Arquivo de julho de 2002

Personagem Mítico

26 de julho de 2002

Respondendo à pergunta da quinzena do Chepookalist Howls, acredito já ter visto um sósia do Tim-tim na espuminha do café. Esses dias, também, havia uma perfeita cópia do jogo de “Resta-um” nas manchas de minha janela. E nos meus óculos há uma mancha, que, vista contra luz, é igual àquela cena do Fabuloso Destino de Amélie Poulain, em que a Amélie fica olhando as nuvens e vendo coisas da imaginação dela nas mesmas.

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Número 2

26 de julho de 2002

Bebel, dando prosseguimento aos trabalhos de parto quinzenais, pariu o número dois (2) do Chepookalist Howls, já um dos periódicos mais aguardados da Bruzundanga (nessa eu me puxei, hein?). Mas olha só:

Eu chegara à verdade: o milho é a representação física e palpável de nossa angústia, produzido pelo corpo para forçar a expulsão desse mal e assim garantir o bom funcionamento da máquina. Sim, enquanto há angústia, há de haver expurgação, e portanto há de haver milho. O vômito, portanto, não é um fenômeno gástrico, mas existencial.E com base nesses fatos, toda a filosofia contemporânea poderia ser reescrita, para não dizer a história da agricultura.

(excerto de O vômito, o milho e a condição humana por F.F Fiddlesticks, Sr. - autodidata)

Vai !

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Saulo Joelho, Eugène Sue e a Glória Imortal

26 de julho de 2002

ou

“De Quando a Igreja Uni-Vestal do Reino
dos Véus Chegou à Cad’mia Bruzundanguense de Letras”

A notícia da eleição para a Cad’mia Bruzundanguense de Letras de Saulo Joelho está causando uma série de reações engraçadas e contraditórias entre a intelectualidade da Bruzundanga. De intelectuais da província a próceres do pensamento nacional encastelados em suas redações, as reações têm sido variegadamente hilárias.

Tenho por regra não falar de gente ou instituições obviamente picaretas como a Igreja Uni-Vestal, a Seita do Santo Jaime, a Mocoshoff, a Cad’mia Bruzundanguense de Letras ou Saulo Joelho, este agora imortal escritor inscrito recentemente no pavilhão dos píncaros das belas-letras nacionais. Sigo esta regra por que defensores de tais entidades ou pessoas costumam ser unidos e gregários e geralmente de boa paz, a menos que alguma de suas crenças esteja em discussão, ocasião em que adquirem a característica principal das manadas, qual seja a de disparar em bloco para qualquer direção e perigosamente afetar a ordem do universo, mesmo que sua natureza corriqueira seja a pacífica e bovina. E longe de mim querer provocar a ira santa dos justos de plantão.

Mas gostaria de traçar uma comparação, que, sempre ao ter indagada minha opinião sobre a Literatura do senhor Saulo Joelho, eu repito. Trata-se de algo sobre a literatura francesa do século 19, assunto em que, apesar de mero diletante, me sinto mais à vontade em meter a colher, por sua natureza dada - ou morta, ou seja: é mais simples exumar cadáveres e traçar conjecturas ou emitir pareceres sobre assuntos que já passaram que fazer o mesmo sobre as notícias frescas do dia.

Gostaria de comparar a trajetória de nosso estimado Saulo Joelho com a de outro famosíssimo escritor francês, contemporâneo do não menos famoso Honoré de Balzac, que, acredito, é de conhecimento de nós todos. Trata-se de Eugène Sue, famoso e celebradíssimo romancista que viveu de 1804 a 1857 num dos melhores períodos da produção cultural francesa, e foi testemunha ocular ou participante de eventos como a Restauração, as revoluções de 1830, 1848, o golpe de estado de Napoleão Terceiro, Le Petit, entre outros.

Eugène, em seus melhores dias, foi celebrado por toda Europa, comentado por grandes homens do seu tempo e há quem tenha acusado gente como Victor Hugo de tê-lo plagiado em romances como, por exemplo, Les Misérables. Há quem acuse, ainda hoje, Edgar Allan Poe de tê-lo plagiado, também. Seus romances como Les Mystères de Paris, Le Juif Errant ou Lautréaumont (que foi de onde Isidore Ducasse retirou modificado seu pseudônimo ao assinar os Cantos de Maldoror - Mal d’Horror) entre outros, foram campeões de venda na segunda metade do século 19 e foram analisados por gente como Proudhom, Karl Marx e von Fourier, personagens notoriamente importantes na história do século seguinte (não é de admirar que Karl Marx tenha tido um fim tão melancólico e cheio de hemorróidas). As cifras alcançadas na época por Sue jamais foram igualadas por qualquer escritor seu contemporâneo. Teve sua literatura considerada imortal por um sem-número de críticos, jornais e leitores. Honoré de Balzac, Stendhal, Baudelaire, entre outros, jamais tiveram a atenção do público e da mídia do século 19 quanto Eugène Sue. Ele era, como todos nós sabemos, uma personalidade, um herói, um pop-star dos anos da maria-fumaça. Tenho certeza de que se houvesse uma revista Claras naquela época, ele teria aberto as portas de seu apartamento no Quartier Latin ou em Montmartre e se deixaria fotografar por Nadar, caso ainda estivesse vivo na época em que Nadar começou a se tornar, ele também, um pop-star dos anos da caneta-tinteiro. O que? você nunca ouviu falar de Eugène Sue? Não perca mais seu tempo e conheça-o aqui.

Saulo Joelho é um pouco isso, um pouco Eugène Sue, um pouco Vill Leites e repete um pouco a história de sucesso da Igreja Uni-Vestal do Reino dos Véus (que esse ano comemora seu jubileu de prata em finas taças de ouro) mas com seu estilo próprio. Não vejo por que criticá-lo. Ele, como provam seus galardões e o recente e incontestável sufrágio, é um vencedor. Com seus trinta e poucos milhões de exemplares vendidos, tornou-se um venerável homem de negócios. Parece pagar seus impostos em dia. Tem contribuído imensamente com a balança comercial da Bruzundanga, exportando um produto de sucesso - relevemos a constituição química do produto exportado, por favor - e tem nos orgulhado imensamente por ver que o produto nacional, não importa qual sua natureza, é muito bem aceito em mercados tão exigentes como a classe média do soi-disant primeiro-mundo. Recebeu no ano dois mil a comenda de Chevalier de L’Ordre National de la Legion d’Honneur do governo francês, uma distinção enormemente importante, que no ano seguinte foi conferida ao líder esquimó John Amagoalik, que encabeçou a comissão para reassentamento de uma parcela do povo inuit em Nunavut. Representa a Bruzundanga na ONU em uma comissão para assuntos culturais e esotérico/espirituais. Nunca matou ninguém na porta da Igreja da Candelária. Não ordenou massacres no Carandiru. Não esteve envolvido, ao que se saiba, em escândalos com o dinheiro público.

Então, como não somos mortais ressentidos, podemos muito bem endereçar um antigo cumprimento ao venerável imortal de nossa importante Cad’mia Bruzundanguense de Letras:

Ave, Pablo Conejo, os que vão morrer te saúdam. Ou, mais anglofonamente: Heil, Paul Rabbit, we salute you.

(Depois a gente ainda tem de ouvir que é o povo da Bruzundanga que vota mal.)

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Fim da brincadeira

25 de julho de 2002

O governo americano terminou com a brincadeira de ovos de páscoa (easter eggs) nos softwares ao baixar uma norma de que não comprará programas com funções não documentadas. Não sabe o que é um easter egg? Dá uma olhada aqui.

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Eu sabia, eu sabia

25 de julho de 2002

[éofimdomundo]
A besta do Apocalipse tinha mesmo de se chamar NT 7. A BSOD (Blue Screen Of Death) do NT 7 é capaz de varrer até mesmo um continente do mapa. Dessa vez a Mocoshoff exceliu. [Via Ciça]
[/éofimdomundo]

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