Rodou

Rodou, depois de uma sessão “procura, baixa, instala drivers” o Soldier of Fortune 2 no novo Athlon XP 1.53 Ghz lá de casa. Faltava mesmo o driver OpenGL para a plaquinha. Mas estou postando isso para falar da minha primeira impressão sobre a nova geração de máquinas e SOs que há pouco mais de um ano aterrisou na nerdlândia. É possível, hoje, por pouco mais de 600 dólares ou euros, montar uma bela maquininha. No nosso caso, decidimos por uma capaz de rodar o novo Asmodeu da Microsoft, o Windows XP Professional. Neste fim-de-semana, provavelmente, começará a sanha para instalar o FreeBSD ou alguma distro de Linux para manter o nível de sanidade necessário e a possibilidade de recuperar arquivos perdidos caso alguma merda aconteça no NT 6.0 que a Mocoshoff apelidou de XP. Algumas das minhas primeiras impressões, por incrível que pareça, foram muito boas a respeito do conjunto resultante de:

  • Microprocessador AMD Athlon XP 1.7 (a velocidade real é de 1.53 Ghz, mas é vendido como 1.7 por ter - teoricamente - o mesmo poder de processamento de um Pentium 4 de 1.7 Ghz)
  • Placa de vídeo Riva TNT2 32 Mb
  • Placa Mãe Soyo VTA Pro
  • Windows XP Professional
  • 384 Mb (3 DIMs de 128) de RAM 133 Mhz (ok, também foi uma escolha budget, pois as SDRAM 133Mhz são muito mais baratas que as novas DDRs 266)
  • Disco rígido Ultra ATA 100
  • Placa de Rede 3Com 100 Mbps

Esta máquina, que, apesar de defasada tecnologicamente em relação ao último grito do mercado, pois optamos por economizar em ítens como placa de vídeo e memória RAM, é a máquina que, nos últimos tempos, mais me causou a impressão de estar trabalhando em minha velha Silicon Graphics Indy, uma maquininha que, aliada ao IRIX - que certamente era o melhor de todos os UNIX proprietários, por uma série de razões que não vou enumerar - rodava sobre um hardware potente, simples e confiável. Estou, obviamente, falando de “impressões”, pois é óbvio que uma máquina PC não tem a qualidade de produção inerente a uma estação de trabalho UNIX.

Mas é impossível não comparar o resultado com a velha Indy: com seu R3000 180 Mhz, mas 64 bits reais, sem paginações espúrias como o são os 32 bits dos x86, seu monitor Trinitron 17″ e tela planíssima, seus gráficos 3D renderizados em frame rates até então impensáveis e só atingidas há dois anos pelo mundo Wintel, sua câmera digital integrada, a Silicon era um paraíso para nerds e geeks endinheirados ou sortudos (meu caso) por trabalharem em alguma empresa que tivesse uma ou várias delas. Depois da Indy, vieram a 02 e a Octane, com as respectivas evoluções do próprio IRIX, mas a Silicon Graphics perdeu o fôlego, o mercado, mudou de nome - passou a atender pela sigla SGI, de Silicon Graphics Industries - e caiu praticamente no anonimato, depois de ter lançado e difundido conceitos e softwares como:

  • Edição visual de HTML - O Cosmo Creator, um software WYSIWYG (what you see is what you get) para gerar páginas HTML que até hoje o DreamWeaver e o GoLive tentam imitar.
  • Edição de Vídeo - mesmo quem não entende nada do assunto - como eu - conhece o resultado do Alias/Wavefront, o software que produziu o Toy Story 1. Esse era o tipo de ferramentas disponível mesmo numa simples Indy.
  • Video-conferência - Mesmo numa época em que largura de banda era um impeditivo para quase tudo, o software e o hardware para vídeo-conferência da SGI era melhor do que muitos sistemas que tenho visto hoje em dia. Frame rates (quadros por segundo) de 15 fps eram a performance mínima que se podia esperar da câmera que ficava no topo do micro.
  • Conversão para MPEG2 - os vídeos criados podiam ser salvos para o formato MPEG2 (o MP3 é MPEG2 layer 3) e a conversão era por hardware, ou seja, muito mais rápida. Isso só apareceu em micros da Apple há três ou quatro anos. PCs com o mesmo equipamento são raros, e provavelmente, até o advento do Windows NT 4.0 e processadores com mais de 600 Mhz, foram absolutamente inúteis, devido à baixa capacidade de processamento inerente à arquitetura x86 (Intel, AMD) se comparada às arquiteturas dos PowerPCs (Apple Macintoshes recentes, IBMs que rodam AIX, etc), Sparc (Sun Microsystems) ou MIPS (Silicon Graphics).
  • Integração com ambientes não UNIX - Appletalk, Samba e IPX para redes Novell desde a instalação. Com isso a Silicon podia compartilhar arquivos e impressoras com praticamente qualquer sistema operacional da época.
  • Administração gráfica da estação de trabalho - importantíssima para as tarefas cotidianas - mas, acima de tudo, simples e eficaz. Linha de comando disponível para quem preferia (como eu) executar essas tarefas no braço.
  • Raid 1, 5 ou 10 - Esquemas raid (redundant array of inexpensive disks) para maior segurança dos dados ou micro-storage (foi o primeiro Storage que vi e provavelmente um dos primeiros modelos) para armazenagem segura dos dados locais.
  • Totalmente multimídia - na época em que recém se vendiam os primeiros kits multimídia 2x, no Brasil.
  • Tela Plana - o primeiro micro com tela plana no mercado.
  • Sistema Operacional Elegante - Ícones transparentes? Acqua? Drag and Drop? Indexação do conteúdo do disco rígido? Logins gráficos com a foto dos donos do login? tudo isso e muito mais.
  • Etc, etc, etc.

Você, se chegou até aqui, deve estar se dizendo, hey, seu babaca, mas isso é o OsX num G4, hey, mas isso é o Win XP Pentium 4 hey, isso parece o BeOS num Apple 8×00 - no que terá razão. A Silicon Indy rodando IRIX 6.x era isso tudo e mais um pouco. Em 1994/5. O problema do PC lá de casa, agora, é justamente chegar nesse mais um pouco. Quem sabe nos próximos dez anos.

Compare Preços de: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras no Buscapé.

Leave a comment

Your comment