Arquivo de janeiro de 2002
No Man’s Land
30 de janeiro de 2002
Cena de “Terra de Ninguém
Como não podia deixar de acontecer, não deixei de ir ao cinema pra ver “Terra de Ninguém” (No Man’s Land) sobre a guerra da Bósnia. O filme é uma coprodução Belga com mais metade da Europa (bom, na verdade é “Une coproduction: FRANCE, ITALIE, BELGIQUE, ROYAUME UNI, SLOVÉNIE”)… Irônico e belo, mas não indispensável, apesar de um “bom divertimento”. Estou lembrando de outro filme contando histórias de dois soldados, a obra-prima “Avanti Popolo” de Rafi Bukaee, uma coprodução Egípcio/Israelense (!) de 1986 que retrata a história de dois soldados egípcios perdidos no Sinai, ao final da Guerra dos Seis Dias (1967).
Estou procurando este filme desde o ter visto em algum madrugadão da Bandeirantes ou na TV Cultura aqui de Porto Alegre - não lembro mais - e depois num cinema da Casa Mario Quintana, e não encontro nem quem o tenha assistido, quem dirá alguma locadora que o tenha, ou boa alma que o tenha gravado. No bom e velho São Google, poucas referências, e, ainda, nenhum link que leve a algum VHS, divX - o que seja - dele… Deixa estar :^)

Uma das melhores cenas de “Avanti Popolo”, quando ambos encontram o Mar Vermelho
Bom, em comum, os dois filmes têm o fato de terem sido indicados para o Oscar de óli-ú, sendo que nesse ano o No Man’s Land tem até a possibilidade de levar aquela estátua feia que “parece com meu tio Oscar”, segundo uma das lendas de batismo do kikito deles, e também a ironia da situação em que ambos personagens se encontram, perdidos em suas guerras, perdidos em suas vidas, repetindo a história infinda de Cain e Abel ou alguma outra de outra mitologia.
Costumo gostar de bons filmes de guerra e durante algum tempo, quis muito participar de uma, na adolescência. A chance apareceu, aos 19 anos: Sarajevo, uma das mais lindas cidades da Europa (alguém lembra que as Olimpíadas de Inverno geralmente eram disputadas em Sarajevo nos anos 80?), estava cercada pelos chetniks e franco-atiradores sérvios.
Um conhecido me falou da possibilidade de, através da Itália, se chegar a Sarajevo atravessando a fronteira da Croácia e se unir às “brigadas internacionais”, algo que tinha - de certa forma e naqueles dias - um “romantismo” semelhante ao que levou milhares de estrangeiros a lutarem ao lado dos republicanos espanhóis em 1936.
Ele vai, eu fico. A última notícia que tenho dele - é fotógrafo - é de que é pai de duas meninas croatas e está morando com a mulher, em Zagreb, capital da Hrvatska. Filmes como o russo “A Balada do Soldado” (não confundir com o recente homônimo americano), Apocalypse Now, Os Doze Condenados, Underground (outro sobre as guerras nos Balcãs), e mais alguns que estou esquecendo, são geralmente uma aula sobre o comportamento humano bem mais produtiva que quase toda a ensaística pós-lacan (e Lacan junto, aquele frasista mala) e uma boa desculpa para se fazer poesia sem edulcorações e melosidades.
A loucura da guerra, seja qual seja, não é muito diferente da loucura cotidiana de nossas vidas, com a diferença de que temos, em “tempos de paz” a triste ilusão de que a morte só acontece para os outros. Filmes como “O Resgate do Toupeira Ryan” ou “Full Metal Jacket”, pelo contrário, ao glamourizarem a guerra e, essencialmente, apenas afirmarem a lógica do mocinho-bandido, tão cara aos aguiambúrgueres-do-norte, me provocam crises sincopadas de bocejos, e uma triste vontade de ser monge no Tibet, em Três Coroas ou catador de caranguejo em algum manguezal, ao ouvir os comentários entusiasmados de alguns colegas ou pessoas próximas sobre esse tipo de filme.
Essa sensação de solidão que enfrentamos ao nos deparar com o fato de que boa parte da humanidade ao redor não consegue sair do estágio onanísta da pré-adolescência, não importa que idade tenha, às vezes sufoca, às vezes pode ser bem divertida - se junto houver alguém que entenda a piada, claro.
Enfim, como sempre, começo falando de algo - hoje um filme - e entre parênteses (e entre-vírgulas) vou desviando do assunto, meio num fluxo-de-consciência e acabo em outro atolador completamente diferente. Ó meu deus! Eu só queria dizer que: Veja, veja o No Man’s Land, você não vai se arrepender dos pilas investidos nas duas horas de tela grande… Vale! :^)

Cartaz do “A Balada do Soldado” (1959) de Grigori Tchukrai
Links no IMDB:
Terra de Ninguém
Avanti Popolo
A Balada do Soldado
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Amapola
30 de janeiro de 2002

Poucos filmes americanos “recentes” me tocaram tanto quanto este. Desde a trilha sonora às referências literárias - um “intertexto” proustiano é óbvio no filme - tudo é de uma doçura dolorida, de um cuidado e amargor sem pieguice que esse filme está na minha lista de “bichos a salvar do dilúvio” da minha Arca de Noé particular. Vale pelo menos pelo diálogo antológico dos dois personagens que se reencontram trinta e poucos anos depois: “What have you done all this time?” Noodles answers: “Going to bed early”
Abaixo segue o link de um breve ensaio sobre o filme (em Inglês e Castelhano).
Once Upon a Time in America essay by Roberto Bartual
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Borges, Blake e as onças listradas…
30 de janeiro de 2002

Por que será que os tigres parece que sempre estão posando pra foto? Mais uma página feia, temática, mas com algumas fotos sobre os bichos e alguma arte (muito brega, é verdade) sobre tigres. E eu, que sempre quis fazer um origami como esse aí… Tiger, Tiger … Burning Bright
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Provérbios - Ditados - Ditos - Máximas em Francês
29 de janeiro de 2002(ou - Help pra namorada na prova de Francês)
1. À beau mentir qui vient de loin: celui qui vient d’un pays lointain peut, sans craindre d’être démenti, raconter des choses fausses.
2. À bom chat bom rat: se dit quand celui qui attaque trouve un antagoniste capable de lui résister.
3. A bon vin point d’enseigne: ce qui est bon se recommande de soi même.
4. A chaque jour suffit sa peine: supportons les maux d’aujourd’hui sans penser par avance à ceux que peut nous réserver l’avenir.
5. A cheval donné on ne regarde pas à la bride/aux dents.
6. A coeur vaillant rien d’impossible: avec du courage on vient à bout de tout.
7. A la Chandeleur, I’hivir ae pasee eu prend vigucur: si le froid n’est pas fini à la Chandeleur. Il devien plus rigueureux qu’auparavant.
8. A la Sainte-Luce, les jour croissent du saut d’une puce: les jours commcnccnt à croître un à la Sainte-Luce.
9. A laver la tâte d’un âne on perd sa lessive.
10. A l’impossible nul n’est tenu: on nc peut exiger de quiconque ce qu’il lui est impossible de faire.
11. Abondance de biens ne nuit pas: on accepte encore, par mesure de prévoyance. une chose dont on a déjà une quantité suffisante.
12. Après la pluie le beau temps.
13. Au premier coup ne choit pas l’arbre.
14. Au royaume des aveugles, les borgnes sont rois.
15. Ce qui est passé a fui ; ce que tu espères est absent ; mais le présent est à toi. (Arabe)
16. Chacun de nous porte un fou sous son manteau, mais certains le dissimulent mieux que d’autres. (Suédois)
17. Chat áchaudé craint l’eau froide.
18. Chien qui aboie ne mord pas.
19. Chose défendue, chose desirée. Pain dérobé réveille l’appétit.
20. Comme on fait son lit, on se couche.
21. Crois, si tu veux, que des montagnes ont changés de place ; mais ne crois pas que des hommes puissent changer de caractère. (Persan)
22. De quatre choses nous avons plus que nous croyons : des péchés, des dettes, des ennemis et des années. (Persan)
23. Des goûts et des couleurs il ne faut pas disputer.
24. Déshabiller saint Pierre pour habiller saint Paul.
25. Dis-moi Qui tu hantes, je te dirai Qui tu es.
26. En sa peau mourra le loup/le renard.
27. Heureux au jeum malheureux en amour.
28. Il est difficile d’attraper un chat noir dans une pièce sombre, surtout lorsqu’il n’y estpas. (Chinois)
29. Il faut tourner sa langue sept fois dans sa bouche avant de parler.
30. Il ne faut pas dire: Fontaine, je ne boirai pas de ton eau.
31. Il n’est pire aveugle que celui Qui ne veut pas voir.
32. Il n’est pire sourd que celui Qui ne veut pas entendre.
33. Il n’est point des roses san épines.
34. Il n’y a pas fumée sans feu.
35. Il n’y a pire eau qui cellui qui dort.
36. Je pleurais quand je vins au monde, et chaque jour me montre pourquoi. (Espagnol)
37. La femme infidèle a des remords, la femme fidèle a des regrets. (Chinois)
38. La fin justifie les moyens.
39. La jeunesse croit beaucoup de choses qui sont fausses ; la vieillesse doute de beaucoup de choses qui sont vraies. (Proverb Allemand)
40. La nuit, tous les chats sont gris.
41. L’aigle ne s’amuse point à chasser/prendre les mouches.
42. L’air ne fait pas Ia chanson: l’apparence n’est pas la réalité.
43. L’amour et la haine sont des parents consanguins. (Allemand)
44. Le bavardage est l’écume de l’eau, l’action est une goutte d’or. (Chinois)
45. Le chagrin est comme la maladie : pour les uns, il est bénin ; pour les autres il est aigu. (Français)
46. Le chagrin est comme un grand trésor : on ne s’en ouvre qu’à ses intimes. (Malgache)
47. Le chemin du devoir est toujours proche, mais l’homme le cherche loin de lui. (Chinois)
48. Le destin pose deux doigts sur les yeux de l’homme, deux dans ses oreilles, et le cinquième sur ses lèvres en lui disant : “Tais-toi.” (Arabe)
49. Le jour éloigné existe, celui qui ne viendra pas n’existe pas. (Chinois)
50. Le loup/Le renard change de poil, mais non de naturel.
51. Le moment donné par le hasard vaut mieux que le moment choisi. (Chinois)
52. Le monde est une mer, notre coeur en est le rivage. (Chinois)
53. Le plus grand amour est l’amour d’une mère, vient ensuite l’amour d’un chien, puis l’amour d’un amant. (Polonais)
54. Le riche songe à l’année qui vient, le pauvre pense au jour présent. (Chinois)
55. Le sage se demande à lui-même la cause des ses fautes, l’insensé la demande aux autres. (Chinois)
56. Le savoir que l’on ne complète pas chaque jour diminue tous les jours. (Chinois)
57. Le silence est le plus beau bijou d’une femme, mais elle le porte rarement. (Anglais)
58. Le temps, c’est de l’argent.
59. L’eau ne reste pas sur les montagnes, ni la vengeance sur un grand coeur. (Chinois)
60. L’eau qui tombe goutte à goutte, cave la pierre. Goutte à goutte, l’eau creuse la pierre.
61. L’enfer est pavé de bonnes intentions.
62. Les bons conseils pénètrent jusqu’au coeur du sage ; ils ne font que traverser l’oreilles des méchants. (Chinois)
63. Les cordonniers sont les plus mal chaussés.
64. Les jeunes vont en bandes, les adultes par couples, et les vieux tout seuls. (Suédois)
65. Les murs ont des oreilles.
66. Les oiseaux ne laissent qu’un chant éphémère ; l’homme passe, mais sa renommée survit. (Chinois)
67. L’esprit a beau faire plus de chemin que le coeur, il ne va jamais si loin. (Chinois)
68. L’habit ne fait pas le moine.
69. L’homme est un enfant né à minuit : quand il voit le soleil, il croit qu’hier n’a jamais existé. (Chinois)
70. L’occasion fait le larron.
71. Loin des yeux, loin du coeur.
72. L’optimisme vient de Dieu, le pessimisme est né dans le cerveau de l’homme. (soufi)
73. Mettre la charrue devant les boeufs.
74. Mieux vaut tard que jamais.
75. Ne dis pas tes peines à autrui ; l’épervier (gavião) et le vautour s’abattent sur le blessé qui gémit. (Arabe)
76. Notre vrai tombeau n’est pas dans la terre, mais dans le coeur des hommes. (Persan)
77. Nul n’est prophète en son pays.
78. OEil pour oeil, dent pour dent.
79. Offrir l’amitié à qui veut l’amour, c’est donner du pain à qui meurt de soif. (Espagnol)
80. On ne fait pas d’omelettes sans casser des oeufs.
81. On peut fendre un rocher ; on ne peut pas toujours attendrir un coeur. (Indien (tamil))
82. On reconnaît l’arbre à ses fruits.
83. Par la rue “Plus tard”, on arrive à la place “Jamais”. (Espagnol)
84. Paris ne s’est pas fait en un jour.
85. Petit à petit, l’oiseu fait son nid.
86. Pour bien aimer une vivante, il faut l’aimer comme si elle devait mourir demain. (Arabe)
87. Pourquoi se jeter à l’eau avant que la barque n’ait chaviré? (Chinois)
88. Prétendre contenter ses désirs par la possession, c’est compter que l’on étouffera le feu avec de la paille. (Chinois)
89. Qui donne aux pauvres prête à Dieu.
90. Qui ne dit mot consent.
91. Qui ne risque rien n’a rien.
92. Qui sème le vent récolte la tempête.
93. Qui trop embrasse mal étreint.
94. Qui va à la chasse perd sa place.
95. Quiconque se sert de l’épée périra par l’épée.
96. Rien ne manque aux funérailles des riches, que des gens qui les regrettent. (Chinois)
97. Rira bien qui rira le dernier.
98. Rome ne s’est pas faite en un jour.
99. Si tu veux être apprécié, meurs ou voyage. (Persan)
100. Suis le conseil de celui qui te fait pleurer, et non de celui qui te fait rire. (Arabe)
101. Tel père, tel fils.
102. Tout qui reluit n’est pas or.
103. Trois choses donnent la mesure de l’homme : la richesse, le pouvoir, l’adversité. (Arabe)
104. Trois choses sont fugitives : l’écho, l’arc-en-ciel, la beauté des femmes. (Allemand)
105. Trois sortes de gens disent la vérité : les sots, les enfants et les ivrognes. (Allemand)
106. Un ami est long à trouver et prompt à perde. (général)
107. Un homme averti en vaut deux.
108. Un homme heureux est une barque qui navigue sous un vent favorable. (Chinois)
109. Un mauvais arrangement vaut mieux qu’un bon procès.
110. Un tiens vaut mieux que deux tu l’auras.
111. Une femme belle est la paradis des yeux, l’enfer de l’âme, et le purgatoire de la bourse. (Estonien)
112. Ventre affamé n’a point d’oreilles.
113. Vouloir, c’est pouvoir.
Veio daqui: Provérbios online no Trad-Prt…
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Uruguay 2030
27 de janeiro de 2002 
Pois é, parece brincadeira, mas é verdade… isso sim é pensar a longo prazo… A página está no ar desde pelo menos 1997, ou seja, 33 anos antes do evento. Mas ok, já que as Olimpíadas de 1996 (as Olimpíadas do Centenário) foram em Atlanta (lembram que fiasco foi aquilo?) e não em Atenas, como mandaria o bom-senso, polidez e a vergonha-na-cara, acho que os uruguaios tão certos mesmos de se adiantarem… mas, será que a maioria de nós vai estar vivo ainda em 2030? De qualquer forma, tem um contador online, marcando o tempo até lá… Eu, por essa época, espero estar bem tranqüilo, lendo meus livros e escrevendo cartas em máquinas datilográficas do século 20 (em 2030 o século 20 vai ser tão distante, não?) e entocado em alguma casinha em Colónia del Sacramento… Vale.
Não deixem de conferir a página. Uruguay2030.
Update de 30/10/2005: A página não existe mais. Ficou o registro.
Update de 20/03/2007: Surgiu outra página, ponto com, e o link foi atualizado. Não tem nada do que a outra tinha, mas, pelo menos, ilustra o ponto do post.
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A Propósito
27 de janeiro de 2002Zorro Strikes Again
24 de janeiro de 2002

Ser pai é voltar à infância. É. Juro que sim. Pelo menos comigo tem sido… Vamos ver se me explico. Meu guri caçula, que já tem suas duas centenas de manias, e está por fazer “teis anos e meio”, resolveu por bem achar, pela metade do ano passado, uma fita do Zorro na locadora que freqüentamos.Sou separado da mãe dele, mas moramos a menos de duas quadras de distância, e dois dias por semana me toca pegá-lo na escola e passar algumas horas com ele, bem como um dos dias dos finais de semana. Temos, eu e a mãe dele, um código meio tácito de não deixar o guri assistir TV antes de ele exigir isso por conta própria. Na verdade, como nem eu nem ela vemos TV há um bom tempo, o guri já se acostumou com essa mania da família. Mas vemos nossos filmes em vídeo e, claro, lá pelas tantas ele descobriu - mal tinha aprendido a falar - que na locadora também havia filmes para ele, ora bolas. Aí é que tudo começou… Passamos por todos os “clássicos” di$ney, pelo toy story e, lá pelas tantas, ele viu um sujeito montado num cavalo negro. Ele adora cavalos. Pimba, um anime meio sem-vergonha de um Zorro loiro (Zorro loiro?!?!) e umas histórias meio inverossímeis, mas muitas correrias a cavalo e lutas de espada e o guri é o mais novo Zorro do bairro, já há uns bons seis meses. Bom, daquele anime pra todos os outros filmes do zorro disponíveis na locadora e pra todo e qualquer material sobre ele na Internet foi um pulo. As imagens que tenho postado são do belo jogo “Zorro” da Cryo Software, a única produtora não anglófona que eu conheço (é francesa) que produz software de entretenimento de primeira qualidade (Dr Jeckill e Mr. Hide, também deles, é de um design belíssimo). Se não me engano, a Cryo é uma divisão da Infogrammes, mais conhecida no Brasil pelos softwares educacionais ou de referência. Pois bem, quem visitou o site acima, e viu a abertura em flash, pôde notar a qualidade do trabalho dos caras. Já tive de ver essa animação umas 750 vezes, pois toda vez que vou ver algo no micro com meu filho, ele pede o filminho do zorro. Até a décima repetição, até que eu juro que achei bem emocionante o flashezinho…
Mas então, voltando ao Zorro: Papai Noel trouxe pro guri um kit zorro completo com direito a um par de espadas. Caso eu suma por algum tempo, podem saber que o Sargento Garcia aqui está convalescendo de algum grave ferimento feito pelo florete do Zorro. Vou ver se arrumo uma foto do diabinho fantasiado de Zorro pra meter aqui. Felicidade se faz de tão pouco quando se é criança… Ou não, né? mas deixa eu pensar que era tudo colorido…
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Tirem o Sofá da Sala
22 de janeiro de 2002

Minha única nota sobre o que anda acontecendo em São Paulo:
Chocados todos estamos, e com aquele sabor amargo de volta do Esquadrão da Morte, com esse travo de impunidade que não sai da boca de ninguém no país, e, especialmente, dos paulistanos, mas, por favor, vamos tomar e propor medidas efetivas e verdadeiras, seu Alckmin… O senhor está parecendo o marido que descobre que o Ricardão está comendo a sua patroa no sofá e manda tirarem o sofá da sala… proibir os celulares pré-pagos de existir há-de ser uma medida de segurança tão eficiente quanto pôr placas de trânsito de “é proibido assassinar ou seqüestrar transeuntes nessa avenida”. Se o senhor, com o perdão da palavra, quer terminar com a putaria em que seu estado está mergulhado, pode procurar e propôr experiências como a do ex-prefeito de Nova Iorque, que para além dos gráficos, diminuiu o “sentimento de insegurança” da população, quem sabe por que realmente as pessoas por lá estão mais seguras…
A incapacidade da elite político-burocrática brasileira de lidar com as “realidades” mais simples e cotidianas da vida desse país é algo que supera qualquer anedota do Nelson Rodrigues sobre a estupidez humana. A próxima medida do governador paulista, seguindo a linha de proibição da celulares pré-pagos, seria a proibição do uso de saias pelas mulheres, com o intuito de diminuir o índice de estupros e mortes violentas de mulheres na cidade.
O pré-pago é usado por bandidos, sim, e talvez mais que os celulares pós-pagos. Ok. Mas isto deve-se apenas à norma da Anatel (que por acaso é igual a quase todas as normas de agências semelhantes em outros países) que não obriga as operadoras a manter dados cadastrais dos usuários de telefones móveis pré-pagos. Acabar com o pré-pago, além de ser uma medida socialmente injusta, pois privaria de comunicação grande parte da população de menor renda que aderiu ao pré-pago, é burro, pois os “meliantes” simplesmente migrariam para operadoras de trunking ou qualquer outro método de comunicação via rádio, que também pode ser anônima e segura, do ponto de vista da “privacidade” do usuário. Ou seja, continuaria tudo na mesma. Uma medida menos obstusa seria cadastrar, paulatinamente, toda a base de usuários de pré-pagos pelo país inteiro, como o são os do pós-pago. Mas isso também não impede que alguém se cadastre com documentos falsos, ou em nome de “laranjas”, coisa, que, claro, não acontece jamais em nosso maravilhoso - e cumpridor de leis - país…
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Quando Nós Éramos a Argentina
20 de janeiro de 2002

Não encontrei ainda quem lembrasse desse fato ocorrido no país há não muitos anos, em se considerando que vinte ou dezenove anos são pouco tempo na História de um país ou da “civilização” em geral. O fato é que, há não mais de quinze anos, vivemos uma insolvência igual na bestialidade e efeitos práticos, na época em que eu ainda navegava pelo fim da minha infância. Trata-se dos “outrora famosos” decretos-lei 2024, 2045 e o 2065, que acabaram precipitando o fim da ditadura (que levou de volta às “cavernas” os milicos de merda, para citar uma frase de efeito doméstica de minha avó). Foram decretos feitos para que se gerasse “poupança interna” para aplacar o estado de insolvência das contas públicas, ou, traduzindo o economês da época, um grande arrocho salarial para arrumar os fundos necessários ao pagamento dos sujeitos que emprestam dinheiro ao governo e que financiavam “a vida boa” que o Brasil ainda levava, à reboque do crescimento ocorrido no milagra econômico da ditadura, e que, por inércia dos “agentes econômicos”, ainda perdurava no padrão de vida da patuléia, para usar a expressão do Élio Gaspari. Pois bem, vieram os decretos, derrotas do governo (General Figueiredo, na época) no congresso, tentando aprovar os tais decretos-lei, as máxi-desvalorizações do cruzeiro (nossa moeda na época, pra quem não se lembra), quebra-quebras em Brasília, Rio e Porto Alegre, o movimento das Diretas-Já, o grande panelaço de 1984, quando da derrota da emenda “Dante de Oliveira” que garantiria eleições diretas em 1984, e a posse vergonhosa do Sarney, que mesmo assim foi comemorada na minha casa como a vitória em uma copa do mundo, mesmo que o mundo mesmo estivesse se tornando a grande bosta que foram os anos 80 no sul do Brasil, e, provavelmente, no Brasil inteiro.
Aqui, algo sobre esse tempo, e uma breve referência sobre o que foram os tais decretos…
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