Arquivo de fevereiro de 2002

Apesar

28 de fevereiro de 2002

Apesar de provocador, defeito meu inato, não aceito provocações. Digamos que sou “estóico”: Aceitar uma provocação é sinal de vaidade ferida, e eu tenho um pouco o espírito do “Amélio”, aquele que não tem a menor vaidade… (e sou o papai noel também, podes crer)
Dar tiros no próprio pé é um esporte divertido, rapaziada. Vamos ler menos “Nixe” e mais “Chopisróies”, La Rochefoulcauld e Montaigne… Rir de si mesmo faz bem pra pele. Ser analítico não significa ter de ser sisudo all the time. Seus filhos provavelmente não vão querer saber da profundidade analítica de que você foi capaz na “juventude”, mas com certeza terão uma grande lista de desatenções para cobrança posterior. Todo idiota sabe que a vida, apesar da dureza, é bela: talvez essa seja uma das melhores características da idiotia. Sejamos alegremente mais idiotas e nos levemos menos a sério: como dizia um outro “filósofo”, que já foi mais popular entre a juventude descolada de Roma e arredores que “Nixe” entre o pessoal cabeça de agora, “augescunt aliae gentes, aliae minuuntur, inque brevi spatio mutantur saecla animantum et quasi cursores vitai lampada tradunt.*”, ou, trocando em miúdos, a vida é curta demais e tudo passa: Só fica alguma poesia. Ok, essa não é a tradução, é a minha interpretação… E sim, eu acabo de decidir que começo na segunda uma dieta nas sentenças a fim de ver se elas começam a caber nos parágrafos. Texto balofo é phoda.

Violência sem poesia não leva a nada. Poesia também não leva a nada, mas pelo menos…

* “Algumas etnias aumentam, outras diminuem, e num breve espaço de tempo as gerações se sucedem e, como corredores de um revezamento, passam de mão em mão o facho da vida”.

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Ofício das Letras

28 de fevereiro de 2002

Um amigo meu, dos que pagam suas contas com os livros vendidos e têm romances adaptados para o cinema, sempre diz, como um mantra: Escrever é reescrever. Escrever é reescrever, escrever é reescrever. Escrever é cortar, escrever é cortar, escrever é cortar.

Estava relendo alguns posts anteriores e constatando a obesidade e quilometricidade de algumas das frases. O parágrafo de dobrar a esquina, como Quintana dizia, traduzindo alguns dos maiorais dos anos 20 e 30 para a Editôra e Livraria do Globo (ok, eu sei que editora não tem circunflexo, explique isso para o relevo em pedra na fachada do prédio ao lado da Galeria Chaves… Cortar, reescrever, cortar.

Este post era muito maior, mas resolvi seguir o conselho e cortar, cortar, cortar… Ó senhor, dai-me clareza e frases curtas para o bem da expressão… Se sobrar espaço, também, ó onipotente, dai-me um pcanywhere menos bugado e uma cadeira mais ergonômica, mas aceito um veleiro de 43 pés, se esses estiverem em falta.

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A Batalha Final

27 de fevereiro de 2002

A Batalha Final não será entre o Riiiio versus São Paulo nem Corínthians versus Flamengo… A Batalha Final será entre Clubber Kiddies versus Plocs… mais detalhes no decorrer da semana…

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Arrumada na casa

26 de fevereiro de 2002

Dando uma ajeitada no template, começo a tirar umas figurinhas por aí que não estavam fazendo nada de útil pela comunidade e reposicionando direitinho as molduras.

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Criança quebrando o brinquedo

25 de fevereiro de 2002

Há dias em que se tem vontade de quebrar tudo, por alguma razão não muito bem esclarecida. Há dias em que se tem vontade de trocar de vida, tomar uma overdose, sumir do mapa, meter uma bala na própria cabeça ou na do primeiro transeunte e não há uma razão aparente. Razões são entidades cartesianas demais. Falta “pulsão de morte”, Jung e cinema ruim e mecanicamente violento do Tarantino para explicar as razões. Sobram as boas frases. É uma explosão de iconoclastia que não poupa nem a própria imagem de barro que fazemos de nós mesmos. Como uma criança decidida a estrebuchar o brinquedo, só para o ver sem entranhas, só para provocar o fim inexorável de algo, só porque sim. Há dias que começam com o pé esquerdo e a gente não suporta mais a própria cara e a própria limitação, como se tivéssemos obrigação de sermos infalíveis em tudo. Pobre do “Eu” que acha que poderia dar conta do mundo inteiro e transbordar pelo mundo, como no conto de Giovanni Papini. É uma pena você ter quebrado seu brinquedo, cara, ele era legal pacas.

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