
Nunca me canso de me espantar com a Internet. Sei, esse papo meta-midiático já está pra lá de gasto e a maioria das novidades dos últimos meses são apenas coisas requentadas e que agora funcionam, devido, principalmente, à “popularização” da banda larga e tal. Mas a noção de TAZ (Zonas Autônomas Temporárias) e todo esse papo underground nem teria aparecido sem esse emaranhado de fios que - mesmo indiretamente - acabaram interligando o meu computador - esse k6 meio leproso - ao seu, seja lá o que ele for. Sempre há os que reclamam da falta de conteúdo, mas são os mesmos que não são capazes de sair do roteiro dos portais que os grandes provedores empulham goela abaixo dos seus assinantes - não que os portais em si sejam ruins - ruim é a falta de iniciativa das pessoas, essa eterna acomodação (afinal, digitar ou clicar devem estar entre as atividades mais passivas da história da humanidade depois de zapear canais na TV), essa lezeira, “medo de estragar o computador”, enfim, medo de se arriscar em qualquer coisa, mesmo que seja uma anódina tela diferente. Há já sete anos, a revista Boardwatch Magazine (que começou como a bíblia e bússola dos BBSs - quem se lembra deles?) tem abordado, desde um ponto de vista técnico, obviamente, os aspectos e tecnologias mais legais da Internet, mas ainda não vi um artigo nela sobre os blogs e essa “nova” forma de interatividade que está surgindo - e se pode bem perguntar o quanto de modismo há nisso. John Dvorak, num artigo reclamando exatamente da atual impossibilidade de nós, simples mortais, termos acesso ao tipo de coisas legais e bonitas (Dreamweaver e PhotoShop são caros pra um usuário eventual que queira andar na lei sem piratear software, mesmo para os “hermanos” do grande norte) que as corporações têm. Assim, ele “decreta” a morte do site pessoal, do site de vaidade, do “My little home on the Web”. Não há como discordar de quase nada do que ele diz, mas, nas centenas blogs sites espalhados mundo afora, parece que o usuário vai retomando o seu espaço, e a rede “volta” a ser uma região propícia ao aparecimento de várias TAZ e alguma inteligência desinteressada (inteligências a serviço da grana, do mercado, do grande shopping center que a Internet tem se tornado, ah, desta todos estamos cansados). De qualquer forma, sempre houve algumas TAZ perdidas por aí, com ou sem blogs, com ou sem até mesmo a Web. Listas de discussão, alguns raros web chats - que logo são invadidos pelo pessoal do “q tc?” e “de onde tc?” e todos aqueles que AINDA NÃO APRENDERAM QUE NÃO É EDUCADO ESCREVER EM LETRAS GARRAFAIS, NEM EM BILHETE PRO LEITEIRO MÍOPE… Vale…
Pra quem quiser (em inglês), o artigo do Dvorak está aqui.
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