
Minha única nota sobre o que anda acontecendo em São Paulo:
Chocados todos estamos, e com aquele sabor amargo de volta do Esquadrão da Morte, com esse travo de impunidade que não sai da boca de ninguém no país, e, especialmente, dos paulistanos, mas, por favor, vamos tomar e propor medidas efetivas e verdadeiras, seu Alckmin… O senhor está parecendo o marido que descobre que o Ricardão está comendo a sua patroa no sofá e manda tirarem o sofá da sala… proibir os celulares pré-pagos de existir há-de ser uma medida de segurança tão eficiente quanto pôr placas de trânsito de “é proibido assassinar ou seqüestrar transeuntes nessa avenida”. Se o senhor, com o perdão da palavra, quer terminar com a putaria em que seu estado está mergulhado, pode procurar e propôr experiências como a do ex-prefeito de Nova Iorque, que para além dos gráficos, diminuiu o “sentimento de insegurança” da população, quem sabe por que realmente as pessoas por lá estão mais seguras…
A incapacidade da elite político-burocrática brasileira de lidar com as “realidades” mais simples e cotidianas da vida desse país é algo que supera qualquer anedota do Nelson Rodrigues sobre a estupidez humana. A próxima medida do governador paulista, seguindo a linha de proibição da celulares pré-pagos, seria a proibição do uso de saias pelas mulheres, com o intuito de diminuir o índice de estupros e mortes violentas de mulheres na cidade.
O pré-pago é usado por bandidos, sim, e talvez mais que os celulares pós-pagos. Ok. Mas isto deve-se apenas à norma da Anatel (que por acaso é igual a quase todas as normas de agências semelhantes em outros países) que não obriga as operadoras a manter dados cadastrais dos usuários de telefones móveis pré-pagos. Acabar com o pré-pago, além de ser uma medida socialmente injusta, pois privaria de comunicação grande parte da população de menor renda que aderiu ao pré-pago, é burro, pois os “meliantes” simplesmente migrariam para operadoras de trunking ou qualquer outro método de comunicação via rádio, que também pode ser anônima e segura, do ponto de vista da “privacidade” do usuário. Ou seja, continuaria tudo na mesma. Uma medida menos obstusa seria cadastrar, paulatinamente, toda a base de usuários de pré-pagos pelo país inteiro, como o são os do pós-pago. Mas isso também não impede que alguém se cadastre com documentos falsos, ou em nome de “laranjas”, coisa, que, claro, não acontece jamais em nosso maravilhoso - e cumpridor de leis - país…
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