Arquivo de janeiro de 2002

Uruguay 2030

27 de janeiro de 2002

Pois é, parece brincadeira, mas é verdade… isso sim é pensar a longo prazo… A página está no ar desde pelo menos 1997, ou seja, 33 anos antes do evento. Mas ok, já que as Olimpíadas de 1996 (as Olimpíadas do Centenário) foram em Atlanta (lembram que fiasco foi aquilo?) e não em Atenas, como mandaria o bom-senso, polidez e a vergonha-na-cara, acho que os uruguaios tão certos mesmos de se adiantarem… mas, será que a maioria de nós vai estar vivo ainda em 2030? De qualquer forma, tem um contador online, marcando o tempo até lá… Eu, por essa época, espero estar bem tranqüilo, lendo meus livros e escrevendo cartas em máquinas datilográficas do século 20 (em 2030 o século 20 vai ser tão distante, não?) e entocado em alguma casinha em Colónia del Sacramento… Vale.

Não deixem de conferir a página. Uruguay2030.

Update de 30/10/2005: A página não existe mais. Ficou o registro.

Update de 20/03/2007: Surgiu outra página, ponto com, e o link foi atualizado. Não tem nada do que a outra tinha, mas, pelo menos, ilustra o ponto do post.

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A Propósito

27 de janeiro de 2002

Bom, o site é meio feio e bregão, mas o logo do Uruguay 2030 é cool.

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Zorro Strikes Again

24 de janeiro de 2002

Ser pai é voltar à infância. É. Juro que sim. Pelo menos comigo tem sido… Vamos ver se me explico. Meu guri caçula, que já tem suas duas centenas de manias, e está por fazer “teis anos e meio”, resolveu por bem achar, pela metade do ano passado, uma fita do Zorro na locadora que freqüentamos.Sou separado da mãe dele, mas moramos a menos de duas quadras de distância, e dois dias por semana me toca pegá-lo na escola e passar algumas horas com ele, bem como um dos dias dos finais de semana. Temos, eu e a mãe dele, um código meio tácito de não deixar o guri assistir TV antes de ele exigir isso por conta própria. Na verdade, como nem eu nem ela vemos TV há um bom tempo, o guri já se acostumou com essa mania da família. Mas vemos nossos filmes em vídeo e, claro, lá pelas tantas ele descobriu - mal tinha aprendido a falar - que na locadora também havia filmes para ele, ora bolas. Aí é que tudo começou… Passamos por todos os “clássicos” di$ney, pelo toy story e, lá pelas tantas, ele viu um sujeito montado num cavalo negro. Ele adora cavalos. Pimba, um anime meio sem-vergonha de um Zorro loiro (Zorro loiro?!?!) e umas histórias meio inverossímeis, mas muitas correrias a cavalo e lutas de espada e o guri é o mais novo Zorro do bairro, já há uns bons seis meses. Bom, daquele anime pra todos os outros filmes do zorro disponíveis na locadora e pra todo e qualquer material sobre ele na Internet foi um pulo. As imagens que tenho postado são do belo jogo “Zorro” da Cryo Software, a única produtora não anglófona que eu conheço (é francesa) que produz software de entretenimento de primeira qualidade (Dr Jeckill e Mr. Hide, também deles, é de um design belíssimo). Se não me engano, a Cryo é uma divisão da Infogrammes, mais conhecida no Brasil pelos softwares educacionais ou de referência. Pois bem, quem visitou o site acima, e viu a abertura em flash, pôde notar a qualidade do trabalho dos caras. Já tive de ver essa animação umas 750 vezes, pois toda vez que vou ver algo no micro com meu filho, ele pede o filminho do zorro. Até a décima repetição, até que eu juro que achei bem emocionante o flashezinho…
Mas então, voltando ao Zorro: Papai Noel trouxe pro guri um kit zorro completo com direito a um par de espadas. Caso eu suma por algum tempo, podem saber que o Sargento Garcia aqui está convalescendo de algum grave ferimento feito pelo florete do Zorro. Vou ver se arrumo uma foto do diabinho fantasiado de Zorro pra meter aqui. Felicidade se faz de tão pouco quando se é criança… Ou não, né? mas deixa eu pensar que era tudo colorido…

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Tirem o Sofá da Sala

22 de janeiro de 2002

Minha única nota sobre o que anda acontecendo em São Paulo:

Chocados todos estamos, e com aquele sabor amargo de volta do Esquadrão da Morte, com esse travo de impunidade que não sai da boca de ninguém no país, e, especialmente, dos paulistanos, mas, por favor, vamos tomar e propor medidas efetivas e verdadeiras, seu Alckmin… O senhor está parecendo o marido que descobre que o Ricardão está comendo a sua patroa no sofá e manda tirarem o sofá da sala… proibir os celulares pré-pagos de existir há-de ser uma medida de segurança tão eficiente quanto pôr placas de trânsito de “é proibido assassinar ou seqüestrar transeuntes nessa avenida”. Se o senhor, com o perdão da palavra, quer terminar com a putaria em que seu estado está mergulhado, pode procurar e propôr experiências como a do ex-prefeito de Nova Iorque, que para além dos gráficos, diminuiu o “sentimento de insegurança” da população, quem sabe por que realmente as pessoas por lá estão mais seguras…

A incapacidade da elite político-burocrática brasileira de lidar com as “realidades” mais simples e cotidianas da vida desse país é algo que supera qualquer anedota do Nelson Rodrigues sobre a estupidez humana. A próxima medida do governador paulista, seguindo a linha de proibição da celulares pré-pagos, seria a proibição do uso de saias pelas mulheres, com o intuito de diminuir o índice de estupros e mortes violentas de mulheres na cidade.

O pré-pago é usado por bandidos, sim, e talvez mais que os celulares pós-pagos. Ok. Mas isto deve-se apenas à norma da Anatel (que por acaso é igual a quase todas as normas de agências semelhantes em outros países) que não obriga as operadoras a manter dados cadastrais dos usuários de telefones móveis pré-pagos. Acabar com o pré-pago, além de ser uma medida socialmente injusta, pois privaria de comunicação grande parte da população de menor renda que aderiu ao pré-pago, é burro, pois os “meliantes” simplesmente migrariam para operadoras de trunking ou qualquer outro método de comunicação via rádio, que também pode ser anônima e segura, do ponto de vista da “privacidade” do usuário. Ou seja, continuaria tudo na mesma. Uma medida menos obstusa seria cadastrar, paulatinamente, toda a base de usuários de pré-pagos pelo país inteiro, como o são os do pós-pago. Mas isso também não impede que alguém se cadastre com documentos falsos, ou em nome de “laranjas”, coisa, que, claro, não acontece jamais em nosso maravilhoso - e cumpridor de leis - país…

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Quando Nós Éramos a Argentina

20 de janeiro de 2002

Não encontrei ainda quem lembrasse desse fato ocorrido no país há não muitos anos, em se considerando que vinte ou dezenove anos são pouco tempo na História de um país ou da “civilização” em geral. O fato é que, há não mais de quinze anos, vivemos uma insolvência igual na bestialidade e efeitos práticos, na época em que eu ainda navegava pelo fim da minha infância. Trata-se dos “outrora famosos” decretos-lei 2024, 2045 e o 2065, que acabaram precipitando o fim da ditadura (que levou de volta às “cavernas” os milicos de merda, para citar uma frase de efeito doméstica de minha avó). Foram decretos feitos para que se gerasse “poupança interna” para aplacar o estado de insolvência das contas públicas, ou, traduzindo o economês da época, um grande arrocho salarial para arrumar os fundos necessários ao pagamento dos sujeitos que emprestam dinheiro ao governo e que financiavam “a vida boa” que o Brasil ainda levava, à reboque do crescimento ocorrido no milagra econômico da ditadura, e que, por inércia dos “agentes econômicos”, ainda perdurava no padrão de vida da patuléia, para usar a expressão do Élio Gaspari. Pois bem, vieram os decretos, derrotas do governo (General Figueiredo, na época) no congresso, tentando aprovar os tais decretos-lei, as máxi-desvalorizações do cruzeiro (nossa moeda na época, pra quem não se lembra), quebra-quebras em Brasília, Rio e Porto Alegre, o movimento das Diretas-Já, o grande panelaço de 1984, quando da derrota da emenda “Dante de Oliveira” que garantiria eleições diretas em 1984, e a posse vergonhosa do Sarney, que mesmo assim foi comemorada na minha casa como a vitória em uma copa do mundo, mesmo que o mundo mesmo estivesse se tornando a grande bosta que foram os anos 80 no sul do Brasil, e, provavelmente, no Brasil inteiro.

Aqui, algo sobre esse tempo, e uma breve referência sobre o que foram os tais decretos…

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