foi, se não fui bem claro, sobre o Scliar, não sobre o gringo plagiador e o prêmio que ele recebeu. Às vezes, por incompetência da gente, algumas coisas não ficam bem, mas bem, mas bem claras, não? tsc.

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Comunicação de fim de ano

25 de dezembro de 2002

Ficarei mais ou menos sem Internet - sem ADSL, pelo menos, o que é quase sem Internet - por uns tempos, pelo menos até montar meu novo apartamento. Vocês, que já fizeram mudanças, entendem do que estou falando. Isto acarretará mudanças no blogue, com certeza, principalmente no conteúdo: O Longa Lista e outras Pitangas deixará de ser um vlógue generalista para respeitar a primeira idéia do seu título: Literatura. A idéia será resenhar o que eu estiver lendo, colocar mais crônicas e contos longos - meus ou não - e radicalizar o tema letrinhas. Isto é, portanto, um aviso de que haverá menos links pra coisas bonitinhas ou bizarras, nenhuma foto e haverá toneladas de texto a partir de janeiro, quando também me dedico a escrever um livro em que estou emperrado há anos, para o deleite das traças da minha gaveta, minhas melhores e mais fiéis leitoras.

E era isso. Fiquem agora com o início de um dos livros que mais gosto, The Master of Ballantrae, de Stevenson, que vai comigo, junto com Onetti, Montaigne, Lautréamont, La Rochefoucauld e Fernão Lopes, pra onde eu for. O livro está completo online, lá na Bartleby.com.

ALTHOUGH an old, consistent exile, the editor of the following pages revisits now and again the city of which he exults to be a native; and there are few things more strange, more painful, or more salutary, than such revisitations. Outside, in foreign spots, he comes by surprise and awakens more attention than he had expected; in his own city, the relation is reversed, and he stands amazed to be so little recollected. Elsewhere he is refreshed to see attractive faces, to remark possible friends; there he scouts the long streets, with a pang at heart, for the faces and friends that are no more. Elsewhere he is delighted with the presence of what is new, there tormented by the absence of what is old. Elsewhere he is content to be his present self; there he is smitten with an equal regret for what he once was and for what he once hoped to be.

Pra quem não se topa com o inglês, tem uma tradução decente da L&PM, do Henrique de Araújo Mesquita, de 1984, que usei para aprender, cotejando com o original, quando um dia quis ser tradutor de literatura. Tsc, vanità di vanità.

O “Morgado” também era um dos livros preferidos do Borges, e foi ele quem me deu a dica num dos ensaios sobre a Eternidade

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Nostradamus

23 de dezembro de 2002

Sentirás saudades de Hagar, o Horrível. De usar boné. De faróis desconhecidos. Da rua onde foste gerado. Do sagrado churrasco da sexta-feira santa. De finais de tarde com a melhor companhia do mundo. De olhar pela janela. De mocinhas enregeladas e tristonhas. Dos bailes de carnaval que perdeste. Do Chugabug, que apelidaste de Chugabum. De um gremista fanático. Sentirás saudades de dias frios em lugares bem longe de tudo e saudades de gramados cheios de gente.

Fotos por: Letícia Tatsch, Rico Ferrari, Helena Garcia, Pedro Ayres e Paulista.

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Assinando embaixo

23 de dezembro de 2002

Eu estou há horas pra fazer uma “resenha” do “O Livro das Cousas que Acontecem” do Daniel Mojo Pellizzari e não faço. Hoje a Daniela Abade fez, talvez, a resenha que eu estava com medo de fazer: Uma intimação pras pessoas lerem esse livro. Sou um leitor chato, muito chato. Quiçás chato demais. Este ano li três ou quatro livros bons, de todos os que li. Este O Livro das Cousas que Acontecem foi um deles. No ano passado, dentre os livros bons que enumerei, estava outro, do mesmo rapaz: Ovelhas que Voam se Perdem no Céu. É certo que uma “carreira literária” é algo que se constrói com anos e anos de trabalho, etc. Mas, quando se chega aos trinta anos, com dois livros excelentes no currículo, algo “errado” deve estar acontecendo: ou bem se tem uma bela promessa que se perderá na dissipação como Stephen Crane, que ficou no seu Red Badge Of Courage, ou bem temos um grande escritor que está começando a construir sua obra com labor e consciência. Tenho quase certeza que a segunda opção é a correta.

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Blog de molho

22 de dezembro de 2002

Estou com dois posts de molho no HD, um deles até bem grandinho, mas, como você já pôde notar, as coisas estão paradas por aqui, e, não, não é por causa das festas. Estou no meio de uma mudança, e, por milagre, o micro ainda está montado :^)

Acho que só volto a postar depois do Natal, então divirta-se por aí ou visite, se você não conhece o blog, os “melhores posts” ou a A Biblioteca do Equívoco. Feliz champã doce pra você também. E aspirina com coca-cola pro dia seguinte.

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