Arquivo de fevereiro de 2002

Fumaça e fogo estão no mesmo campo semântico

25 de fevereiro de 2002

Os rumores estão cada vez mais fortes e parece que desta vez, sim, vai: A Apple Computers tem a versão do OS X que roda em computadores PC/Intel, como este em que provavelmente você está lendo esse texto e o que quase todo mundo usa, pelo menos no Brasil (nos USA, a Apple tem um nicho que varia de 10 a 20% do mercado, dependendo do sucesso de cada máquina que lançam).

Isto pode parecer uma notícia boba e sem maiores conseqüências, mas, quem já usou um OS X, que é uma mescla de software elegante que é a marca da Apple com a solidez de rocha do UNIX BSD (um parente “próximo” do Linux que, na minha opinião, é muito melhor - flames para o “mande seu desaforo”, por favor), o que, finalmente pode ter dado à luz um sistema operacional sólido (não dá pau!), fácil (o OS X é muito mais amigável que o Windows em qualquer versão) e cheio de softwares, pois, além de todos os softwares para Linux e BSD (os GPLs), facilmente pode ter todos os softwares para Mac em Power PC portados para o OS X Intel. Enfim, parece que há a possibilidade de haver concorrência de verdade nos PCs e esta contará com usuários fiéis e de saco cheio do software amador da microsoft, como eu.

É uma “notícia” tão boa que nem parece ser verdadeira, apesar de ter um bando de gente que jura de pés juntos ter visto o bicho rodando em PCs “normais”. É, eu também pertenço ao clube dos descontentes com o PC Windows, sou usuário de Linux há anos (desde 1994), mas realmente não consigo substituir o windows em 100% das minhas necessidades. A única máquina/sistema operacional que seria capaz disso, é o Macintosh com Mac OS, mas nem em sonho eu quero (nem se trata da questão de “poder” ou não - quem quer muito algo, consegue a grana pra pagar) gastar nove mil (isso mesmo 9.000,00) reais numa máquina da Apple como o iMac2 da ilustração acima, que nem a top de linha é.

O iMac 2 é lindo, como é linda uma Corvette, uma Ferrari ou um Lamborghini. Eu acho mais lindo ainda não dever nove mil reais e comprar um PC a cada dois, três anos. Nada contra com quem tem ou se esfola pra ter uma máquina maravilhosa como o iMac 2. Só não me sinto confortável em ter uma máquina que, igual ao meu PC atual, não vai valer 1/3 do valor que paguei daqui a três anos, com o agravante de que custa quatro vezes mais, também. Ademais, se fosse pra gastar toda essa grana, eu iria direto para um Mac com dois processadores preparado para edição de vídeo, coisa que posso fazer num Intel com Linux por vinte por cento dessa grana, apesar de não obter resultados tão bons quanto com um Mac ou uma Silicon Graphics.

Enfim, espero que apareça essa opção: serei um dos primeiros a testar, com certeza, e acho que aí, sim, a dona distie se aquieta e se agrada de algum outro sistema operacional menos baderneiro que o Windows.

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“Con-curso” Madame Natasha de Violação de Copyright

24 de fevereiro de 2002

Acho que vou abrir uma sessão “Os blogs mais esquisitos do universo”… Cada um… hoje, encontrei esse, que é inacreditável: Um mosteiro virtual… Não é de todo feio, não, é bem desenhadinho, até. Mas coisas como:

Oração do Refúgio

Eu ne (sic) refugio no Buda, o mestre iluminado;
eu me comprometo com a iluminação.
Eu me refugio no Dharma, o ensinamento espiritual;
eu me comprometo com a verdade como ela é.
Eu me refugio na Sangha, a comunidade espiritual;
eu me comprometo em viver a vida iluminada.

São pra matar… Como diria o Analista de Bagé, “quem se refugia na Sangha é mosquito, vivente!”

Desaforos para o mande seu desaforo ali em cima, por gentileza…

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Saudade

23 de fevereiro de 2002

Estou com saudades de um monte de coisas. Saudades de alguns sorrisos, saudades dos meus playmobils, saudades do Mario Quintana no banco da Praça da Alfândega, “mal-humorado” como sempre com os transeuntes que porventura viessem interromper o seu fazer nada. Saudades de maçãs envoltas em papel seda roxo, saudades da fruteira da mãe da minha vizinha e colega de escola. Saudades do ônibus verde musgo e amarelo ocre que minha avó chamava de “bonde do gazômetro” que eu, só de sacanagem, também chamo assim. Saudades de máquinas de datilografia, do cheiro da tinta e o do óleo especial que as lubrificava. Saudades dos mimeógrafos, saudades de sinetas, enfim, de um bando de coisas inúteis, um rescaldo dos anos cinqüenta que ainda perdurava na minha infância. Saudades de vinho merlot 1997.

Saudades do tempo em que tinha dois ou três filmes brasileiros por ano que valiam a pena serem vistos e em que atores de verdade eram escalados para encenar as coisas. O motivo do saudosismo tem nome e se chama: “Bicho de Sete Cabeças”, estrelado por Rodrigo Santoro, o Bicho de Nenhuma Cabeça. O trocadilho é fácil e rasteiro como o filme, no geral. Afora algumas boas cenas, a trilha sonora do Arnaldo Antunes que está incrivelmente “adequada” ao contexto do filme (sem ironias) e algumas atuações dos personagens secundários são realmente boas. Saudades disso, disso, disso e disso

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Elegância é fundamental

23 de fevereiro de 2002

Como sabe muito bem essa moça aqui, ao analisar um dos beats mais chatos e vazios da “geração” pé-na-estrada. Bukowski era beat, mesmo? Sei lá, sempre que eu leio alguma coisa chata do Ginsberg, do Kerouac, do Burroughs e outros que me escapam, lembro de alguns versos do Ferlinghetti. I had a vision, I had a vision, I had a vision e penso na inutilidade da linguagem “enquanto” instrumento de “comunicação”. Ainda bem que há quem seja capaz de fazer a gente sorrir nesse mundo.

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Vaidade, a locomotriz do mundo

23 de fevereiro de 2002

Podemos falar qualquer coisa nesse mundo, temos língua, pulmão e umas cordas na garganta para isso. Podemos maldizer, achincalhar, podemos ser irônicos, idiotas, elogiar, podemos tergiversar, podemos encher “morcilha” - como se diz aqui pelo sul - podemos acariciar, acalentar, ninar, podemos cantar ou desafinar com a língua, o pulmão e as tais cordas na garganta de que dispomos. Podemos muito mais com eles. Podemos montar castelos no ar, na Espanha, podemos trocadilhar ou mesmo encher páginas e páginas de incomensurável ressentimento, auto-piedade ou da mais pura gabolice. Mas, lembre-se desse aviso, que estava gravado numa das tabuletas da Epopéia de Gilgamesh que se perdeu no dilúvio: “Jamais atente, usando de sua língua, contra a vaidade de um homem, por mais parvo ou sábio que ele seja. Mate um homem, mas não toque em sua vaidade. Quebre seus discos, queime seu trigo, estupre suas filhas, rasgue seus livros, mas jamais diga a alguém, qualquer algum, o que realmente pensa sobre qualquer aspecto de seus cuidados.” E, dito isto, Gilgamesh voltou à sua Arca.

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